Segunda Feira - 10:45 - O caso Suzane Von Richthofen inspira dois filmes que serão exibidos juntos. Veja abaixo

30 de setembro de 2019 · JVM · Notícias em Geral


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Histórias reais de assassinos sempre fascinaram o cinema. Clássicos como Jack, o Estripador, Zodíaco, Helter Skelter, Monster e os mais recentes Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal e Mindhunter formam uma longa lista de crimes roteirizados. É o que pode explicar a grande curiosidade despertada pelo anúncio recente da produção de um filme sobre o chamado Caso Von Richthofen.

Discussões sustentadas por convicções pessoais, pela atual polarização do País, especulações e fake news colocaram Suzane Von Richthofen, 17 anos após o assassinato de seus pais, nos trending topics do Twitter, tornando-a novamente um dos assuntos mais comentados na internet.

O crime é conhecido: réus confessos, Suzane Von Richthofen e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos foram condenados a quase 40 anos de prisão pelo assassinato dos pais dela, Marísia e Manfred, em 2002. Ainda são desconhecidos os motivos que levaram uma jovem de 18 anos, de classe média alta, filha de uma psiquiatra, e um rapaz de 21, considerado na época um dos melhores construtores de aeromodelo do País e competidor de provas internacionais, a cometerem tal crime.

"Foi uma história que marcou muito justamente pelo horror que a rodeia, então, é natural as pessoas terem opinião sobre o assunto e acreditarem que sabem de tudo. Algumas falam com uma convicção que parecem até ter vivido o caso. Mas, nem tudo o que ouviram condiz com a verdade", diz a atriz paulistana Carla Diaz, que vai viver Suzane em dois filmes que vão estrear simultaneamente em 2020: A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais. "Muitos acreditam que vamos home Suzane Von Richthofen e Daniel Cravinhos, a produção decidiu retratar o caso pelos dois pontos de vista mencionados durante o julgamento. A ideia de abordar desta forma partiu dos roteiristas Ilana Casoy e Raphael Montes, autor de livros policiais. Eles se juntaram à equipe a convite do produtor Marcelo Braga e do diretor Maurício Eça que, junto com os demais produtores, decidiram dividir o projeto em dois filmes, que serão exibidos em sessões alternadas.

"Gostamos de brincar que fazemos a Ruth e a Raquel (irmãs gêmeas vividas por Glória Pires na novela ‘Mulheres de Areia’), porque são duas versões que retratam o depoimento de cada envolvido de maneira diferente, portanto acaba sendo dois personagens", diverte-se o ator Leonardo Bittencourt, que interpreta Daniel.

O processo de produção de dois filmes simultaneamente é algo novo para toda a equipe. "Uma vírgula, às vezes, pode nos confundir em qual momento estamos, na versão do Daniel ou na da Suzane. Temos cenas espelhadas e as gravações ocorrem ao mesmo dia, por isso que o Leonardo brinca que estamos fazendo personagens gêmeas, pois são parecidas e, ao mesmo tempo, apresentam nuances", explica Carla.

A ideia de transformar o caso em filme partiu de Eça. "O caso da Suzane é um entre muitos no País, mas, por que todo esse interesse? Porque ela é rica, é bonita, enfim, isso não cabe a nós julgar", afirma ele.

Os dois filmes vão retratar a história desde o momento em que Suzane e Daniel se conheceram, em 1999, até o dia do crime, 31 de outubro de 2002. A base narrativa é o julgamento que ocorreu quatro depois, em 2006. Por meio de flashbacks, os longas mostrarão como foram esses anos de convivência na versão de cada envolvido.

Segundo os produtores, os condenados não tiveram nenhum contato com os atores e nada receberão pelos filmes, seja da bilheteria ou de direitos autorais. "Por uma questão de princípios, decidimos seguir rigorosamente o que estava nos autos do processo. Não estamos fazendo um documentário sobre a Suzane ou sobre o assassinato, mas uma obra ficcional em cima de fatos biográficos", esclarece o produtor Marcelo Braga. "Eles são réus confessos. O que tinham para falar já o fizeram no julgamento", complementa Maurício.

Juntos, os dois filmes têm orçamento ousado de R$ 8 milhões. Embora habilitados a receber quase R$ 2 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual, a produção optou por abrir mão do recurso.

 

Tribuna Online