Blog do Adilson Ribeiro

Terça feira 21:52 – A dança da Cadeira em Itaperuna. Veja abaixo:

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Com a diplomação do Vice Prefeito Rogerinho (Patriotas) como prefeito interino da cidade, o centro do poder político da cidade foi da água para o vinho, já que o prefeito interino e vice-prefeito eleito rompeu com o aliado Marcus Vinicius no início da sua gestão, tornando-se, assim, o seu principal adversário. Certamente, é mais difícil ser situação do que oposição na cidade de Itaperuna. Não é fácil herdar uma gestão que já vem com anos de problemas, irresponsabilidades, ineficiência e ainda ter o papel de fazer a conciliação com os interesses dos vereadores, partidos e grupos políticos da cidade. Rogerinho, que sempre soube fazer oposição e se colocar como um quadro combatente na defesa da população, tem se apequenado em sua gestão como prefeito interino. No momento, por incapacidade política, não consegue agradar gregos nem troianos. Ou seja, nem a classe política, nem a população que o elegeu na chapa de Marcus Vinicius como vice prefeito. Quando a cadeira de prefeito fica vaga devido ao afastamento temporário de Marcus Vinicius e com as dificuldades de Rogerinho em se legitimar como prefeito –além do péssimo diálogo com a câmara dos vereadores- surge um questionamento na boca do povo: quem vai ocupar a cadeira do Prefeito?

Afastamento do Prefeito Marcus Vinicius

No dia 21 de março de 2019, a justiça determinou o afastamento do prefeito de Itaperuna, Dr Marcus Viniciús (PR). O juiz Rodrigo Rocha de Jesus deferiu o pedido feito pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) na quarta-feira (20).

“Do que veio aos autos não há a menor dúvida sobre a impossibilidade de manutenção do prefeito municipal no cargo. O risco decorrente de sua permanência é muito maior que a sua manutenção na função, não só pelo risco ao erário público mas, muito mais, pelo risco à instrução processual, diante do poder que tem ele sobre todos aqueles que atuam na prestação do serviço e que podem ser ouvidos neste feito, bem como do acesso a todos os documentos, arquivos e computadores da administração pública, pessoalmente ou por intermédio de terceiros”, diz o juiz em trecho da decisão.

Estamos indo para 130 dias do afastamento do prefeito Marcus Vinícius (PR), e a questão que fica na cabeça das pessoas é: será que ele volta?

Sabemos que a decisão judicial foi uma medida preventiva e que Marcus Vinicius até o final de sua gestão em 2020 é o prefeito eleito, podendo voltar a qualquer momento ao poder, mas também sabemos que mesmo que se prove inocente, o estrago feito a sua imagem é irreversível. Acredito que o prefeito eleito, nunca mais terá o capital político e o apoio popular que o elegeu em 2016, não apenas pelas decisões judiciais que o afastaram do poder, ou pelas acusações do MPRJ, mas porque não cumpriu com as suas promessas de campanha, e foi incapaz de colocar em pratica o programa eleitoral que o fez prefeito com 66,99 % dos votos válidos em 2016, quando aderiu a pautas como o fim do monopólio do transporte público e do restaurante popular. Como podemos ver, Marcus Vinícius colhe o que ele mesmo plantou, ou melhor, o que deixou de plantar.

Governo Rogerinho

Com 129 dias como prefeito da cidade e à 15 meses das eleições municipais, Rogerinho tem se demonstrado ineficiente na articulação com os vereadores, no dialogo com a oposição e na construção de alianças que garantam a sua governabilidade, além de ter sido incapaz de atender às demandas populares e à expectativa das pessoas em torno de seu nome. Devemos lembrar que Rogerinho foi um importante vereador de oposição na gestão do ex-prefeito Alfredão (PP), e rompeu com Marcus Vinicius por questões políticas no início da gestão em 2016. Rogerinho até poderia falhar com a construção de sua governabilidade, em não atender aos interesses da Câmara, mas jamais falhar em atender às expectativas das pessoas que o apoiaram nessa transição temporária de poder. As pessoas esperam mais do seu prefeito. Elas querem emprego, educação de qualidade, querem ir e vir a um preço justo, querem saneamento, as ruas limpas, o fim dos buracos, um trânsito menos caótico; a juventude quer lazer, os mais velhos também. Rogerinho precisa entender que o seu governo é um embrião, e só existe duas formas de garantir sua permanência e crescimento, ou passa a se articular melhor com os vereadores, ou atende as demandas e expectativas populares em seu governo. Rogerinho ainda não entendeu, que no cenário político no qual está inserido, ou ele dança, ou dança de vez.

Torresmo quer ser prefeito?

Com a instabilidade política do prefeito interino, a transição atropelada e a ameaça latente do retorno do prefeito afastado ao poder, um novo ator político surge nessa dança. O atual presidente da Câmara e vereador de Itaperuna Sinei Torresmo (PTN), que neste momento é o sucessor ao cargo de chefe do executivo municipal -com uma eventual cassação do Marcus Vinicius e do seu vice prefeito Rogerinho. A pergunta que fica na cabeça das pessoas: o Sinei Torresmo quer ser prefeito?

Qual político não gostaria de se tornar prefeito de sua cidade? É completamente entendível que Torresmo tenha esse interesse, ainda mais por fazer parte de um grupo político que foi adversário de Rogerinho nas eleições de 2016, além de ter sido parte integrante do governo ao qual Rogerinho e Dr Marcus Vinícius fizeram oposição declarada (durante a gestão do Alfredão). Não existe nenhum impedimento moral e nenhuma questão ética que o impeça de mover um processo de cassação do prefeito afastado e do prefeito interino. O único impedimento seria a vontade popular. O desejo das pessoas seria o fiel da balança para pôr fim a essa disputa.

E o povo o que quer?

Quando falamos de povo, não existe decisão simplista nem unilateral. Será a Câmara capaz de atender às diversas opiniões, vontades e programas que disputaram o poder em 2016? Sabemos que quando tratamos de povo, tratamos de povos, de identidades, de necessidades e demandas distintas. Quando andamos pelas ruas da cidade, conseguimos sentir um pouco dessas demandas. Demandas de emprego, de oportunidades, de investimento, organização, planejamento e do cumprimento de promessas. Os poderes instituídos ignoram essas demandas e agem quase exclusivamente para atender aos seus próprios interesses e de seus partidários. Não acredito que a Câmara, o prefeito interino (ou) o afastado, até mesmo a justiça, tenham direito de decidir sobre o futuro de milhares de itaperunenses. Os vereadores tem o dever de convocar as pessoas para debater a cidade, os seus rumos, e quem conduzirá o governo até as eleições democráticas em 2020.

Por Elias Leão/o contraponto

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