Terça Feira - 10:05 - Estado tem mais de 1.300 mulheres presas. Veja abaixo

13 de agosto de 2019 · Vanessa Gualandi · Notícias em Geral


Clique na imagem acima e inscreva-se

no Vestibular da UNIG

 




 (Foto: Thiago Coutinho/AT)
(Foto: Thiago Coutinho/AT)


Longe dos cinco filhos – quatro meninas, de 19, 16, 15 e 13 anos, e um menino, de 11 anos –, Cristiane Michelle Acipreste dos Santos, de 38 anos, divide seus dias entre a saudade de casa e as reflexões sobre os erros que cometeu.Ela conta que lembra todos os dias de seu principal erro: o envolvimento com o tráfico de drogas, que a levou à prisão.

Cristiane é uma das mais de 1.300 mulheres presas hoje nas quatro cadeias femininas do Estado.

Segundo a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), até o final de julho deste ano, 23.822 presos cumpriam pena ou aguardavam julgamento nos presídios. Desse total, 1.336 são mulheres e 22.486, homens.

Parte das internas está no Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC). Entre os muros amarelos e brancos da penitenciária, localizada no bairro Bubu, 543 mulheres buscam recomeçar a vida. Elas entendem que o primeiro passo para isso é reconhecer os erros, para não repeti-los.

“Não vou falar que sou inocente, porque, se você se alimenta com o dinheiro do tráfico, você acaba tendo participação. Você pode não vender a droga, mas o dinheiro que você usa também é um dinheiro sujo. Então, acaba participando.

O juiz entendeu dessa forma e me sentenciou a 12 anos de prisão. Faz dois anos que estou aqui dentro”, disse Cristiane.

O segundo passo, de acordo com a diretora do CPFC, Graciele Sonegheti Fraga, é aproveitar as oportunidades oferecidas no presídio.

A diretora informou que, na unidade, as internas podem trabalhar no almoxarifado, na cozinha, na horta e em uma fábrica de sapatos infantis que funciona dentro do centro. Quem está no regime semiaberto ainda pode trabalhar fora da unidade. Outra possibilidade é retomar os estudos. Segundo Graciele, 90% das internas participam dos projetos.

“A gente acaba utilizando as oportunidades de trabalho e estudo para que elas usem o momento de privação para sair daqui de uma maneira diferente, com outras opções. Se a mulher chegou aqui sem qualificação profissional, ela tem a oportunidade de trabalhar e estudar. O tempo aqui não será perdido.”

 (Foto: Jornal A Tribuna)
(Foto: Jornal A Tribuna)


Maioria está presa por tráfico


O tráfico de drogas é o principal motivo para prisão das mulheres no Espírito Santo. É o que demonstra levantamento da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus).

De acordo com os dados enviados pela secretaria à reportagem, 710 das 1.336 presas respondem a processos por tráfico.

O segundo crime que mais resulta na prisão de mulheres no Estado é o furto simples, com 162 detentas. Em terceiro lugar, está o homicídio qualificado, com 121 mulheres presas.

A diretora do Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC), Graciele Sonegheti Fraga, informou que 60% das internas da unidade foram presas por causa do tráfico.

“A maioria delas nunca teve um trabalho e se envolveu com o tráfico de drogas por ver nele uma possibilidade de ascensão econômica. Muitas delas não têm qualificação profissional. A maioria não tem o ensino médio completo e muitas também chegam com o ensino fundamental incompleto.”

Segundo a diretora, no presídio, a maior parte das internas tem entre 25 a 35 anos e 254 estão presas provisoriamente, ou seja, ainda aguardam pelo julgamento de seus processos.

“O dinheiro do tráf ariacica (CPFC), Graciele Sonegheti Fraga, informou que 60% das internas da unidade foram presas por causa do tráfico.

“A maioria delas nunca teve um trabalho e se envolveu com o tráfico de drogas por ver nele uma possibilidade de ascensão econômica. Muitas delas não têm qualificação profissional. A maioria não tem o ensino médio completo e muitas também chegam com o ensino fundamental incompleto.”

Segundo a diretora, no presídio, a maior parte das internas tem entre 25 a 35 anos e 254 estão presas provisoriamente, ou seja, ainda aguardam pelo julgamento de seus processos.

“O dinheiro do tráfico vem da lágrima das pessoas” - Detenta


O cabelo longo, preto e bem cuidado fica preso em um rabo de cavalo. O sorriso no rosto de Cristiane Michelle Acipreste dos Santos, de 38 anos, ao ser apresentada à reportagem contrasta com a dor de não tem podido acompanhar o nascimento dos dois netos, o que vai se repetir com o terceiro, que está para chegar.

Ela está presa há dois anos por tráfico de drogas e tem cinco filhos – em todos os casos, engravidou do ex-marido nas visitas íntimas, quando ele estava preso por roubo a banco. “Está muito difícil ficar sem os meus filhos”, revelou.

A Tribuna – Como você acabou presa?
Cristiane – Meu processo é de 2010, mas fui presa em 2017. É por tráfico de drogas. Fui presa com meu irmão. Tomei sete anos de prisão pelo tráfico e cinco anos pela associação ao tráfico.

Meu irmão escondeu droga dentro de casa. Mas, querendo ou não, usei o dinheiro do tráfico. Não vendia, mas me alimentava e me vestia com aquele dinheiro. Então acabei participando.

A Tribuna – O que já refletiu sobre esse seu envolvimento?
Cristiane – O dinheiro do tráfico é um dinheiro fácil, mas é muito amaldiçoado. No Dia das Crianças, meu irmão me dava um dinheiro e meu filho comprava um brinquedo caro. Às vezes, o filho daquele viciado estava chorando porque não tinha R$ 1, já que o pai gastou todo o dinheiro. É um dinheiro que vem das lágrimas e da tristeza das pessoas.

A Tribuna – Como tem sido ficar longe dos seus filhos e netos?
Cristiane – Está muito difícil ficar sem os meus filhos. Porque filhos precisam das mães.

Mas eu agradeço a Deus pela oportunidade, porque eu não tinha uma estrutura de vida. Eu não estava sendo uma mãe exemplo para os meus filhos. Eles estavam crescendo e caindo no mundo errado e eu não estava percebendo isso.

Fonte: Tribuna Online.