Sábado - 12:35 - Servidores públicos superendividados vão à Justiça contra bancos no DF. Click na foto e veja a matéria completa

15 de setembro de 2018 · Denny Cacciatore · Notícias em Geral

Trabalhadores chegam a ter 100% dos salários retidos para pagamento de dívidas. Em um caso, prejuízo de PM alcançou a cifra de R$ 3,5 bi

No vermelho
Um sargento da PM da reserva, de 54 anos, também passou pelas mesmas dificuldades. O militar aposentado mora, atualmente, no terreno do cunhado, no Park Way. Com salário de cerca de R$ 8 mil, ele chegou a ter a remuneração limitada a R$ 2 mil para pagar um débito bancário que ultrapassa R$ 100 mil. “Antes do consignado, eu estava tranquilo. Depois, minha vida desmoronou”, lamentou. Ele também recorreu à Justiça para recuperar parte do salário e hoje recebe 60% do total.

Eu fazia bicos, por fora, para pagar as contas, mas os bancos estavam comendo quase todo o meu salário. Quando era para fazer acordo, estendiam mais ainda os pagamentos. Eles não estão interessado nos clientes, apenas neles"
Sargento da PM da reserva


Dados da Serasa Experian apontam que, na região Centro-Oeste, 32,1% dos funcionários públicos estavam inadimplentes em dezembro de 2017. Já a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Fecomércio-DF, em setembro de 2018, mostra que 78% das famílias do DF têm algum tipo de dívida, sendo o cartão de crédito o maior vilão. O crédito consignado também é listado como causador por 10% dos entrevistados.

Programa
Ao final de 2014, o Tribunal de Justiça do DF criou um programa para auxiliar a população. A juíza Caroline Lima, coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e de Cidadania Superendividados (Cejusc Super), atribui a situação ao crédito concedido de forma irresponsável e à falta de reflexão por parte do consumidor. “A sensação de segurança que o servidor tem, muito em virtude da estabilidade, não favorece a cultura da poupança”, avaliou.

Nos últimos três anos, foram realizadas 1.352 audiências de conciliação, que resultaram em 464 acordos com credores. Isso significa que 45% das demandas foram resolvidas de forma consensual. Qualquer pessoa pode se inscrever no programa da Cejusc Super, gratuitamente. O Tribunal oferece, também, atendimento psicossocial e orientação.

“Suicídio”
O consultor Jonatas Bueno, membro da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), explicou que o principal motivo de endividamento é o consumo acima do salário recebido. O especialista se coloca totalmente contra os parcelamentos e até mesmo financiamentos de bens.

“O problema é que as pessoas são permissivas, não assumem que parcelas são dívidas, mas isso engessa muito o orçamento. Compromissos de mais de 30 anos, de parcelamentos ou empréstimos, são um ‘suicídio financeiro”, disse.

Para se chegar ao superendividamento, geralmente há um caminho de erros a ser percorrido. “É muito difícil isso acontecer da noite para o dia. Em geral, as pessoas têm dificuldade para administrar o dinheiro, por isso devem procurar um especialista”, orientou Bueno.

Em dezembro de 2017, Elied Barbosa criou a Caixa Assistencial Servidores do GDF para ajudar os colegas endividados. Ela também fundou um grupo de funcionários públicos locais que se dizem reféns dos bancos. De 6 mil participantes, segundo seus cálculos, 1,8 mil servidores estão com 70% a 100% do salário comprometido com as instituições financeiras.

Fonte: MEtropoles