Quarta-feira - 9:50 - Militares usam navios de guerra em operação em favela à beira da baía de Guanabara. Click na foto e veja a matéria completa

29 de agosto de 2018 · Denny Cacciatore · Notícias em Geral

  • Cerca de 2.800 militares participam da operação no complexo de favelas do Salgueiro
Agentes das Forças Armadas foram recebidos a tiros no início de uma operação realizada na manhã desta quarta-feira (29) no que é considerada a principal base da facção criminosa Comando Vermelho na região metropolitana do Rio, o complexo de favelas do Salgueiro, situado em São Gonçalo, à beira da baía de Guanabara. Pelo menos um suspeito morreu, segundo fontes militares.

A ação desta quarta-feira envolve cerca 2.800 combatentes, dois navios de guerra, blindados terrestres e helicópteros e abrange uma área habitada por cerca de 1 milhão de pessoas, segundo estimativa da intervenção federal.

De acordo com militares, o suspeito morto atacou a tropa com uma arma de fogo, foi ferido em troca de tiros e levado para o hospital, mas não resistiu. O nome do suspeito não foi divulgado.

A operação ocorre quatro dias após as Forças Armadas deixarem o Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, considerado o quartel-general da facção no estado. Lá, oito pessoas morreram (três militares e cinco suspeitos) e abrangeu também os complexos de favelas da Penha e da Maré.

A ação de hoje começou no fim da madrugada. Militares do 1º Distrito Naval usaram uma força-tarefa naval composta por dois navios de guerra, 11 embarcações menores (entre elas uma lancha blindada tripulada por forças especiais), 300 militares e 12 policiais federais para cercar uma região de 61 quilômetros quadrados da baía de Guanabara.

O objetivo é evitar que membros do crime organizado fugissem em pequenos barcos e jet skis de uma operação terrestre lançada simultaneamente no complexo de favelas. Segundo o Comando Conjunto, uma força formada por 2.520 militares, blindados e veículos de transporte de tropas ocupou toda a região.

Agentes da PF estão dentro dos navios para inspecionar embarcações suspeitas.

Diferentemente de ações anteriores, a operação desta quarta-feira tem núcleos de comando específicos do Exército e da Marinha, que agem de forma integrada. Isso aconteceu porque a intervenção federal pediu ajuda à Marinha para usar uma quantidade maior de embarcações em relação ao que os interventores já possuíam.

A região de São Gonçalo é uma das mais violentas do estado do Rio. Ela está na região administrativa da Polícia Militar (AISP 7) que registrou o terceiro maior número de homicídios em 2017 (406), atrás apenas de Nova Iguaçu (544) e Duque de Caxias (468), segundo dados do Instituto de Segurança Pública. Em relação a roubos de veículos, foi a área recordista do Rio de Janeiro, com 6.195 casos em um ano.

Moradores defendem ação, mas dizem que não resolve o problema


"Como comerciante é ruim porque cai muito o movimento em dia de operação, mas como cidadã assino embaixo. É todo dia criminoso passando aqui armado, a situação está muito ruim", disse a dona de uma banca de jornais que pediu para não ter o nome revelado.

Militares estão realizando revistas de carros de moradora nos principais acessos da favela.

"Esse tipo de operação ajuda o bairro, mas atrapalha um pouco a nossa vida também. Fiquei parado para passar pela blitz, e agora estou atrasado para o trabalho. No fim, é uma coisa boa, ajuda, mas não resolve o problema", disse outro morador.

Crimes na baía de Guanabara


Investigações da Polícia Civil mostraram que as principais facções criminosas do Rio vêm usando a baía de Guanabara como rota para fugir de uma favela para outra durante operações policiais.

As águas da baía também têm sido usadas para transportar armas e drogas entre favelas controladas por uma mesma facção, segundo o delegado da Polícia Civil Marcos Amim. O Comando Vermelho, por exemplo, controla o Salgueiro, em São Gonçalo e parte da Maré, na zona norte do Rio --ambas favelas que ficam à margem da baía de Guanabara.

A Marinha está desenvolvendo um sistema de monitoramento da baía formado por radares e sensores que acionam forças especiais para abordar embarcações suspeitas e reprimir essa modalidade de crime. As Forças Armadas já haviam realizado grandes operações em São Gonçalo (no Complexo do Salgueiro e no vizinho Jardim Catarina) ao menos duas vezes desde o início da intervenção federal em fevereiro.

Em ambas as ações, em março e em julho, os militares foram recebidos a tiros por membros do Comando Vermelho. Além disso, a região vinha sendo alvo de patrulhamento constante dos militares desde julho.

São Gonçalo foi uma das áreas do Rio onde as Forças Armadas mais se envolveram em tiroteios durante a intervenção (quase 10 episódios), perdendo apenas para a Praça Seca (que teve quase 15 tiroteios).

