Quarta-feira - 12:50 - Pastor molestou, agrediu e matou crianças carbonizadas em Linhares, diz polícia. Click na foto e veja a matéria completa

23 de maio de 2018 · Denny Cacciatore · Notícias em Geral

A informação foi confirmada durante entrevista coletiva, que acontece na manhã desta quarta-feira (23)

Depois de mais de 30 dias da morte dos irmãos Joaquim Alves Sales, de 3 anos, e Kauan Sales Butkovsky, de 6, o silêncio e o mistério sobre as investigações finalmente foi encerrado. A Polícia Civil informou que concluiu que o pastor Georgeval Alves abusou sexualmente e matou filho e enteado em Linhares.

Antes de passar a palavra para os responsáveis pela investigação, o secretário de Estado de Segurança Pública, Nylton Rodrigues, deu a seguinte declaração: "As investigações e os laudos são esclarecedores, definitivos e inegáveis. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público, ao poder judiciário para que a Justiça seja aplicada".

Depois de mais de 30 dias da morte dos irmãos Joaquim Alves Sales, de 3 anos, e Kauan Sales Butkovsky, de 6, o silêncio e o mistério sobre as investigações finalmente foi encerrado. A Polícia Civil informou que concluiu que o pastor Georgeval Alves abusou sexualmente e matou filho e enteado em Linhares.

Antes de passar a palavra para os responsáveis pela investigação, o secretário de Estado de Segurança Pública, Nylton Rodrigues, deu a seguinte declaração: "As investigações e os laudos são esclarecedores, definitivos e inegáveis. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público, ao poder judiciário para que a Justiça seja aplicada".

De acordo com o chefe da Regional de Linhares, André Jaretta, as investigações apontaram ainda que as crianças morreram carbonizadas e que o fogo foi ateado no quarto onde elas estavam quando ainda estavam vivas.

"Inicialmente, todos nós acreditávamos que poderia ser acidental. Quando se teve o primeiro contato com o indiciado, notou-se que a versão apresentada por ele era incompatível com a experiência do Corpo de Bombeiros com este tipo de incêndio", afirmou o Jaretta.

Após notar também que as lesões apresentadas pelo pastor George eram incompatíveis com o c ças, o pastor George teve a prisão decretada. De acordo com informações passadas por um investigador da Superintendência da Polícia Regional Norte (SPRN), o juiz expediu uma liminar com base no resultado dos exames de perícia e o pastor foi encaminhado para a 16ª Delegacia Regional de Linhares. Na ocasião, a Polícia Civil informou, por meio de nota, que a prisão de Georgeval Alves Gonçalves foi requerida para preservar o bom andamento das investigações. Ele foi colocado em uma cela isolada do Centro de Detenção Provisória de Viana.

No mesmo dia da prisão, a perícia realizada na casa encontrou vestígios de material biológico. A confirmação partiu do presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol), Jorge Emilio Leal, que informou que o material ainda demanda exame laboratorial.

Foi então que diversos detalhes da vida de George Alves começaram a aparecer. Antes de ser líder de uma igreja Batista de Linhares, o pastor era responsável por administrar um salão de beleza em São Paulo. Em publicações mais antigas nas redes sociais, o pastor mostra alguns dos trabalhos feitos. Alguns, inclusive, com a atual esposa, Juliana Salles, mãe dos meninos Joaquim e Kauã.

Dando continuidade às investigações, os médicos legistas do DML de Vitória retiraram amostras de urina, sangue e de órgãos vitais dos irmãos Joaquim e Kauan. O material foi enviado para análise e os exames podem apontar se eles foram dopados ou agredidos antes de serem carbonizados.

Após 11 dias do caso, foi realizada a perícia na casa, quando foi coletado material genético dentro do quarto onde os dois irmãos morreram. A coleta desse material é necessária para esclarecer etapa por etapa o que aconteceu antes e durante o incêndio na casa.

Foi neste mesmo dia que um grupo formado por cinco advogados de Minas Gerais e do Espírito Santo se voluntariou para defender o pastor George Alves. Na ocasião, Rodrigo Duarte, um dos advogados, que também é pastor e vice-presidente da Igreja Batista Ministério Vida e Paz, onde George ministra cultos, disse à reportagem da Rede Vitória que ainda não tinha tido acesso ao inquérito policial sobre o caso.

