Sexta feira 11:40 - Após tragédia polícia tenta descobrir motivação e detalhes do crime em Suzano. "Pretendiam mostrar que eram tão cruéis quanto os atiradores de Columbine...". Clique na imagem abaixo veja mais fotos e saiba mais informações...

15 de março de 2019 · Vania Ribeiro · Notícias em Geral

Perícia feita pela Polícia Civil no carro em que chegaram dois jovens armados e encapuzados que invadiram a Escola Estadual Professor Raul Brasil e disparam contra os alunos, em Suzano, São Paulo.

Testemunhas prestam depoimentos e computadores são analisados

Dois dias depois do crime que chocou o país, os investigadores buscam descobrir o que motivou e os detalhes do planejamento do tiroteio em Suzano, na Grande São Paulo, que matou dez pessoas, inclusive os dois atiradores, e deixou 11 feridos. Testemunhas devem prestar depoimentos, enquanto são feitas análises dos computadores, cadernos e objetos que pertenciam aos dois jovens que provocaram a tragédia.

O Instituto de Criminalística faz exame toxicológico do material orgânico dos dois atiradores. No Instituto Médico Legal (IML), os médicos legistas concluíram que Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, matou Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, com um tiro na testa. Depois, ele se matou com um tiro na cabeça.

Equipes policiais fizeram diligências nas casas dos atiradores e em uma lan house frequentada por eles. Foram apreendidos computadores, tablets e anotações. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, 16 testemunhas foram ouvidas. De acordo com os investigadores, eles poderão prestar novo depoimento.

As armas utilizadas pelos atiradores – um revólver calibre 38, uma besta (arma medieval semelhante ao arco e flecha) e uma machadinha - foram apreendidas e encaminhadas para a perícia. O revólver estava com o número de série apagado.

Terceiro jovem


A Polícia Civil investiga a participação de um adolescente, de 17 anos, no planejamento do atentado na Escola Estadual Professor Raul Brasil. O suspeito foi colega de classe de Guilherme Monteiro e teria ajudado a dupla de atiradores.

Segundo a polícia, ele estava na cidade de Suzano no momento do ataque, mas não foi até a escola. O adolescente foi ouvido pela Polícia Civil, que pediu à Vara da Infância e da Juventude a sua apreensão e espera a autorização.

Há um vídeo em que uma terceira pessoa aparece junto com os dois assassinos dias após eles terem alugado o carro usado no atentado. O aluguel do carro foi pago com cartão de crédito.

Motivação


O Delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Pontes, disse que os jovens queriam reconhecimento dentro da própria comunidade e publicidade na mídia. De acordo com Pontes, eles pretendiam mostrar que eram tão cruéis quanto os atiradores de Columbine.

O delegado minimizou a hipótese de que um suposto bullying sofrido pelos jovens tenha motivado o massacre. No entanto, depoimentos de pessoas próximas a Guilherme Monteiro afirmaram que ele era alvo de comentários jocosos por causa de acne no rosto. Segundo relatos, o jovem fez tratamento de pele.

Nesta sexta-feira (15) deve ser publicado decreto, no Diário Oficial, que determina que, no prazo máximo de 30 dias, as indenizações serão pagas aos parentes das vítimas. Ontem (14), o governador de São Paulo, João Doria, estimou que os valores podem chegar a R$ 100 mil por família.






Polícia apura participação de terceira pessoa no atentado em Suzano


A Polícia Civil está investigando a participação de uma terceira pessoa, de 17 anos, na organização do atentado na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano. Este suspeito era colega de classe do atirador Guilherme Taucci Monteiro, também de 17 anos, e teria ajudado no planejamento do crime. Segundo a polícia, ele estava na cidade de Suzano no momento do ataque, mas não foi até a escola.

O jovem já foi ouvido pela Polícia Civil, que pediu à Vara da Infância e da Juventude a apreensão do adolescente e espera autorização.

Há um vídeo em que uma terceira pessoa aparece junto com os dois assassinos dias após eles terem alugado o carro usado no atentado. O aluguel do carro foi pago com cartão de crédito.

Pessoas que conviviam com os atiradores disseram à polícia que já tinham ouvido deles referência ao caso de Columbine, nos Estados Unidos, que deixou 13 mortos e 24 feridos em 1999. “Quem ouviu eles falando sobre isso ou não levou a sério ou ficou com medo”, disse o delegado-geral de Polícia Ruy Ferraz Pontes.

O delegado disse também que, até o momento, é uma “presunção” que um dos assassinos tenha atirado no outro e depois se suicidado. A conclusão sobre a morte dos assassinos depende ainda de informações que serão trazidas pela perícia.

De acordo com Pontes, a polícia diz que não há elementos suficientes até o momento que indiquem que o uso da deep web tenha sido determinante para o atentado.

