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O desabamento de uma residência na Rua Valdir Macedo, no bairro Horto Florestal, em Itaperuna, não pode ser tratado como um acidente imprevisível. Trata-se de uma tragédia anunciada, marcada por alertas ignorados, avaliações técnicas equivocadas e uma resposta institucional que falhou em seu dever mais básico: proteger vidas.
Segundo relato de dona Rosana, moradora da residência atingida, agentes da Defesa Civil de Itaperuna estiveram no local ainda pela manhã e afirmaram que o imóvel não apresentava risco iminente de desabamento. A avaliação, no entanto, contrariava sinais visíveis e alarmantes. A parede da casa estava estufada, emitindo estalos indícios claros de comprometimento estrutural.
“Eu avisei que a casa estava cedendo. A parede estufou, começou a estalar e, de repente, veio tudo abaixo. Só consegui escapar por pouco”, relatou a moradora, ainda abalada.
No imóvel residiam também o marido de Rosana e dois netos. Por circunstâncias que beiram o acaso, uma tragédia maior foi evitada. Ainda assim, a família perdeu o lar e precisou buscar abrigo emergencial, sendo acolhida provisoriamente no Colégio São José.
A jornalista Ivonete de Oliveira, que acompanha de perto a situação, manifestou indignação com a atuação da Defesa Civil e com a condução da gestão municipal, sob responsabilidade do prefeito Emanuel Medeiros Nel. Para ela, o episódio revela despreparo técnico, negligência e ausência de protocolos eficazes diante de cenários de risco claramente identificáveis.
O caso levanta questionamentos graves:
Por que os alertas da moradora não foram levados em consideração?
Quais critérios técnicos embasaram a liberação do imóvel poucas horas antes do colapso?
Quantas outras residências em áreas vulneráveis estão hoje sob risco semelhante?
Em um município frequentemente afetado por chuvas intensas, deslizamentos e alagamentos, a Defesa Civil deveria atuar de forma preventiva, cautelosa e rigorosa. Quando isso não ocorre, o resultado é a perda de lares, o trauma de famílias inteiras e a sensação de abandono por parte do poder público.
O desabamento no Horto Florestal não foi apenas um evento isolado. É um sintoma de falhas estruturais na gestão de riscos em Itaperuna. E, diante dos fatos, o silêncio ou a tentativa de minimizar responsabilidades apenas reforça a gravidade do ocorrido.
A pergunta que permanece é incômoda, mas necessária: será preciso perder vidas para que alertas sejam finalmente levados a sério?
Nathália Schwartz

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