Quarta Feira - 14:40 - Cuidado! Pílulas para emagrecer vendidas como naturais fazem mais vítimas. Veja abaixo

06 de novembro de 2019 · JVM · Notícias em Geral

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Durante cinco meses, a equipe de reportagem investigou a venda de medicamentos para emagrecer. O tema veio à tona quando uma mulher de 27 anos morreu após a ingestão de comprimidos e outras duas foram parar na UTI. As pílulas adquiridas pela reportagem f s e outras duas foram parar na UTI. As pílulas adquiridas pela reportagem foram entregues à Polícia Civil, que encaminhou para o Instituto Geral de Perícias (IGP). Os peritos examinaram os supostos compostos naturais para emagrecer com equipamentos capazes de separar e identificar as substâncias misturadas dentro de cada cápsula. Os laudos apontaram o que realmente havia dentro dos produtos

O que havia nos produtos comprados pela reportagem?

 

Royal Slim

Clobenzorex (anfetamina) – anorexígena

Fluoxetina – antidepressivo

Yellow Black

Sibutramina – anorexígena

Bupropiona – antidepressivo

Diazepam – calmante

Natural Dieta

Clobenzorex

Cafeína

Original Ervas

Sibutramina

Fluoxetina

Entre as substâncias identificadas na análise, estão as que mataram a mulher

Em abril deste ano, uma mulher de 27 anos foi encontrada morta em casa, em Lages, na Serra catarinense. De acordo com a Polícia, ela vinha tomando um emagrecedor, vendido como natural. O IGP examinou o produto e o corpo da mulher e apontou a causa da morte.

— Uma intoxicação pelas substâncias sibutramina e diazepam que são medicações que não podem estar associadas e somente vendidas com receita. E isso causou um edema pulmonar, uma arritmia cardíaca e a levou ao óbito — esclarece André Gargioni, perito médico legista do IGP de Lages.

Conforme apontam especialistas, os compostos e seus efeitos colaterais se espalharam pelo país. Dessa forma, podem estar fazendo vítimas em vários estados.

— Eu acordei sonhando… quando eu me deparei eu tava no chão, desmaiada. Fui pro quarto toda gelada. Eu quase morro, o coração bem acelerado. E eu sonhando, quando eu notei eu tava no chão.

O depoimento acima é a transcrição de um áudio enviado por Luanna Raquel, do Piauí, para uma amiga. Fazia poucos dias que ela havia começado a tomar um composto supostamente natural para emagrecer. Luanna foi levada para o hospital. Morreu três dias depois. Ela tinha 23 anos.

O laudo apontou morte por intoxicação.

— Ela estava se aproximando da formatura dela, estava terminando o curso de administração e aí disse que queria tomar um remédio para ficar bonita para a formatura. Ela começou a tomar, logo ela já teve o problema de saúde. Tem sido um momento difícil, de muita lembrança e também muita indignação ao mesmo tempo — lamenta Plínio Amorim, primo da Raquel.

A polícia do Piauí diz que investiga o caso e tenta chegar ao fornecedor do medicamento. 

— É uma ação de difícil êxito da vigilância sanitária porque são revendedores. Você não encontra um estabelecimento em que esteja lá expostos produtos pra revenda porque ali a vigilância consegue atuar com êxito. A gente entende que é um problema muito grave porque pessoas estão sendo enganadas — enfatiza Vanessa Ezaki, gerente técnica da Agência de Vigilância em Saúde.

Os casos que hoje são investigados pela polícia começaram do mesmo jeito. Na busca por um corpo perfeito, por um reflexo dentro dos padrões estéticos independentemente da idade, da condição financeira, da escolaridade, muitos entram em um caminho perigoso, sem se dar conta dos riscos.

Duas mulheres pararam em UTI

Em Joinville, em Santa Catarina, duas mulheres foram parar na UTI depois de tomar esses emagrecedores. Uma delas, que tem 37 anos, conversou com a reportagem, mas pediu para ter o nome preservado.

— Me interessei porque era natural e a venda era mais facilitada. O que todo mundo quer emagrecer rápido, fácil — explica.

Mas dentro dos dois frascos comprados pela mulher havia mais do que ervas. Continha inibidores de apetite e antidepressivos químicos. Bastaram duas cápsulas para deixar a mulher entre a vida e a morte. Tomou uma de manhã e uma à tarde, seguindo as orientações no rótulo do produto.

— Comecei a ficar bastante tonta e com bastante dor de cabeça. Dai eu liguei para o meu marido, que ele estava trabalhando, falei que eu estava passando mal. Tive convulsões e fiquei internada três dias na UTI em coma com risco de perder um dos rins.

Conforme relatos da vítima, quando finalmente pode voltar para casa, ainda sofreu por mais um mês as consequências pelo uso do produto.

— Fiquei muito tempo ainda tendo arritmia (cardíaca), bastante tontura e falta de memória. Eu piscava o olho e quando ia ver a minha filha estava lá a 10 metros de distância — relembra.

Depois do susto, a mulher ganhou ainda mais peso. Ela continua querendo emagrecer, mas agora, sem atalhos, sem escolher caminhos curtos e perigosos.

— Alimentação saudável e atividade física é o que realmente faz diferença. O que serve de alerta é que realmente não existe milagre. O que vale mais é a nossa vida — orienta.

Vendas

A morte da mulher acendeu a preocupação de médicos e alertou a polícia para a venda indiscriminada de produtos que são rotulados como naturais. De acordo com os investigadores, muitas substâncias são compradas sem controle, sem bulas e vendidas em todo o país. A negociação costuma ser à distância, por telefone, bem como pela internet, e também pelo aplicativo WhatsApp.

Polícia – pílulas para emagrecer

De acordo com a polícia, o que surpreende é a facilidade para a aquisição. “A gente verifica já a facilidade já na aquisição e da entrega também né. São produtos que são entregues pelo correio, simplesmente o cliente liga e recebe na sua casa”, disse o delegado da DIC, Fábio Estuqui.

Médico – pílulas para emagrecer

Para os médicos, esses produtos com comércio livre na internet são uma grande preocupação. Num dos grupos, uma pessoa reclama. E no próprio grupo recebe orientações de outras pessoas.

“Nesse caso, é o uso errado desse caminho. Então a utilização de grupos por telefone que deveriam ser motivadores pra parar, muitas vezes eles vão dar sugestão de como burlar o efeito adverso pra pessoa continuar tomando”, disse o médico endocrinologista Alexandre Hohl.

Substâncias controladas pelo Ministério da Saúde


As substâncias estão na lista das altamente controladas do Ministério da Saúde. Portanto, só podem ser compradas com receita médica especial devido ao alto risco à saúde. Sendo assim, podem causar dependência.


— Aqui não estamos falando de plantas, estamos falando de medicamentos — ressalta Alexandre Hohl, endocrinologista professor da UFSC.


Fonte: NSC TV/ Pílulas para emagrecer vendidas como naturais faz mais vítimas