Blog do Adilson Ribeiro

Terça-feira – 09:27 – Vencedor do Nobel fala sobre juros no Brasil: “pena de morte”. Veja Abaixo:

O professor da Universidade de Columbia e vencedor do Prêmio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, foi mais um a condenar o atual nível das taxas de juros no Brasil.

Ao participar do seminário “Estratégias de desenvolvimento sustentável para o século XXI”, promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na sede do banco, no Rio, disse que o juro no país é “chocante”

Além disso, afirmou que é surpreendente o Brasil ter sobrevivido ao que compara a uma pena de morte, que é a taxa de juros de 13,75% ao ano e taxa real de 8%.

“A taxa de juros de vocês é realmente chocante. Os números de 13,75% e 8% são o que vai matar qualquer economia. O que é impressionante é que o Brasil sobreviveu ao que é uma pena de morte. O que surpreende é que vocês tenham sobrevivido”, disse ele, acrescentando que parte da razão para essa sobrevivência está na existência de um banco de desenvolvimento.

“Historicamente, vocês tiveram altas taxas de juros, que deram desvantagem competitiva, que vocês têm que superar com empreendedorismo e inovação. A pergunta é onde estaria se tivesse Writing Studio uro continua passando para o futuro. Os tempos têm sido difíceis nos últimos anos. […] O clima intelectual hoje é bem diferente. A nova administração no Brasil está iniciando esse debate de forma relevante e em momento interessante. Essa visão de que precisa de reforma institucional”, disse o economista.

Stiglitz voltou a criticar o atual patamar de juros no Brasil e minimizou o uso da inflação como justificativa. “A pergunta é: há justificativa para os juros altos? No mundo como um todo, tudo se refere à questão da inflação. Mas qual é a fonte da inflação?”, questionou.

Stiglitz citou o baixo do crescimento da economia brasileira. No caso do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, segundo ele, o aumento médio entre 2010 e 2021 foi de 0,53%, enquanto esse ritmo foi de 4% entre países de renda média e alta e de 1,4% entre países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). “É um desempenho destacadamente fraco. Não quero criticar vocês, mas especialmente nos últimos anos o presidente [Jair Bolsonaro] não foi realmente indutor de crescimento econômico”, afirmou.

Citando o exemplo dos Estados Unidos, ele mencionou questões de oferta ligadas à pandemia e à guerra, disrupções nas cadeias de fornecedores, preços de petróleo, gás, comida e de habitação. “Aumentar os juros é contraprodutivo. […] Aumentar taxas de juros não resolve nenhum desses problemas, só os torna mais graves”, afirmou.

Há divisão entre economistas de diferentes correntes e empresários no país sobre a capacidade de o Banco Central reduzir as taxas de juros, que pela Selic está atualmente em 13,75% ao ano, sem riscos.

Há cautela em relação ao comportamento da inflação, que, a despeito dos menores resultados em 12 meses, ainda mantém focos de pressão. Além disso, a situação fiscal do país é outra das preocupações dos economistas que são contra a redução dos juros, diante do risco de uma percepção de aumento de desequilíbrio fiscal.

Com informações da Valor Econômico.

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