Sexta-feira - 8:25 - Casais usam moradoras de rua como barriga de aluguel. Clique na foto abaixo e veja mais

05 de outubro de 2018 · Denny Cacciatore · Notícias em Geral

Comprar bebês recém-nascidos ou ainda em gestação e encomendar uma criança por inseminação caseira ou por via sexual – numa espécie de barriga de aluguel – são negociatas recorrentes em meio a cachimbos de crack, lixo e barracas mal-acabadas.

Numa tentativa desesperada de conseguir um filho e burlar o sistema estadual de adoção, casais da Grande Vitória estão usando moradoras de rua em situação de vício, abandono e desespero.

Negociações já chegaram às mãos do defensor público Carlos Eduardo Rios do Amaral, que atua na Vara da Infância e Juventude de Vila Velha, e foram vistas de perto pela reportagem.

Numa cracolândia em Vila Velha, negociações para comprar uma criança não causam surpresa aos moradores de rua. De imediato, uma viciada em crack indicou três mulheres para uma venda.

Em jogo, um bebê recém-nascido numa UTI Neonatal no município; outro que virá à luz em pelo menos dois meses, cuja mãe vende bala em um semáforo; e um terceiro, que ainda tem tempo de gestação pela frente, e cujo pai segue preso.

Em troca, dinheiro. Uma moradora de rua do bairro Divino Espírito Santo, que não sabia que estava sendo gravada, admitiu: “uma menina daqui já vendeu dois bebês.”

Amaral – que avalia o cenário como uma ferida gritante aos direitos humanos – revela que há casos extremos em q em Vila Velha, negociações para comprar uma criança não causam surpresa aos moradores de rua. De imediato, uma viciada em crack indicou três mulheres para uma venda.

Em jogo, um bebê recém-nascido numa UTI Neonatal no município; outro que virá à luz em pelo menos dois meses, cuja mãe vende bala em um semáforo; e um terceiro, que ainda tem tempo de gestação pela frente, e cujo pai segue preso.

Em troca, dinheiro. Uma moradora de rua do bairro Divino Espírito Santo, que não sabia que estava sendo gravada, admitiu: “uma menina daqui já vendeu dois bebês.”

Amaral – que avalia o cenário como uma ferida gritante aos direitos humanos – revela que há casos extremos em que há realmente uma relação sexual e uma das estratégias para, após usar a barriga de aluguel, destituir o poder da moradora de rua como mãe do bebê.

“Um casal gay levou a criança para casa, esperou quatro meses, registrou muitas fotos para posterior comprovação, criou o laço familiar. Na certidão, havia o nome de um dos homens e da mãe, a moradora de rua. Depois, eles entraram com uma ação de destituição do poder familiar para tirar os poderes da mãe e o nome dela da certidão, alegando que não existe uma relação de afetividade, de cuidado, justificando indigência e vícios.”

À reportagem, uma moradora de rua, acostumada com a situação, sugeriu a mesma tática: “o pai registra a criança no cartório e depois entra na Justiça para tirar o nome da mãe.”

Um homem, que a acompanhava em um acampamento de moradores de rua, também falava sobre o assunto naturalmente: “já falei para a menina que está aqui, grávida, que no cartório resolve isso.”

Fonte: tribunaonline