Até agora foram realizadas cerca de 20 operações de "cerco e investimento", as ações ostensivas das Forças Armadas em áreas dominadas pelo crime organizado.

O Comando Conjunto também está divulgando canais para que a população possa fazer denúncias anônimas. Eles são o telefone 21 2253-1177  e o e-mail ouvidoria.intervencao@cml.eb.mil.br.

Outras operações


Em paralelo à ação em São Gonçalo, a Polícia Militar está realizando ao menos duas outras grandes operações cont e jet skis de uma operação terrestre lançada simultaneamente no complexo de favelas. Segundo o Comando Conjunto, uma força formada por 2.520 militares, blindados e veículos de transporte de tropas ocupou toda a região.

Agentes da PF estão dentro dos navios para inspecionar embarcações suspeitas.

Diferentemente de ações anteriores, a operação desta quarta-feira tem núcleos de comando específicos do Exército e da Marinha, que agem de forma integrada. Isso aconteceu porque a intervenção federal pediu ajuda à Marinha para usar uma quantidade maior de embarcações em relação ao que os interventores já possuíam.

A região de São Gonçalo é uma das mais violentas do estado do Rio. Ela está na região administrativa da Polícia Militar (AISP 7) que registrou o terceiro maior número de homicídios em 2017 (406), atrás apenas de Nova Iguaçu (544) e Duque de Caxias (468), segundo dados do Instituto de Segurança Pública. Em relação a roubos de veículos, foi a área recordista do Rio de Janeiro, com 6.195 casos em um ano.

Moradores defendem ação, mas dizem que não resolve o problema


"Como comerciante é ruim porque cai muito o movimento em dia de operação, mas como cidadã assino embaixo. É todo dia criminoso passando aqui armado, a situação está muito ruim", disse a dona de uma banca de jornais que pediu para não ter o nome revelado.

Militares estão realizando revistas de carros de moradora nos principais acessos da favela.

"Esse tipo de operação ajuda o bairro, mas atrapalha um pouco a nossa vida também. Fiquei parado para passar pela blitz, e agora estou atrasado para o trabalho. No fim, é uma coisa boa, ajuda, mas não resolve o problema", disse outro morador.

Crimes na baía de Guanabara


Investigações da Polícia Civil mostraram que as principais facções criminosas do Rio vêm usando a baía de Guanabara como rota para fugir de uma favela para outra durante operações policiais.

As águas da baía também têm sido usadas para transportar armas e drogas entre favelas controladas por uma mesma facção, segundo o delegado da Polícia Civil Marcos Amim. O Comando Vermelho, por exemplo, controla o Salgueiro, em São Gonçalo e parte da Maré, na zona norte do Rio --ambas favelas que ficam à margem da baía de Guanabara.

A Marinha está desenvolvendo um sistema de monitoramento da baía formado por radares e sensores que acionam forças especiais para abordar embarcações suspeitas e reprimir essa modalidade de crime. As Forças Armadas já haviam realizado grandes operações em São Gonçalo (no Complexo do Salgueiro e no vizinho Jardim Catarina) ao menos duas vezes desde o início da intervenção federal em fevereiro.

Em ambas as ações, em março e em julho, os militares foram recebidos a tiros por membros do Comando Vermelho. Além disso, a região vinha sendo alvo de patrulhamento constante dos militares desde julho.

São Gonçalo foi uma das áreas do Rio onde as Forças Armadas mais se envolveram em tiroteios durante a intervenção (quase 10 episódios), perdendo apenas para a Praça Seca (que teve quase 15 tiroteios).

Até agora foram realizadas cerca de 20 operações de "cerco e investimento", as ações ostensivas das Forças Armadas em áreas dominadas pelo crime organizado.

O Comando Conjunto também está divulgando canais para que a população possa fazer denúncias anônimas. Eles são o telefone 21 2253-1177  e o e-mail ouvidoria.intervencao@cml.eb.mil.br.

Outras operações


Em paralelo à ação em São Gonçalo, a Polícia Militar está realizando ao menos duas outras grandes operações contra o crime organizado no Rio.

Uma delas ocorre na favela Pavão-Pavãozinho, vizinha à praia de Copacabana, zona sul, e envolve policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Moradores relataram trocas de tiros na região por volta de 5h, segundo a organização Onde Tem Tiroteio, que monitora episódios de violência na cidade. Um PM foi baleado na mão.

A outra operação da PM ocorre na Favela da Cidade de Deus, zona oeste do Rio, onde um tiroteio foi registrado por volta de 6h. Policiais do 18º Batalhão da PM dê Jacarepaguá estão na região.

Fonte: UOL