No dia 3 de maio, 12 dias após a morte, a pastora Juliana Salles, mãe dos irmãos prestou depoimento na 16ª Delegacia Regional de Linhares, por cerca de quatro horas. Por volta de 11h40, ela deixou a delegacia em uma viatura descaracterizada, sem falar com a imprensa.

O mesmo material utilizado em uma das perícias realizadas na casa onde ocorreu o incêndio também foi aplicado no carro que era utilizado pelo pastor George. O veículo foi submetido à uma nova etapa da perícia da Polícia Civil. O uso do luminol pode permitir a identificação de vestígios, como marcas de sangue.

Na última sexta-feira (4), peritos e militares do Corpo de Bombeiros se reuniram com o delegado responsável pelo caso dos irmãos.Também participaram da reunião o chefe do DML de Vitória, Vanderson Lugão, e o comandante do Corpo de Bombeiros de Linhares, Tenente Coronel Ferrari. O assunto da reunião não foi divulgado.

Na semana seguinte, uma nova pista que pode ajudar na investigação começou a aparecer. Um prontuário médico do pastor George Alves, realizado por um hospital de Linhares (HGL) horas depois do incêndio que teria provocado a morte dos irmãos não relata nenhuma tipo de queimadura. O documento foi divulgado pelo jornal online Norte Notícias e confirmado pela Prefeitura de Linhares ao jornal online Folha Vitória.

Depois do incêndio, o pai de Joaquim e padrasto de Kauã teria procurado atendimento no hospital por volta das 6 horas. As informações contidas na ficha de atendimento constam abalo emocional, mas não queimaduras.

Na ficha está escrito que, no hospital, o pastor relatou o que tinha acontecido, que estava em choque e que tinha inalado fumaça. A ficha revela que não foram feitos exames e o pastor foi liberado. Já os exames feitos na investigação policial apontaram uma pequena bolha em um dos pés.

O laudo dos exames de DNA nos corpos dos irmãos foi concluído no dia 07 de maio. De acordo com a Polícia Civil, os corpos foram identificados e já estão à disposição da família. No entanto, o caso segue sob segredo de Justiça, com acompanhamento do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).


Por ocasião do sepultamento dos corpos, um especialista chegou a afirmar o pastor George teria o direito de deixar a prisão para acompanhar a cerimônia. No entanto, ele não foi liberado e não participou do enterro das crianças, que aconteceu em Linhares.

Na declaração de óbito das crianças, a causa da morte foi apontada como indeterminada. De acordo com médicos especialistas neste tipo de ocorrência, apontar a causa de morte como indeterminada é comum e acontece na maioria das vezes quando a pessoa tem o corpo carbonizados. O fato ocorre porque há dificuldade do trabalho de necropsia para os médicos legistas identificarem a causa da morte.


Na última quinta-feira (17), a Polícia Civil do Estado (PCES) confirmou que trabalhava com a linha de investigação de homicídio na morte dos irmãos. A informação foi confirmada pelo delegado da 16ª Delegacia Regional de Linhares André Costa, que pediu prorrogação de 30 dias na prisão temporária de George Alves, pai e padrasto das crianças.


Dando continuidade às investigações, Rainy Butkovsky, de 31 anos, pai de Kauã, de 6 anos, foi chamado para depor na manhã desta segunda-feira (21), na Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) da Serra. Ele ficou por cerca de 30 minutos prestando depoimento. Por volta de 12h05, Rainy saiu da delegacia e não quis falar com a imprensa.

Um mês após a morte dos irmãos Joaquim e Kauã, populares se reuniram na em frente à residência onde, no dia 21 de Abril, os irmãos morreram. O encontro foi marcado por integrantes de grupos das redes sociais, como WhatsApp e Facebook.


Nesta quarta-feira (23), a informação é de que foi prorrogada por mais 30 dias a prisão temporária do pastor George Alves, pai de Joaquim e padrasto de Kauã, mortos em Linhares.


Fonte: Folha Vitória