Quarta Feira Rio 16:41 - Família do Pedreiro de Barão do Monte Alto MG morto pela Polícia com tiro supostamente pelas costas enquanto estava trabalhando pretende processar a PM do Estado do Rio. Veja mais fotos e informações...
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A imagem de um homem ensanguentado em cima de uma laje, com um martelo ao lado chocou o Brasil que parou nesta terça-feira (03) para acompanhar uma operação da Polícia Militar na Vila Kenedy, zona Oeste do Rio de Janeiro. Durante o confronto o pedreiro, José Pio Baía Júnior de 45 anos, natural de Cachoeira Alegre, distrito de Barão do Monte Alto foi morto com um tiro nas costas enquanto trabalhava.
A equipe de jornalismo da Rádio Muriaé entrou em contato com parentes da vítima que mora em Muriaé. De acordo com uma das irmãs da vítima, José Pio trabalhava no Rio de Janeiro há 22 anos. Em junho deste ano ele esteve em Muriaé e uma das conversas com os irmãos foi sua vontade de retornar à cidade para fugir daquilo que mais o atemorizava na capital carioca; a violência.
Seu último contato com a família foi no último domingo (01) por telefone em que ele voltou a traçar os planos de voltar à Muriaé de forma definitiva.
Hoje pela manhã, os familiares enviaram parte dos documentos de José Pio para a liberação do corpo que se encontra no Instituto Médico Legal. Ainda não há previsão de quando o corpo será liberado. A família comunicou que o enterro acontecerá em Cachoeira Alegre assim que tudo for resolvido.
Rádio Muriaé
Moradores dizem que não havia tiroteio e que PMs atiraram na direção de pedreiro na Vila Kennedy
Moradores da Vila Kennedy afirmaram que não estava ocorrendo tiroteio quando o pedreiro José Pio Bahia Júnior, de 45 anos, foi morto com tiro nas costas enquanto trabalhava na construção de uma laje, nesta terça-feira em uma casa da comunidade. De acordo com moradores e parentes, policiais militares teriam feito disparos em direção ao fim da Rua Gana, onde a obra era realizada, quando José Pio foi ferido.
Ele não era bandido. Estava trabalhando. Não havia confronto. Recolhemos 14 cápsulas de fuzil aqui. Eles (PMs) atiraram para matar. Estavam na esquina da rua, e não havia confronto. Não foi bala perdida — disse um morador que pediu para não ser identificado.

Protesto fechou Avenida Brasil por mais de uma hora após homem ser mort
em ação da PM na Vila Kennedy Foto: Antonio Scorza / Agência Brasil
Governo do Estado tenta "tomar" caso de advogada da família de pedreiro morto na Vila Kennedy
Representantes da Secretaria Estadual de Vitimização chegaram no IML de São Cristóvão pedindo que a defesa dos irmãos de José Baía abandonasse o caso, segundo familiares
Duas advogadas da Secretaria Estadual de Vitimização procuraram a família do pedreiro José Pio Baía Júnior, no final da manhã desta quarta-feira, no Instituto Médico Legal (IML) de São Cristóvão, e foram recebidas com surpresa pelos irmãos dele e pela advogada da família, Paula Lindo. Os parentes do homem - que foi morto durante uma operação da Polícia Militar na comunidade da Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, na terça-feira - contaram que não esperavam a chegada das representantes do governo do Estado e a situação gerou um conflito entre elas e Paula, devido ao pedido para que ela abandonasse a defesa da família de José.
A dupla de juristas da secretaria chegou no IML, por volta das 11h30, procurando por Janilson Baía, que estava numa sala com policiais civis e sua advogada. Segundo Paula, uma das funcionárias do governo entrou pedindo para que ela se retirasse do caso, que a partir daquele momento, o Estado iria assessorar juridicamente a família.
A situação chegou a gerar uma breve discussão entre as advogadas e Paula Lindo afirmou que "o caso seria acompanhado por quem a família quisesse", dizendo que as colegas não poderiam ter chegado daquela maneira.
"Elas quiseram assumir todo o processo, pedindo que eu me afastasse. Foi uma abordagem bastante infeliz, de maneira desrespeitosa. Mas, de qualquer forma, a ajuda do Estado é sempre bem-vinda", declarou a advogada Paula Lindo.

