Três líderes de um centro religioso na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, foram indiciados pela Polícia Civil e denunciados pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) por abusarem sexualmente de seguidores em rituais de "iniciação tântrica". De acordo com a denúncia, Marcelo Antonio Marques Prazeres, Leonardo Campello Ribeiro e Jayson Garrido de Oliveira - respectivamente presidente, vice-presidente e médium ativo do Centro Espiritualista Semeadores da Luz (CESL) - simulavam incorporar entidades e usavam de sua posição para manter relações sexuais com homens e mulheres que frequentavam o local. Um deles teria abusado de uma adolescente de 15 anos, em sua própria casa, alegando estar sendo possuído por "Exu Caveira" em um ritual chamado por ele de "magia vermelha".
A denúncia do MP trata Marcelo e Leonardo como "pessoas inteligentes, com profundos conhecimentos religiosos a ainda que Leonardo, vice-presidente, sabia dos abusos e não os impediu, inclusive incentivando as vítimas a obedecerem à vontade de Marcelo. Ele também é denunciado por praticar atos sexuais com fiéis, afirmando que uma entidade havia determinado. Leonardo foi denunciado ainda por fingir ser psicólogo e exercer irregularmente a profissão ao menos 67 vezes com diferentes vítimas, cobrando pelas sessões realizadas em um consultório dentro do próprio centro - ele chegou a ter um filho com uma das vítimas, segundo o documento. Em um dos depoimentos à polícia, uma suposta vítima, que trabalhava como secretária no centro, afirma que Leonardo uma vez afirmou que seu problema de insônia era causado por abstinência sexual.
O terceiro denunciado, Jayson, médium antigo do CESL, teria abusado pelo menos de duas vítimas – uma delas com 15 anos. De acordo com a investigação do Ministério Público, ele convencia as supostas vítimas a praticar de maneira sigilosa a chamada “magia vermelha”, que resolveria os problemas emocionais e materiais delas. Durante esses rituais, teria beijado à força a boca e passado a mão nas partes íntimas de uma suposta vítima, na época menor de idade. Ela conta no documento que ele foi à sua casa, dizendo estar possuído por "Exu Caveira"
O trio foi denunciado no artigo 215 (violação sexual mediante fraude), com pena prevista de reclusão de 2 a 6 anos, e no artigo 171 (estelionato), com pena de 1 a 5 anos, ambos do código penal.
A Polícia Civil afirmou que "a 37ª DP (Ilha do Governador) concluiu o inquérito policial e indiciou os envolvidos no crime, após a oitiva de cerca de 25 pessoas".
A reportagem tentou entrar em contato diversas vezes com o Centro Espiritualista Semeadores da Luz (CESL), sem sucesso.
Fonte: Extra