DF - Segunda-feira - 09:15 - Professora trans troca indenização de 20 mil reais por aula de cidadania e respeito às diferenças.

17 de setembro de 2018 · Adilson Ribeiro · Notícias em Geral

Uma professora trans de Brasília deu a volta por cima com categoria. Ela trocou a indenização de R$ 20 mil que receberia na justiça, por aulas para as pessoas que a agrediam verbalmente. Sim, ela mesma foi dar aula para os cidadãos que a xingavam.

O acordo foi homologado no 6º Juizado Cível de Brasília depois que Natalha do Nascimento venceu uma ação contra a empresa onde ouvia as agressões verbais, físicas e psicológicas.

Toda vez que a professora de matemática passava em frente à pastelaria Viçosa na rodoviária do Plano Piloto, ela ouvia xingamentos dos funcionários, por conta da sua identidade de gênero.

A Pastelaria pediu desculpas à população, demitiu o suspeito de agressão e assumiu a falha nas redes sociais.

A aula

Na sexta, 24, a mulher trans ficou frente a frente com seus agressores. Desta vez, para ministrar uma palestra, na qual ensinou a eles como terem respeito por pessoas diferentes.

Acostumada a dar aulas, Natalha transformou o auditório do Fórum Desembargador José Júlio Leal Fagundes em uma sala de colégio.

Diante de 40 trabalhadores da pastelaria, a professora falou durante uma hora sobre o que eles precisavam saber para respeitar uma pessoa trans.


  • aspectos biológicos e comportamentais dos transgêneros

  • modelos sociais

  • direitos

  • auditório do Fórum Desembargador José Júlio Leal Fagundes em uma sala de colégio.

    Diante de 40 trabalhadores da pastelaria, a professora falou durante uma hora sobre o que eles precisavam saber para respeitar uma pessoa trans.


    • aspectos biológicos e comportamentais dos transgêneros

    • modelos sociais

    • direitos

    • violência aos desiguais

    • a importância das denúncias contra atos discriminatórios

    • e atendimento ao público


    Missão cumprida

    Ao encerrar a “palestra-aula”, como prefere definir o encontro, Natalha diz ter se emocionado. O sentimento, segundo ela, era de “missão cumprida”.


    Alguns alunos, com olhos marejados, foram abraçar a professora trans.


    “Me emocionei quando lembrei das minhas amigas que morreram sem nunca terem ouvido falar em ‘nome social’ ou identidade de gênero. E reconheci os avanços que, mesmo tarde, vieram”, disse ela ao G1.

    “A educação é o eixo da desconstrução da violência”, afirmou.

    A luta

    Natalha disse que enxergou o momento como uma forma de unir forças para lutar contra a discriminação e as agressões que os transgêneros enfrentam, diariamente, no Brasil.

    “Desejo que todos eles sejam felizes, sigam a vida de forma ordeira e que consigam levar esse aprendizado para a vida. Consigam ser multiplicadores da generosidade, do respeito e da desconstrução da violência dos vulneráveis.”


    O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Dados do Grupo Gay da Bahia mostram que, em 2016, 127 pessoas trans foram mortas – uma a cada 3 dias.


    A expectativa de vida delas é de 35 anos – menos da metade da média nacional, que é de 75 anos.

Fonte: Só Notícia Boa