Sábado - 09:55 - Bombeiro Militar de Campos sequestrado na BR-101 conta detalhes. Veja Abaixo

16 de novembro de 2019 · Vanessa Gualandi · Notícias em Geral

Saiba como bandidos armados com fuzis fizeram militares reféns.

“Estou vivo por um milagre”. Foi assim que o bombeiro militar de Campos, que foi seqüestrado na BR-101 e passou cerca de cinco horas em poder de bandidos armados com fuzis, começou a entrevista exclusiva ao Campos 24 Horas. O relato do bombeiro impressiona. Durante a entrevista, ele diz que saiu de Campos durante a madrugada ao volante de seu carro, na companhia de dois colegas bombeiros militares. Eles estavam armados e iriam ao Rio para fazer exames. E nunca poderiam imaginar que iriam aparecer bandidos armados com fuzis. A partir daí, fala sobre a entrega dos cartões de crédito com as senhas, as ameaças de morte quando os bandidos descobriram que eram militares, o roubo de suas armas, até o momento em que foram libertados vivos. Da entrevista, fica também um alerta aos moradores de Campos e da região que se deslocam para o Rio: evitar viagens durante a madrugada na BR-101.
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 O bombeiro que foi localizado pelo Campos 24 Horas revela todos os detalhes do seqqestro que ocorreu por volta das 5h da madrugada da última terça-feira (12/11). Ele pediu apenas que sua identidade fosse preservada. Confira:

Campos 24 HorasComo vocês foram rendidos e em que ponto da BR-101?

 

Bombeiro – “Paguei o último pedágio que existe no sentido Campos-Rio, já chegando a São Gonçalo, no início do ponto da BR-101 conhecido como Rio-Maninha. Era final da madrugada, entre 5h e 5h30, quando saímos da praça do pedágio. Percorremos apenas 200 metros, quando um carro modelo Mercedes-Benz esportivo saiu do acostamento e nos fechou. Quatro homens armados com fuzis e pistolas saíram do carro e nos renderam. Um deles assumiu o volante do meu carro. Eles entraram em uma estrada, onde trafegamos por cerca de 20 minutos”.

 

C24H- O   que os bandidos pediram inicialmente?

 

B- “Mandaram que ficássemos dentro do meu carro, com a cabeça baixa, na altura dos joelhos, e não olhássemos para eles. Todas as respostas eram dadas de cabeça baixa. Pediram, inicialmente, nossos cartões de banco com as senhas. E logo nos avisaram: se as senhas estivessem erradas, iríamos morrer. Em seguida, chegaram mais quatro bandidos em outro carro e uma mulher em uma moto. Desconfio que foi ela quem saiu com nossos cartões de banco”.

 

C24H- Eles descobriram que vocês eram militares?

 

B- "Sim. Revistaram meu carro e acharam nossas armas. Depois, acharam nossas carteiras. Esse foi o momento de maior tensão. Passaram a perguntar se eram milicianos. E mexeram muito em nossos celulares para tentar descobrir mensagens.”

 

C24H – E o que vocês disseram aos bandidos a partir daí?

 

B- “Falamos que éramos bombeiros da reserva (aposentados) do interior e que não tínhamos ligação com a milícia. Falamos isso por muitas vezes. Mas, para piorar, um deles confundiu meu colega com um agente penitenciário que o havia agredido numa prisão. Foi o pior momento. Eles voltaram a revistar o carro e se mostraram nervosos. Naquele momento, pensei: vamos ser executados a qualquer momento”.

 

C24H – Estavam encapuzados?

 

B- "Inicialmente, sim. Mas, depois que mais quatro comparsas se juntaram a eles, ficaram de cara limpa".

 

C24H – E como conseguiram sair vivos?

 

B- "Após várias horas, eles foram se acalmando. Passaram a nos tratar melhor. Inclusive, deram água a um dos meus colegas e ainda apanharam um remédio de pressão que estava dentro da mala do meu carro”.

 

C24H – Como conseguiram sair de lá?

 

B- “Enquanto estávamos em poder deles, observei que havia uma torre de alta tensão perto dali. Marquei aquela torre como referência. No momento em que resolveram nos libertar, a bateria do meu carro caiu e não consegui dar a partida. Foi, então, quando nos levaram no carro deles até um ponto da estrada, a cerca de 1 Km da BR-101. Mandaram que fossemos caminhando sem olhar para trás.