O Delegado-geral informou que não está claro ainda se a morte de Jorge Antonio de Moraes, tio de Guilherme, foi motivada por vingança, já que ele chegou a contratar o sobrinho para trabalhar em sua empresa, mas teve que demiti-lo por causa de pequenos furtos.

Motivação


“A motivação tem mais um caráter pessoal, de reconhecimento por parte da comunidade, da sociedade deles. Eles não se sentiam reconhecidos, e copiaram, e isso nós já temos materializado [em depoimentos], eles queriam demonstrar que eles podiam agir, como aconteceu na escola em Columbine, com crueldade e com caráter trágico para que eles fossem mais reconhecidos”.

O Delegado-geral ainda minimizou a hipótese de que um suposto bullying sofrido pelos jovens tenha motivado o massacre. Pontes ressaltou ainda que não foi encontrado, até o momento, nenhum indício de que eles planejassem fazer ataques em outras escolas.

“Todo material colhido não demonstra que eles fariam ou tentariam fazer ataques em outras escolas. Não demonstra que eles teriam contato com outras pessoas que estivessem encarregadas de fazer ataques em outras escolas”, disse.

Polícia acredita que tiroteio foi cuidadosamente planejado

Uma mulher acende velas durante homenagem às vítimas do tiroteio na escola Raul Brasil em Suzano, São Paulo.

Quebra-cabeça da tragédia está em fase de montagem

A tragédia que chocou o país hoje (13) e transformou a Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, a 57 quilômetros de São Paulo, em um cenário de guerra é um quebra-cabeça em fase de montagem. O tiroteio promovido por dois jovens provocou dez mortes e deixou 11 feridos. A Polícia Civil busca compreender o crime e já sabe que houve um plano meticulosamente organizado.

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, João Camilo Pires de Campos, disse que policiais coletam depoimentos e provas. Segundo ele, é possível confirmar alguns detalhes sobre o que ocorreu antes e durante do massacre no colégio.

No começo da manhã, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, foram à locadora de Jorge Antonio Moraes, de 51 anos. Lá, eles atiraram contra Jorge, que era tio de Guilherme, e deixaram o local em um carro Chevrolet Onix branco roubado e seguiram para o colégio.



O secretário de Segurança Pública de São Paulo, João Camilo Pires de Campo, e o comandante da Polícia Militar, coronel Marcelo Salles, falam sobre o massacre na Escola Raul Brasil, em Suzano, São Paulo.



Secretário de Segurança Pública de São Paulo, João Camilo Pires de Campo,em entrevista sobre o massacre na Escola Raul Brasil, em Suzano, São Paulo. - Rovena Rosa/Agência Brasil



Como ex-aluno da escola estadual, Guilherme pediu para entrar no colégio, por volta das 9h40, e foi autorizado. Era o horário de intervalo das aulas, muitos estudantes lanchavam e vários estavam fora das classes.

Não se sabe em que momento Guilherme colocou a máscara para não ser reconhecido, mas a primeira pessoa atingida foi a coordenadora Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 anos, depois Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos, funcionária do colégio. Os dois atiradores estavam juntos logo na entrada.

Com base nos primeiros depoimentos, a polícia acredita que os dois atiradores partiram para o ataque juntos. Quando eles se deparam no Centro de Línguas com a porta fechada e perceberam que estavam encurralados pelos policiais da força tática teriam se desesperado.

A polícia foi acionada por causa do assalto à locadora de veículos e chegou à escola em oito minutos. Ao serem surpreendidos pelos policiais, os dois jovens estavam preparados para entrar em uma sala lotada de alunos. Neste momento, segundo o secretário, um jovem atirou no outro e depois suicidou-se.

Mortos

1. Caio Oliveira, 15 anos, estudante.
2. Claiton Antonio Ribeiro, 17 anos, estudante.
3. Douglas Murilo Celestino, 16 anos, estudante
4. Kaio Lucas da Costa Limeira, 15 anos, estudante.
5. Samuel Melquiades Silva Oliveira, 16 anos, estudante.
6. Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos, funcionária da escola.
7. Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 anos, coordenadora pedagógica.
8. Guilherme Taucci Monteiro - 17 anos
9. Luiz Henrique de Castro - 25 anos
10. Jorge Antonio de Moraes, 51 anos, dono da locadora e tio de um dos atiradores

Feridos

1. Adna Isabella Bezerra de Paula, 16 anos
2. Anderson Carrilho de Brito, 15 anos
3. Beatriz Gonçalves Fernandes, 15 anos
4. Guilherme Ramos do Amaral, 14 anos
5. Jenifer da Silva Cavalcante
6. José Vitor Ramos Lemos
7. Leonardo Martinez Santos
8. Leonardo Vinícius Santa Rosa, 20 anos
9. Letícia de Melo Nunes
10. Murillo Gomes Louro Benites, 15 anos
11. Samuel Silva Félix

Sobreviventes se esconderam na despensa da escola durante tiroteio

Estudantes ficaram 15 minutos no local até chegada da polícia
A estudante Quelly Mileny, 16 anos, sobreviveu aos atiradores da Escola Estadual Prof. Raul Brasil, em Suzano, escondendo-se com outros colegas na despensa do colégio. “A gente estava indo merendar no refeitório, quando ouviu os tiros. No segundo tiro, a gente saiu correndo, e o lugar mais perto era a cozinha. Da cozinha, as tias nos colocaram no armazenamento de alimentos”, contou.

