Blog do Adilson Ribeiro

Serra – Sexta-feira – 19:25 – Criança morre com suspeita de dengue hemorrágica. Clique na imagem e saiba mais:

A vida da família de Isadora de Freitas Dias, de 5 anos, virou de cabeça para baixo. A criança, que apresentou sintomas como febre, pode ter sido vítima fatal de dengue hemorrágica. Ela morreu na última sexta-feira, após sofrer uma parada cardíaca.Moradora de Jacaraípe, na Serra, a mãe de Isadora, a vendedora Clarice de Oliveira Freitas, 38, diz que não consegue entender a rápida evolução dos sintomas. A família chegou a procurar a UPA da Serra-Sede por duas vezes com a criança doente.

“Ela começou a ter febre no último dia 19, uma terça-feira. No outro dia, levei-a até a UPA. Quando nos chamaram, somente a examinaram e deram um antibiótico. Na madrugada de quinta para sexta, ela gritava de dor no estômago e até desmaiou. Voltamos para a UPA, com ela toda gelada e pálida”, explicou.

De acordo com Clarice, na sexta, ela foi encaminhada para o Hospital Infantil Vitória, após laudo médico apresentar hipótese de dengue hemorrágica.

“A médica a atendeu e logo percebeu que havia alteração no fígado e plaquetas baixas. Mas era tarde demais. Quando foi à noite, ela morreu. Para mim, isso foi uma negligência do primeiro atendimento”, lamentou.

Segundo o subsecretário de Saúde da Serra, o cardiologista Aldo Lugão, não houve má conduta.
“Essa criança foi atendida na UPA com quadro inicial de dor de garganta, e evoluiu com sintomas mais graves, como febre. No dia 22, foi transferida para o hospital, com a hipótese de hepatite devido à dengue”, explicou.

Para o infectologista Fábio Coutinho é preciso precaução. “A circulação do sorotipo 2, que há muitos anos não acontecia, aumenta a probabilidade de mais casos. Qualquer dengue pode virar hemorrágica”, explicou.

Casos

O chefe da Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Roberto Laperriere, conta que os números de casos no Estado já eram esperados.

“Estamos em estado de alerta, com 13.889 casos de dengue, entre o dia 30 de dezembro do ano passado até o último sábado, dia 23. É momento de acompanhar de perto com o apoio da população”, explicou Roberto.

“Não caiu a ficha. Estou em choque”, diz mãe

Inconsolada, a vendedora Clarice de Oliveira, 38, mãe da pequena Isadora, 5, conta que não se conforma e pede por justiça.

A Tribuna– Tudo aconteceu muito rápido?

Clarice de oliveira – Sim! Depois de passar duas vezes na UPA da Serra Sede em três dias, a médica logo atendeu e percebeu que havia alteração no fígado e plaquetas baixas. Ela então foi encaminhada ao Hospital Infantil.

Chegaram a tentar entubá-la, mas era tarde demais. Ela sofreu uma parada cardíaca e não aguentou, na última sexta-feira.

Acredita que seja dengue?

Foi indicada a dengue como possível causa no laudo. No documento enviado ao hospital para internação, a dengue hemorrágica, consta entre as hipóteses. Já no óbito, estava que ela tinha apresentado choque anafilático no pulmão com infecção generalizada. É uma dor muito grande passar por tudo isso.

Qual é o sentimento nesse momento?

De que tudo passou de uma negligência médica na quarta-feira. Eu queria uma punição. Era para ter feito exames mais específicos. Ela é um ser humano que precisava de cuidados. Ela era totalmente saudável. Não tem explicação.

Eu pretendo entrar na justiça pela minha filha. Não caiu ainda a ficha e estou em choque com tudo que aconteceu. Ela era muito ativa, muito inteligente, carismática e muito amada por toda família. É uma mistura de sentimentos, como revolta.

Crescimento de 501% no Estado

Os números de notificações de casos de dengue são alarmantes. Dados do Ministério da Saúde já indicam um crescimento em 264% de casos em todo o Brasil.
O Espírito Santo, segundo o órgão, tem aumento de 501% nos casos de dengue e está entre os estados com maior incidência do país.

O órgão vem fazendo alerta, pois os números são maiores em relação ao ano passado “Os óbitos pela doença também aumentaram 67%, em comparação ao mesmo período de 2018”, disseram.

O secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber, reforça que a melhor forma de evitar o agravamento e as mortes por dengue é com diagnóstico e tratamento oportunos.

“É necessário que os profissionais de saúde estejam atentos a esse aumento de casos. É preciso que eles estejam mais sensíveis para a dengue na hora de fazer o diagnóstico. Quanto mais cedo o paciente for diagnosticado e der início ao tratamento, menor o risco de agravamento da doença e de evoluir para óbito”, explica Wanderson.

Segundo o Ministério da Saúde, alguns estados têm situação mais preocupante, porque estão com a incidência maior que 100 casos por 100 mil habitantes. O Espírito Santo, está em sexto lugar do País, com 222,5 casos por 100 mil.

Fonte: Tribuna Online.


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