Terça Feira 09:05h - Exames comprovaram que motorista da carreta, envolvida no acidente que matou 23 pessoas em Guarapari, usou cocaína e rebite

04 de julho de 2017 · Adilson Ribeiro · Notícias em Geral

Além disso, a perícia criminal descobriu que as características do caminhão foram adulteradas

Exames toxicológicos comprovaram que o motorista da carreta envolvida no maior acidente da história nas rodovias do Espírito Santo, Nadson Santos Silva, de 30 anos, usou cocaína e a anfetamina arrebite, horas antes de colidir contra o ônibus da Águia Branca. Vinte e três pessoas morreram.

"Apesar de haver benzocaína, metabólico da cocaína, no organismo do motorista, ele não estava sob efeito da droga no momento do acidente. Ele usou a cocaína provavelmente cerca de 12 horas antes de viajar. Já o uso do rebite ocorreu logo antes de viajar. O grande risco dessa anfetamina é que ela tira o reflexo do motorista e, apesar de tirar o sono por um tempo, depois que o efeito passa, ele volta a ter uma sonolência intensa, podendo até dormir no volante", explicou o perito toxicológico Rafael Barcellos Bazarella.

 

> Carreta tinha 35 infrações, diz PRF

Além disso, a perícia criminal descobriu que as características do caminhão foram adulteradas. De acordo com o perito criminal Marcus Bhering Bragança, o caminhão não tinha qualquer condição de fazer o transporte de carga.

"Os freios e pneus estavam em más condições e havia excesso de carga. Ainda não há como dizer que estava em alta velocidade porque o disco do tacógrafo foi retirado pela PRF antes da chegada da perícia. Mas já sabemos que o aparelho não estava registrado e não tinha selos necessários ou para burlar a fiscalização ou por falta de manutenção".

Para o delegado Alberto Roque Peres, titular da Delegacia de Delitos de Trânsito, o excesso de trabalho do motorista aliado às más condições dos caminhões usados pela transportadora só confirmam o fato de que o dono da empresa teve responsabilidade no acidente.

"Convicção continua na mesma linha de que a negligência foi muito forte, de total desprezo à vida humana, o que caracteriza em dolo eventual. No sábado os últimos corpos foram liberados. Estamos ouvindo sobreviventes e quatro delas já representaram criminalmente o dono da transportadona".

O delegado completou que a polícia já está perto de identificar o dono da pedra que era transportada. Ele também irá responder civil e administrativamente pelo acidente, podendo responder também criminalmente.

Fonte: Gazeta Online

 

ENTENDA:




Sábado 13:36h – Acidente que causou a morte de 23 pessoas pode resultar ainda em 30 anos prisão ao responsável pela carreta






Carreta viajava de madrugada para evitar fiscalizações, diz polícia

O dono da empresa de transportes, Jacymar Pretti, foi preso e, se condenado, pode pegar até 30 anos de prisão

Para a Polícia Civil, o proprietário da empresa Jamarle Transportes, Jacymar Pretti, de 63 anos, responsável pela carreta que se envolveu no acidente na BR 101, em Guarapari, sabia das irregularidades no caminhão e na carga. O delegado titular da Delegacia de Delitos de Trânsito, Alberto Roque, autuou o empresário por homicídio doloso por dolo eventual – quando há a intenção de matar e responsável não se importa com o resultado e com os riscos de suas ações.

Segundo Roque, a empresa escolheu fazer a viagem durante a madrugada com o propósito de evitar possíveis fiscalizações, já que a carga estava acima do peso permitido. Dessa forma, Jacymar tinha consciência de que prestava serviço com o caminhão em situação irregular.

Além do peso extra, os pneus da carreta estavam carecas e o veículo apresentava problemas mecânicos. Se condenado, Jacymar poderá cumprir a pena máxima de 30 anos de prisão.

Motorista da carreta estava sem descanso

A esposa de Nadson Santos Silva, que era o motorista do caminhão, contou em depoimento para polícia que o marido estava há uma semana trabalhando direto, sem descanso. Ainda segundo a mulher, o motorista virava noites na estrada e estava sob efeito de arrebite – substância muito utilizada por caminhoneiros para ficarem acordados.
no acidente na BR 101, em Guarapari, sabia das irregularidades no caminhão e na carga. O delegado titular da Delegacia de Delitos de Trânsito, Alberto Roque, autuou o empresário por homicídio doloso por dolo eventual – quando há a intenção de matar e responsável não se importa com o resultado e com os riscos de suas ações.

Segundo Roque, a empresa escolheu fazer a viagem durante a madrugada com o propósito de evitar possíveis fiscalizações, já que a carga estava acima do peso permitido. Dessa forma, Jacymar tinha consciência de que prestava serviço com o caminhão em situação irregular.

Além do peso extra, os pneus da carreta estavam carecas e o veículo apresentava problemas mecânicos. Se condenado, Jacymar poderá cumprir a pena máxima de 30 anos de prisão.

Motorista da carreta estava sem descanso

A esposa de Nadson Santos Silva, que era o motorista do caminhão, contou em depoimento para polícia que o marido estava há uma semana trabalhando direto, sem descanso. Ainda segundo a mulher, o motorista virava noites na estrada e estava sob efeito de arrebite – substância muito utilizada por caminhoneiros para ficarem acordados.

A polícia informou que está em busca do irmão de Jacymar, que era sócio da empresa Jamarle Transportes. De acordo com o delegado, ele também pode ser responsabilizado pelo crime.

O dono da pedra que estava sendo carregada pela carreta ainda não foi localizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele está sendo procurado e também pode ser responsabilizado pelas 22 mortes, assim como os donos da empresa.

Prisão

O titular da Delegacia de Delitos de Trânsito informou que a prisão de Jacymar foi em flagrante por não ter sido considerada como apresentação espontânea. Os policiais conseguiram o contato do acusado por meio de um funcionário da empresa. Assim, Jacymar foi convocado a se apresentar, caso contrário seria localizado pela polícia.

O perito criminal Marcus Vinicius Bhering Bragança esclareceu que um conjunto de fatores podem ter provocado o acidente como as condições dos pneus da carreta, o estado psíquico do caminhoneiro e a velocidade que o veículo estava na hora do acidente. O laudo que confirmará a causa do acidente só fica pronto em 30 dias.

Jacymar ainda vai prestar depoimento na noite desta sexta-feira (23) na Delegacia de Delitos de Trânsito e depois será encaminhado para o presídio.

Fonte: Gazeta Online

 



RELEMBRE:



Quinta Feira 09:15h – Acidente envolvendo carreta, ônibus e duas ambulâncias deixa vários mortos carbonizados em Guarapari