Sábado - 12:35 - Servidores públicos superendividados vão à Justiça contra bancos no DF. Click na foto e veja a matéria completa
Trabalhadores chegam a ter 100% dos salários retidos para pagamento de dívidas. Em um caso, prejuízo de PM alcançou a cifra de R$ 3,5 bi
No vermelho
Um sargento da PM da reserva, de 54 anos, também passou pelas mesmas dificuldades. O militar aposentado mora, atualmente, no terreno do cunhado, no Park Way. Com salário de cerca de R$ 8 mil, ele chegou a ter a remuneração limitada a R$ 2 mil para pagar um débito bancário que ultrapassa R$ 100 mil. “Antes do consignado, eu estava tranquilo. Depois, minha vida desmoronou”, lamentou. Ele também recorreu à Justiça para recuperar parte do salário e hoje recebe 60% do total.
Dados da Serasa Experian apontam que, na região Centro-Oeste, 32,1% dos funcionários públicos estavam inadimplentes em dezembro de 2017. Já a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Fecomércio-DF, em setembro de 2018, mostra que 78% das famílias do DF têm algum tipo de dívida, sendo o cartão de crédito o maior vilão. O crédito consignado também é listado como causador por 10% dos entrevistados.
Programa
Ao final de 2014, o Tribunal de Justiça do DF criou um programa para auxiliar a população. A juíza Caroline Lima, coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e de Cidadania Superendividados (Cejusc Super), atribui a situação ao crédito concedido de forma irresponsável e à falta de reflexão por parte do consumidor. “A sensação de segurança que o servidor tem, muito em virtude da estabilidade, não favorece a cultura da poupança”, avaliou.
Nos últimos três anos, foram realizadas 1.352 audiências de conciliação, que resultaram em 464 acordos com credores. Isso significa que 45% das demandas foram resolvidas de forma consensual. Qualquer pessoa pode se inscrever no programa da Cejusc Super, gratuitamente. O Tribunal oferece, também, atendimento psicossocial e orientação.
“Suicídio”
O consultor Jonatas Bueno, membro da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), explicou que o principal motivo de endividamento é o consumo acima do salário recebido. O especialista se coloca totalmente contra os parcelamentos e até mesmo financiamentos de bens.
“O problema é que as pessoas são permissivas, não assumem que parcelas são dívidas, mas isso engessa muito o orçamento. Compromissos de mais de 30 anos, de parcelamentos ou empréstimos, são um ‘suicídio financeiro”, disse.
Para se chegar ao superendividamento, geralmente há um caminho de erros a ser percorrido. “É muito difícil isso acontecer da noite para o dia. Em geral, as pessoas têm dificuldade para administrar o dinheiro, por isso devem procurar um especialista”, orientou Bueno.
Em dezembro de 2017, Elied Barbosa criou a Caixa Assistencial Servidores do GDF para ajudar os colegas endividados. Ela também fundou um grupo de funcionários públicos locais que se dizem reféns dos bancos. De 6 mil participantes, segundo seus cálculos, 1,8 mil servidores estão com 70% a 100% do salário comprometido com as instituições financeiras.
Fonte: MEtropoles