Segunda-feira - 8:40 - Criança de 12 anos, Transexual, afirma: “O amor salvou minha vida”. Click na foto abaixo e veja a matéria completa

15 de outubro de 2018 · Denny Cacciatore · Notícias em Geral

Família de menina brasiliense irá à Justiça para trocar o nome e o gênero da criança na certidão de ência
Uma equipe formada por médicos, psicólogos, assistente social, fonoaudiólogos e outros profissionais presta o serviço. “Nós fazemos avaliações cuidadosas para efetivar a incongruência ou saber se é apenas um encantamento por aquele universo”, explica o coordenador do projeto Alexandre Saadeh.

Atualmente, 82 crianças e adolescentes são atendidos no local. Há outras 132 pessoas na fila de espera. O Amtigos foi alvo de várias críticas e tentativas de desmonte. “Fui chamado de anticristo, ameaçado. Essas crianças sofrem, não dá para negar a existência delas. Cada história nos emociona, a vida delas muda para muito melhor com esse acompanhamento”, afirma Saadeh.

Evitamos que essa criança se considere um monstro, uma aberração. Queremos adultos mais integrados e tranquilos para lidar com quem são"
Alexandre Saadeh, coordenador do Amtigos


O ambulatório não recebe verba estadual, apenas usa as instalações da universidade. Os recursos vêm principalmente de doadores e voluntários. Há quatro servidores que trabalham em horário parcial no projeto e 40 colaboradores não remunerados. A Unicamp e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) também oferecem esse tipo de auxílio a menores de 18 anos.

Em Brasília, o Adolescentro, na 605 Sul, presta orientação a esse público com psicólogo, assistente social e médicos, há 1 ano. É o único projeto no Brasil que não está vinculado a universidades. Cerca de 30 jovens participam e 10 deles estão em transição de gênero — os outros são homossexuais.

“O projeto com jovens em processo de transição surgiu porque havia muitas automutilações e tentativas de suicídio entre eles, muitos nem saíam de casa. É uma fase intensa de mudanças, que precisa de atenção”, esclarece a gerente do Adolescentro, Ana Paula Tuyama. A iniciativa ganhou recentemente um prêmio do Ministério da Saúde pela prática inovadora. Também funciona na capital do país o Ambulatório Trans, para maiores de 18 anos.

Criada a rede de apoio dentro do lar, a violência do lado de fora é a maior preocupação de Duda e sua família. O Brasil é o país que mais mata LBGTs no mundo, registrou 445 casos de assassinatos de homossexuais em 2017, segundo o levantamento do Grupo Gay da Bahia. A ONG Transgender Europe informou que, entre 2008 e junho de 2016, 868 travestis e transexuais perderam a vida de forma violenta em solo brasileiro.

Neste Dia das Crianças, Duda espera que outras crianças sejam acolhidas como ela foi. “Pessoas como eu precisam saber que estão no caminho certo e ajudar umas as outras”, diz. Para ela, amar também é uma forma de se defender.

Fonte: Metropoles