Quarta feira 22:20h – Filho de bicheiro e policial militar são assassinados dentro de hotel

O contraventor Haylton Carlos Gomes Escafura, 37 anos, filho do bicheiro José Caruzzo Escafura, o Piruinha, e a PM da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha Franciene Soares, de 27 anos, foram assassinados, na madrugada desta quarta-feira, dentro de do Hotel Transamérica, na Avenida Gastão Senges, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade.

Os dois foram encontrados mortos dentro do banheiro do quarto em que estavam, no oitavo andar do hotel de luxo, por volta das 3h. Ambos foram atingidos por pelo menos 10 tiros. O apartamento onde ocorreu o crime pertencia a Hayton e ele morava no local. Diversas cápsulas de pistola e fuzil foram deixadas nos cômodos da residência.

De acordo com a polícia, o suspeito do crime aparece em imagens das câmeras de segurança do hotel encapuzado e entrando no local sem ser abordado e diferente do que se acreditava, a porta do hotel onde o casal Haylton Escafura e Franciene Soares estava, não era blindada. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegou ao local às 6h e fez uma varredura em todo hotel durante uma hora na tentativa de localizar o assassino, que não foi encontrado.

Franciene Soares, lotada na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, estava na Polícia Militar desde 2014. Ela era nutricionista de formação e ex-guarda municipal. A PM deixa uma filha, que tem aproximadamente 5 anos.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DH-Capital) foi acionada e realizou perícia na cena do crime. A especializada vai investigar as causas dos assassinatos e diligências já estão em andamento. Os corpos de Haylton e Franciene foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML). Ainda não há informações sobre enterro.

‘Parecia escopeta, metralhadora’, diz vizinho do hotel

Morador do prédio ao lado do hotel, o engenheiro Marcos Bonfim disse que ouviu muitos tiros de madrugada. “Acordei com som de muito tiro. Parecia escopeta, metralhadora. Pensei que fosse assalto, já que aqui isso é frequente. Eu e meus familiares nos jogamos no chão porque, era tão alto, que achei que era aqui no prédio. Meu porteiro me disse que também se jogou no chão”, contou o morador.

Hotel Transamérica, na Barra, onde o filho do bicheiro Piruinha e uma mulher foram assassinadosDivulgação
A movimentação policial na portaria do hotel chamou a atenção de hóspedes que saíam, agora, pela manhã, do hotel. Mas, segundo o contador Carlos Marson, 34 anos, de São Paulo, dentro da unidade o clima estava normal. Ele contou que não escutou os tiros. “Ontem, à noite, cheguei muito cansado e dormi. Não escutei nada porque aqui é muito grande. Aparentemente, lá dentro, está tudo normal. Serviram o café da manhã como sempre. Parece que estão fazendo de tudo para aparentar que nada aconteceu”, contou o hóspede.

Já a consultora de TI, Alessandra Cola, de 39 anos, que estava no 5º andar na hora do crime, relatou o pânico quando ouviu os disparos. “Levei um susto, mas pensei que era na rua porque foram muitos tiros. Aqui, não tem segurança”, reclamou.

Condenado por venda de carros de luxo para lavar dinheiro do crime

Haylton foi preso pela Polícia Federal em junho de 2012, durante a operação “Black Ops”, em um cerco a 31 suspeitos de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis após ficar oito meses foragido da Justiça. Ele foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão.

Mesmo com a condenação, Haylton não estava preso e tinha um mandado de prisão em aberto remetido pela Justiça do Rio em 5 de maio deste ano, pela condenação de 2012. Segundo o Tribunal de Justiça, ele cumpria liberdade condicional, mas o órgão não explicou o porquê da expedição do novo pedido de prisão.

Durante o cumprimento do regime semiaberto, ele voltou a ser preso, em 2015, após ser descoberto que o contraventor burlava o benefício.

Quando os agentes da PF chegaram na mansão onde estava o filho de Piruinha, no Recreio, que era foragido da Justiça há oito meses, ele dava uma festa regada a uísque e energético. Haylton estava à beira da piscina, com outros dois procurados pela polícia. Um deles estava armado com uma pistola 45, mas não reagiu à ação.

Segundo investigações, ele e o bando usavam, principalmente, a venda de carros de luxo para lavar dinheiro. Na ocasião, músicos e jogadores de futebol ficaram na mira da polícia, como foi o caso dos cantores Belo e Latino, e dos atletas Diguinho, Emerson e Kleberson.

Na ocasião, a operação mobilizou Receita Federal e a PF em 14 estados. O braço-forte da quadrilha era o Rio. O grupo foi acusado de contrabando, comércio ilegal de pedras preciosas, formação de quadrilha e evasão de divisas na 3ª Vara Criminal Federal.

 

Fonte: O Dia

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