Durante a ligação, o Estado perguntou se eles precisavam de assistência para o sepultamento, entretanto, o serviço já havia sido oferecido pela prefeitura de Barão de Monte Alto, em Minas Gerais. A vítima era mineira, nascida no distrito de Cachoeira Alegre.
"Quando eles me ligaram oferecendo ajuda para o enterro, eu avisei que a prefeitura da nossa cidade natal já havia nos prestado esse auxílio, custeando sepultamento e o translado do corpo. Então, a representante da secretaria de Vitimização mandou que eu enviasse uma mensagem de texto ou áudio, falando que eu não precisava da ajuda. A prefeitura da nossa cidade entrou em contato com a gente assim que soube do que aconteceu, no início da tarde", contou Janilson.
Procurada a respeito da ida das advogadas ao IML, a assessoria de imprensa da Secretaria de Vitimização informou que estava em contato com os irmão da vítima desde o ocorrido e que o encontro foi marcado aquele horário (às 11h30) junto à família, para ajudar em relação ao translado do corpo para sua cidade natal.
Familiares estudam processar Estado do Rio por morte de pedreiro na Vila Kennedy
Parentes acreditam que PMs do 14º BPM (Bangu), atiraram em José Pio Baía Júnior, de 45 anos, por engano, ao vê-lo trabalhando numa laje da favela na Zona Oeste do Rio
Jorge Baía (camisa verde) e Janilson Baía Irmãos do pedreiro José Pio Baía Junior, morto enquanto trabalhava na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio - no IML para liberar corpo d ília ainda não teve acesso ao resultado do exame de necropsia realizado no Instituto Médico Legal (IML) de São Cristóvão. Mesmo assim, os irmãos de José acreditam que a PM tenha atirado contra o pedreiro. A advogada deles, Paula Lindo, declara que as circunstâncias precisam ser analisadas com rigor, mas que mesmo assim o Estado deve ressarcir a família do pedreiro.
“Existe um relato de um erro de uma agente do Estado e em decorrência desse erro, a gente precisa verificar as medidas cabíveis. A princípio, o Estado tem que ressarcir, pelos prejuízos causados, foi uma vida que foi ceifada. O rapaz era trabalhador, sem antecedentes criminais, pedreiro, querido na comunidade, hoje deixa cinco filhas. A situação é muito triste”, disse Paula Lindo.
Para a advogada, os relatos dos moradores não deixam dúvidas da culpa do Estado, na morte do pedreiro. “Ele foi alvejado de costas para a Avenida Brasil, então do que a gente escuta, não existe outra possibilidade a não ser um disparo feito por um agente do Estado. O laudo pericial ainda não saiu. No local, comenta-se que foi um único disparo, realizado por trás e a perfuração saiu na altura do pescoço”, afirmou Paula.

Manifestantes incendeiam ônibus na Avenida Brasil, altura da Vila Kennedy, contra morte de morador -
NOTA:

MINEIRO, JOSÉ SERÁ ENTERRADO EM SUA CIDADE NATAL
José era o mais velho de cinco irmãos. Mineiro, nascido no distrito de Cachoeira Alegre, na cidade Barão de Monte Alto, ele veio para o Rio de Janeiro em 1997 e desde então morava na Vila Kennedy.
“Ele era um homem muito bom de coração, amável, querido. Não media esforços para ajudar o próximo, estava sempre à disposição para ajudar os outros. Era muito trabalhador, sempre era muito requisitado porque todo mundo elogiava o trabalho dele”, finalizou.
O pedreiro era pai de cinco filhas e também deixa um neto de apenas um ano.
O enterro de José acontecerá em sua cidade natal, em Minas Gerais. “A prefeitura da nossa cidade nos ofereceu ajuda para levarmos o corpo para lá”, contou o irmão.
Fontes: Rádio Muriaé e O Dia
O Dia

