Domingo - 9:45 - Erros e falhas em hospitais causam 6 mortes por hora segundo pesquisa. Click na foto e veja a matéria completa
Entre os eventos adversos graves identificados com mais frequência estão infecção generalizada
A cada uma hora, seis pessoas morrem por “eventos adversos graves”, ocasionados por erros, falhas assistenciais ou processuais ou infecções em hospitais brasileiros. Desses óbitos, quatro poderiam ser evitados com a realização dos procedimentos corretos. Os números se aproximam das estatísticas da violência: sete mortes intencionais por hora, segundo o Anuário Brasileiro de Violência Pública, divulgado no último dia 9, no Fórum Brasileiro de Segurança Pública.Já o 2º Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar, feito pelo Instituto de Pesquisa da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (Feluma) e pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), analisou dados de 182 hospitais públicos celular, enquanto a mãe esperava atendimento. Irene morreu horas depois.
Renato Couto, professor da Feluma, diz, no entanto, que o objetivo do Anuário não é buscar culpados, mas propor medidas que enfrentem o problema. “Os eventos adversos são inerentes a qualquer serviço de saúde, mesmo nos melhores”, disse, em nota.
Entre os eventos adversos graves identificados com mais frequência estão infecção generalizada, pneumonia, infecção do trato urinário, infecção no local da cirurgia, complicações com acessos, dispositivos vasculares e outros dispositivos invasivos, escaras, erro no uso de medicamentos e complicações cirúrgicas, como hemorragia e laceração.
Segundo Luiz Augusto Carneiro, superintendente executivo do IESS, os hospitais analisados são considerados “de primeira linha”, o que pode ter gerado dados subestimados:
— É possível que ainda mais brasileiros morram por eventos adversos.
Erros e falhas no atendimento prolongam internações e aumentam custos. Segundo Renato Couto, considerando o período normal de internação para pacientes que não passaram por eventos adversos — seis dias no SUS e 3,5 dias na rede privada —, se não fossem essas falhas, seria possível atender mais 7,7 milhões de pacientes sem aumentar os gastos ou ampliar a rede.
Para Carneiro, o modelo de remuneração adotado no Brasil acaba premiando as piores instituições de saúde. “Nos Estados Unidos, o governo não paga, desde 2008, pelos gastos gerados por 14 tipos de eventos adversos”.
Fonte: Extra