DF - Quinta Feira - 15:30 - Cadela que teve 95% do corpo queimado morre 21 dias após resgate. Clique na foto abaixo e veja mais
Animal estava à espera de seis filhotes, mas nenhum sobreviveu. Tratamento foi pago com doações arrecadadas pela internet
A cadela Vida, resgatada após ter 95% do corpo queimado em um incêndio no Distrito Federal, morreu nessa quarta-feira (1/8). A cachorrinha foi encontrada, em 11 de julho, prenhe e recebeu tratamento com dinheiro arrecadado em campanha na internet. Os seis filhotes também não sobreviveram.Com idade aproximada de três anos, Vida foi encontrada depois que o barraco de uma ocupação no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) pegou fogo. O animal também tinha sinais antigos de maus tratos, como uma orelha arrancada.
“É doloroso não tê-la mais. A gente queria que ela vivesse e conhecesse o lado bom da vida, mas não teve jeito. É confortante porque ela descansou”, diz Marília Rocha, estudante de medicina veterinária e responsável pelos cuidados.
Em 23 de julho, a cachorrinha precisou ser internada em uma clínica veterinária. No dia seguinte, foi submetida a uma cesariana, mas três filhotes nasceram mortos e os outros três morreram poucas horas depois. Marília explica que o quadro clínico da cadela piorou após a cirurgia.
“No início do tratamento, a Vida estava respondendo bem e evoluindo muito rápido, mas as complicações sistêmicas começaram a aparecer. A infecção subiu muito e ela parou de responder. Foram feitas três transfusões de sangue, o baço aumentou bastante e não foi possível fazer mais nada. A gente tentou de tudo”.
Dinheiro será destinado a outros animais
Do dinheiro arrecadado, cerca de R$ 17 mil, parte foi usado para tentar salvar a cadela. Segundo Marília, foi necessário pagar por medicações caras, além das consultas e das transfusões.“Cada uma das três bolsas de sangue utilizadas custou R$ 700. Só nos últimos dias, foram gastos quase R$ 8 mil”, relata.
A estudante afirma que o restante da arrecadação será destinado a ajudar outros animais. Um deles é o cachorro Valente, resgatado no último sábado (27/7). O cão está em tratamento de erliquiose, conhecida como doença do carrapato. “O Valente estava convulsionando na rua, não conseguia ficar em pé. Uma moça compartilhou no grupo de resgate e resolvemos ajudar”, diz Marília.
Apesar de ter sido fundamental para dar continuidade ao tratamento da Vida, a estudante diz que a campanha na internet também trouxe transtornos para os envolvidos. Ela revela ter recebido críticas em relação aos cuidados com o animal.
“A história da Vida mostrou que há muitas pessoas boas querendo ajudar, mas também revelou que existem outras que só querem julgar e atacar. Nem todo mundo entende o real sentido da doação e, às vezes, quem doa se acha no direito de tomar as decisões. Eu fiquei exausta e muito abalada”, desabafa a estudante.
Dedicação
Marília tem 25 anos de idade e cuida de cinco animais resgatados em casa: os gatos Bartolomeu, Fred e Inhuno, e os cachorros Bento e Tequila. Para ficar ao lado da Vida, a estudante explica ter sido necessário mudar a própria rotina.
“Eu parei de ir à faculdade porqu evitar problemas.”
https://youtu.be/uUTE1_PznJc
