Domingo - 10:50 - Ônibus que provocou mortes era clandestino, diz polícia.Click na foto e veja a matéria completa
O ônibus que tombou com 28 pessoas na serra do distrito de Anutiba, em Alegre, na região do Caparaó, não tinha autorização para transporte de estudantes e, por isso, é considerado clandestino, segundo a Polícia Militar.
O acidente ocorreu por volta das 18h20 de quinta-feira, na ES-181, e provocou a morte de duas mulheres, as universitárias Thereza Fausta da Silva Neta, de 20 anos, e Joilma Couto Carneiro Cazzador, de 40 anos.
De acordo com o comandante da PM de Muniz Freire, capitão Isaac Rubim, o ônibus apresentava sinais de má conservação, como pneus carecas, arame enrolado no eixo e falta recorrente de freio.
Outro agravante, explicou, é o fato de os passageiros estarem sem cinto de segurança, o que aumentou a gravidade dos ferimentos.
Thereza ficou presa debaixo do ônibus. Joilma, que chegou a ser socorrida, teve afundamento de crânio e perdeu um braço e não resistiu. Uma aluna sobrevivente também perdeu um braço.
“Fica aqui um alerta. Só existe transporte clandestino porque alguém paga pelo serviço. Por isso é importante exigir que o veículo esteja regular”, alertou o comandante.
Homicídio culposo
O titular da delegacia de Alegre, Ricarte Teixeira, informou que o motorista José Roberto Pinheiro, 53 anos, que também seria proprietário do ônibus, prestou depoimento e foi liberado para responder ao processo em liberdade, conforme determina a legislação.
A princípio, ressaltou, ele irá responder por duplo homicídio culposo e lesões corporais. “Aguardamos o laudo da perícia e, se ficar comprovada má conservação do veículo e negligência, o motorista poderá ser indiciado por homicídio doloso ou com dolo eventual”.
Segundo o delegado, o motorista alegou que o acidente foi uma fatalidade em função de falha mecânica. “O motorista disse que o ônibus perdeu o freio e começou a aument dade, conforme determina a legislação.
A princípio, ressaltou, ele irá responder por duplo homicídio culposo e lesões corporais. “Aguardamos o laudo da perícia e, se ficar comprovada má conservação do veículo e negligência, o motorista poderá ser indiciado por homicídio doloso ou com dolo eventual”.
Segundo o delegado, o motorista alegou que o acidente foi uma fatalidade em função de falha mecânica. “O motorista disse que o ônibus perdeu o freio e começou a aumentar a velocidade. Na curva, ele teria virado para tombar o veículo e evitar cair no barranco, o que teria sido pior”.
Motorista rebate acusação
A advogada do motorista, Elaine Sobreira, divulgou nota informando que ele prestou socorro às vítimas e que, depois, saiu para se apresentar na delegacia.
Com relação ao ônibus, disse que as revisões e manutenções estão regulares, assim como a documentação. Afirmou também que não se trata de transporte escolar, pois a empresa foi contratada diretamente para transporte de adultos e, por isso, não depende de concessão do poder público.
O comandante da PM de Muniz Freire, no entanto, rebate essa informação: “A legislação é clara a respeito desse assunto. Se o ônibus leva estudante para faculdade e depois retorna para a origem, é considerado transporte escolar, seja aluno de nível infantil ou superior”, destacou.
“Perdi amigas e outros estão com sequelas”
Os segundos que antecederam o tombamento do ônibus ficaram marcados na memória dos estudantes que seguiam de Muniz Freire para faculdades em Alegre.
O estudante de psicologia Diego Martins, 24, contou que houve muita gritaria dentro do ônibus. Ele disse que se segurou e que se lembra de que foi retirado do veículo por colegas.
Depois, ele retornou para o ônibus e ajudou socorrer os outros passageiros. Diego foi levado para o Hospital de Muniz Freire com escoriações. Ele foi atendido e teve alta e está na casa dos pais se recuperando.
“Não tenho como me sentir bem. Perdi amigas e outros estão com sequelas. Estou sem cabeça. O que quero agora é ficar com minha família”, disse.
A estudante Michele Jéssica Alexandre lembrou que começou a perceber que o ônibus estava muito rápido. “Cutuquei minha amiga e avisei. Depois só me lembro do ônibus tombado e de muito sangue”, comentou.
O clima na cidade de Muniz Freire é de luto. Ontem, amigos e familiares se despediram da estudante de História Thereza Fausta da Silva Neta, 20 anos, que foi sepultada no cemitério do distrito de São Simão, interior do município.
O corpo da estudante de psicologia Joilma Couto Carneiro Cazzador, 40 anos, mulher do pastor Paulo Cazzador, passou a noite sendo velado na Igreja Batista e hoje, logo após culto às 8 horas, será sepultado no cemitério de Muniz Freire.
Fonte: tribuna online