Domingo - 12:35 - Representante Rastafári dissemina ideologia pelo estado. Click na foto e veja a matéria completa
Reuniões são feitas no Sana desde 1980 para perpetuar a filosofia de vida e atrair mais adeptos
O movimento, que cresceu na Jamaica e se propagou pelo mundo nas letras de Bob Marley, é disseminado discretamente por ele em Sana, na Serra de Macaé, no Norte Fluminense
Lá, ele perpetua ensinamentos de sua crença, que vê no último imperador da Etiópia, Haile Selassie ou Hailé Selassié I (1892-1975), batizado como Tafari Makonnen e, posteriormente, Rás Tafari, como a encarnação de Jah (Deus).
"Estamos de pé, mas entrando com as novas tecnologias, em outra era, a digital, em conexão instantânea com o mundo inteiro, sobretudo Etiópia, Moçambique e Angola. Passamos a primar pela qualidade e não quantidade de seguidores, pela abertura em relação a alguns preceitos, que antes entendíamos como certos", afirma Jorge, o 'Paizão' entre os menos de mil "rastas raízes" que ele calcula ter espalhados pela região; por Santa Teresa, no Rio; em Mesquita e Nilópolis, na Baixada Fluminense, e em Niterói.
Em sua propriedade, que chama de tabernáculo, Jorge recebe entusiastas de mudanças. "Temos que desmis artista plástico da empresa Telas Cariocas, Robson da Silva Costa, de 39 anos, vê com expectativa a possibilidade de novos tempos da doutrina Rastafári. Católico, ele usa dreadlock (ou lock-dread, rasta ou simplesmete dread, um penteado na forma de mechas emaranhadas, ou uma forma de se manter os cabelos, que se tornou famosa com o movimento Rastafári) e revela que só não se entregou à religião originada na Etiópia, por conta dos "radicalismos".
"Essa história de não poder fazer tatuagens, tomar uma cervejinha, e não consumir carne, não me agrada", justifica Robson, elogiando, porém, a disciplina dos 'rastas' e a permacultura (planejamento e execução de ocupações humanas sustentáveis, unindo práticas ancestrais aos modernos conhecimentos das áreas, principalmente, de ciências agrárias, engenharias, arquitetura e ciências sociais, todas abordadas sob a ótica da ecologia).
"Fico feliz em saber que há novos ares de flexibilidade. A filosofia Rastafári é maravilhosa, voltada para o puro, para o humano, para o sagrado. Faltam mais informações corretas sobre a religião. Conheci Jorge Makandal e fiquei extremamente impressionado com a sabedoria dele", diz Robson.
Jorge Makandal, por sua vez, lembra que, como o velho ditado diz, "tudo é permitido, mas nem tudo convém" ao ser humano. "Justamente por sermos seres, filhos de um único Deus, e não raças, como bichos. Nosso alimento deve ser o mais puro possível. Mas quem quiser se intoxicar com qualquer tipo de substância ou alimento, a decisão individual. Sem essa se proibir. Cada um tem a sua consciência perante ao sagrado", comenta, lembrando que os capoeiristas são um dos principais símbolos da força e resistência Rastafári no Brasil.
Fonte: O Dia
