Sexta Feira - 17:45 - De acordo com estudo, jejum pode reduzir inflamações crônicas. Veja abaixo

23 de agosto de 2019 · Vanessa Gualandi · Notícias em Geral


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Efeito evita o surgimento de doenças graves, como cânceres, complicações cardíacas e esclerose múltipla. Segundo pesquisadores americanos, a descoberta desse mecanismo poderá ser explorada no desenvolvimento de novas terapias preventivas

Nos últimos anos, o jejum intermitente se tornou uma das dietas mais populares entre as pessoas que querem perder peso rápido. Essa estratégia de emagrecimento também chamou a atenção de cientistas americanos, que resolveram estudá-la a fundo. Em um experimento com ratos, eles constataram que períodos longos sem alimentação levam à redução de uma célula imune relacionada à inflamação. Os autores do estudo, publicado na última edição da revista Cell, acreditam que os resultados podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas preventivas para uma série de doenças.

A inflamação aguda é um processo imunológico que ajuda a combater infecções, mas a crônica pode ter sérias consequências para a saúde, incluindo doenças cardíacas, diabetes, câncer, esclerose múltipla e doenças inflamatórias intestinais. “Estudos mostraram que o jejum intermitente pode amenizar as doenças inflamatórias, mas não revelaram como. Nosso estudo foi feito porque queríamos saber o porquê disso”, conta ao Correio Miriam Merad, diretora do Instituto de Imunologia do Hospital Monte Sinai, nos Estados Unidos, e uma das autoras do estudo científico.

Para entender essa relação, Miriam Merad e sua equipe submeteram ratos a uma dieta de jejum intermitente durante algumas semanas. Os animais apresentaram diminuição da liberação, na circulação sanguínea, de células pró-inflamatórias chamadas monócitos. “São células imunes altamente inflamatórias que podem causar sérios danos ao tecido, e temos visto uma quantidade crescente delas na circulação sanguínea da população, como resultado de hábitos alimentares que os humanos adquiriram nos últimos séculos”, explica a pesquisadora.

Segundo os cientistas, outras investigações também mostraram que, durante os períodos de jejum, essas células entraram em “modo de sono” e ficaram menos inflamatórias que monócitos encontrados em animais que se alimentaram normalmente. Para a equipe, todos esses dados apontam o jejum intermitente como uma boa estratégia de prevenção de enfermidades relacionadas à inflamação. “Considerando o amplo espectro de doenças causadas pela inflamação crônica e o crescente número de pacientes afetados por essas doenças, existe um enorme potencial em investigar os efeitos anti-inflamatórios do jejum”, ressalta Stefan Jordan, pesquisador do Departamento de Ciências Oncológicas do Hospital Monte Sinai e também autor do estudo.

Com base nos resultados do experimento com ratos, os pesquisador Paulo (SBEM-SP).

Para saber mais


Alvo dos cientistas

Esse tipo de dieta tem vários tipos de janelas alimentares — períodos em que o indivíduo não pode comer nada —, mas a maioria dos programas defende limitar a ingestão de alimentos entre, no mínimo, 12 horas e, no máximo, 23 horas. Cientistas têm estudado os impactos desse regime em diferentes áreas.

Defensores do jejum intermitente ressaltam uma série de benefícios fisiológicos, como aceleramento do metabolismo, aumento da sensibilidade à insulina e regulação da pressão arterial. Vantagens relacionadas à saúde mental, como melhora da atenção e redução de sintomas de ansiedade e depressão, também são listadas. Especialistas ressaltam que, para que os resultados positivos sejam obtidos, é importante manter uma alimentação saudável e contar com orientação profissional.