Segundo dados mais recentes, divulgado por um estudo do Ipea, o Brasil é o quinto país com mais desigualdade do mundo. O levantamento analisou 29 países — entre desenvolvidos e em desenvolvimento — e mostrou que a parcela mais rica da população brasileira recebe mais de 15% da renda nacional. O 1% mais rico do Brasil concentra entre 22% e 23% do total da renda do país, nível bem acima da média internacional. A proporção do total da renda recebida pelo 1% mais rico da população ficou entre 5% e 15% em 24 dos 29 países analisados, um grupo heterogêneo que inclui Holanda e Uruguai. Junto com o Brasil, onde a concentração da renda nas mãos do 1% mais rico é o dobro da média geral, estão África do Sul, Argentina, Colômbia e Estados Unidos.
O pernambucano Valdecir Henrique de Santos, de 48 anos, vive nas ruas há 18. “Desde que perdi meu emprego como vigia de condomínio no Lago Sul, tive que ir para as ruas”, explicou. Hoje, ele mora acampado em um campo próximo à 907 Norte, a poucos metros de uma universidade particular de elite. “Eu trabalhava no lixão da Estrutural. Quando fechou, vim para a Asa Norte. Tem muita gente rica aqui. Conseguimos doações e pego muito lixo para reciclar e trocar em dinheiro”, explicou. Ele lamenta a dificuldade de achar emprego. “Nunca tem vaga, nunca tem espaço para a gente”, reclamou.
“Vizinho” de Valdecir, Jeferson Matos da Silva, de 22 anos, também se encontra em situação de rua. Com machucados nas mãos e nas pernas, ele cata papelão, latinhas e tudo que pode reciclar. “É com isso que eu vivo. Sobra muito pouco para mim, porque também pago pensão para as minhas três filhas que moram com a minha ex-mulher”, contou. A vontade dele é ter uma casa fixa para morar, onde ele possa construir uma nova família. “Aquela família, eu já perdi. Agora é tentar de novo. Já entreguei mais de 100 currículos, mas, até agora, nada”, disse.
O pesquisador Marcelo Neri, da FGV Social, afirma que, para conter a desigualdade, é preciso que o país invista em igualdade de possibilidades — não apenas em transferir renda, mas em políticas ligadas ao trabalho, à saúde e à educação. “O Bolsa Família custa apenas 0,5% do PIB do país, enquanto a Previdência custa 13%. Nos últimos 30 anos, o Brasil fez muito em termos de pobreza e extrema pobreza, mas voltou a aumentar a partir de 2014”, apontou.
Segundo Neri, além de projet os do 1% mais rico é o dobro da média geral, estão África do Sul, Argentina, Colômbia e Estados Unidos.
O pernambucano Valdecir Henrique de Santos, de 48 anos, vive nas ruas há 18. “Desde que perdi meu emprego como vigia de condomínio no Lago Sul, tive que ir para as ruas”, explicou. Hoje, ele mora acampado em um campo próximo à 907 Norte, a poucos metros de uma universidade particular de elite. “Eu trabalhava no lixão da Estrutural. Quando fechou, vim para a Asa Norte. Tem muita gente rica aqui. Conseguimos doações e pego muito lixo para reciclar e trocar em dinheiro”, explicou. Ele lamenta a dificuldade de achar emprego. “Nunca tem vaga, nunca tem espaço para a gente”, reclamou.
“Vizinho” de Valdecir, Jeferson Matos da Silva, de 22 anos, também se encontra em situação de rua. Com machucados nas mãos e nas pernas, ele cata papelão, latinhas e tudo que pode reciclar. “É com isso que eu vivo. Sobra muito pouco para mim, porque também pago pensão para as minhas três filhas que moram com a minha ex-mulher”, contou. A vontade dele é ter uma casa fixa para morar, onde ele possa construir uma nova família. “Aquela família, eu já perdi. Agora é tentar de novo. Já entreguei mais de 100 currículos, mas, até agora, nada”, disse.
O pesquisador Marcelo Neri, da FGV Social, afirma que, para conter a desigualdade, é preciso que o país invista em igualdade de possibilidades — não apenas em transferir renda, mas em políticas ligadas ao trabalho, à saúde e à educação. “O Bolsa Família custa apenas 0,5% do PIB do país, enquanto a Previdência custa 13%. Nos últimos 30 anos, o Brasil fez muito em termos de pobreza e extrema pobreza, mas voltou a aumentar a partir de 2014”, apontou.
Segundo Neri, além de projetos sociais, é preciso levar educação de qualidade a essa parcela da população. “Eu defendo muito a educação, dado o quadro fiscal. A reforma da Previdência é fundamental, mas deve ser muito aprimorada, para preservar melhor os mais pobres. Com a crise financeira, o Estado tem que pensar não só em dar mais governo e mais mercado às pessoas. Mas também políticas de empreendedorismo, microcrédito e políticas na esfera público-privada”.
Fonte: Correio Brasiliense