Quelly Mileny disse que havia pelo menos 30 alunos no local e que ficaram escondidos por cerca de 15 minutos. “Tinha gente até embaixo da mesa”, disse à Agência Brasil.

Segundo a estudante, o grupo ligou para a polícia e para os pais, tentando avisar o que estava acontecendo na escola. “Ficamos ali esperando até que a porta foi aberta. A gente achou que eram os atiradores, mas era a polícia”, relatou.



Policiais são vistos na escola Raul Brasil após um tiroteio em Suzano em São Paulo



Policiais na Escola Raul Brasil após o tiroteio em Suzano em São Paulo - REUTERS/Amanda Perobelli/Direi



Ao lado da mãe, Quelly disse estar assustada, mas também aliviada. “Foi só Deus. Dali, eu nem via muita saída. Pensava: ‘Daqui a pouco eles vão entrar aqui porque sabem que tá todo mundo aqui’. Comecei a orar, pedir a Deus e foi só Ele para poder me livrar dali”, lembrou.

Aluna do 2º ano Ensino Médio, Quelly aguardava na porta da escola, no início desta tarde, por notícias de colegas que poderiam ter sido atingidos pelos tiros. “Eu tenho um amigo bem próximo que estava na entrada da secretaria. Estou muito preocupada porque dali não tinha muito como ele correr”, disse.

Os dois atiradores chegaram à escola por volta das 9h30 da manhã de hoje, durante o intervalo de aulas, e atiraram contra funcionários e estudantes. Dez pessoas, incluindo os atiradores, mo evrolet Onix branco roubado e seguiram para o colégio.



O secretário de Segurança Pública de São Paulo, João Camilo Pires de Campo, e o comandante da Polícia Militar, coronel Marcelo Salles, falam sobre o massacre na Escola Raul Brasil, em Suzano, São Paulo.



Secretário de Segurança Pública de São Paulo, João Camilo Pires de Campo,em entrevista sobre o massacre na Escola Raul Brasil, em Suzano, São Paulo. - Rovena Rosa/Agência Brasil



Como ex-aluno da escola estadual, Guilherme pediu para entrar no colégio, por volta das 9h40, e foi autorizado. Era o horário de intervalo das aulas, muitos estudantes lanchavam e vários estavam fora das classes.

Não se sabe em que momento Guilherme colocou a máscara para não ser reconhecido, mas a primeira pessoa atingida foi a coordenadora Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 anos, depois Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos, funcionária do colégio. Os dois atiradores estavam juntos logo na entrada.

Com base nos primeiros depoimentos, a polícia acredita que os dois atiradores partiram para o ataque juntos. Quando eles se deparam no Centro de Línguas com a porta fechada e perceberam que estavam encurralados pelos policiais da força tática teriam se desesperado.

A polícia foi acionada por causa do assalto à locadora de veículos e chegou à escola em oito minutos. Ao serem surpreendidos pelos policiais, os dois jovens estavam preparados para entrar em uma sala lotada de alunos. Neste momento, segundo o secretário, um jovem atirou no outro e depois suicidou-se.

Mortos

1. Caio Oliveira, 15 anos, estudante.
2. Claiton Antonio Ribeiro, 17 anos, estudante.
3. Douglas Murilo Celestino, 16 anos, estudante
4. Kaio Lucas da Costa Limeira, 15 anos, estudante.
5. Samuel Melquiades Silva Oliveira, 16 anos, estudante.
6. Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos, funcionária da escola.
7. Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 anos, coordenadora pedagógica.
8. Guilherme Taucci Monteiro - 17 anos
9. Luiz Henrique de Castro - 25 anos
10. Jorge Antonio de Moraes, 51 anos, dono da locadora e tio de um dos atiradores

Feridos

1. Adna Isabella Bezerra de Paula, 16 anos
2. Anderson Carrilho de Brito, 15 anos
3. Beatriz Gonçalves Fernandes, 15 anos
4. Guilherme Ramos do Amaral, 14 anos
5. Jenifer da Silva Cavalcante
6. José Vitor Ramos Lemos
7. Leonardo Martinez Santos
8. Leonardo Vinícius Santa Rosa, 20 anos
9. Letícia de Melo Nunes
10. Murillo Gomes Louro Benites, 15 anos
11. Samuel Silva Félix

Sobreviventes se esconderam na despensa da escola durante tiroteio

Estudantes ficaram 15 minutos no local até chegada da polícia