 

C24H- Qual foi a sensação?

 

B- "E ainda aconteceu algo que não esperava. No momento em que nos libertaram, devolveram o chip do meu celular, documentos e nos uma nota de R$ 50,00 para pegar um ônibus".

 

C24H – E o seu carro? E quanto roubar poderiam imaginar que iriam aparecer bandidos armados com fuzis. A partir daí, fala sobre a entrega dos cartões de crédito com as senhas, as ameaças de morte quando os bandidos descobriram que eram militares, o roubo de suas armas, até o momento em que foram libertados vivos. Da entrevista, fica também um alerta aos moradores de Campos e da região que se deslocam para o Rio: evitar viagens durante a madrugada na BR-101.

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 O bombeiro que foi localizado pelo Campos 24 Horas revela todos os detalhes do seqqestro que ocorreu por volta das 5h da madrugada da última terça-feira (12/11). Ele pediu apenas que sua identidade fosse preservada. Confira:

Campos 24 HorasComo vocês foram rendidos e em que ponto da BR-101?

 

Bombeiro – “Paguei o último pedágio que existe no sentido Campos-Rio, já chegando a São Gonçalo, no início do ponto da BR-101 conhecido como Rio-Maninha. Era final da madrugada, entre 5h e 5h30, quando saímos da praça do pedágio. Percorremos apenas 200 metros, quando um carro modelo Mercedes-Benz esportivo saiu do acostamento e nos fechou. Quatro homens armados com fuzis e pistolas saíram do carro e nos renderam. Um deles assumiu o volante do meu carro. Eles entraram em uma estrada, onde trafegamos por cerca de 20 minutos”.

 

C24H- O   que os bandidos pediram inicialmente?

 

B- “Mandaram que ficássemos dentro do meu carro, com a cabeça baixa, na altura dos joelhos, e não olhássemos para eles. Todas as respostas eram dadas de cabeça baixa. Pediram, inicialmente, nossos cartões de banco com as senhas. E logo nos avisaram: se as senhas estivessem erradas, iríamos morrer. Em seguida, chegaram mais quatro bandidos em outro carro e uma mulher em uma moto. Desconfio que foi ela quem saiu com nossos cartões de banco”.

 

C24H- Eles descobriram que vocês eram militares?

 

B- "Sim. Revistaram meu carro e acharam nossas armas. Depois, acharam nossas carteiras. Esse foi o momento de maior tensão. Passaram a perguntar se eram milicianos. E mexeram muito em nossos celulares para tentar descobrir mensagens.”

 

C24H – E o que vocês disseram aos bandidos a partir daí?

 

B- “Falamos que éramos bombeiros da reserva (aposentados) do interior e que não tínhamos ligação com a milícia. Falamos isso por muitas vezes. Mas, para piorar, um deles confundiu meu colega com um agente penitenciário que o havia agredido numa prisão. Foi o pior momento. Eles voltaram a revistar o carro e se mostraram nervosos. Naquele momento, pensei: vamos ser executados a qualquer momento”.

 

C24H – Estavam encapuzados?

 

B- "Inicialmente, sim. Mas, depois que mais quatro comparsas se juntaram a eles, ficaram de cara limpa".

 

C24H – E como conseguiram sair vivos?

 

B- "Após várias horas, eles foram se acalmando. Passaram a nos tratar melhor. Inclusive, deram água a um dos meus colegas e ainda apanharam um remédio de pressão que estava dentro da mala do meu carro”.

 

C24H – Como conseguiram sair de lá?

 

B- “Enquanto estávamos em poder deles, observei que havia uma torre de alta tensão perto dali. Marquei aquela torre como referência. No momento em que resolveram nos libertar, a bateria do meu carro caiu e não consegui dar a partida. Foi, então, quando nos levaram no carro deles até um ponto da estrada, a cerca de 1 Km da BR-101. Mandaram que fossemos caminhando sem olhar para trás.

 

C24H- Qual foi a sensação?

 

B- "E ainda aconteceu algo que não esperava. No momento em que nos libertaram, devolveram o chip do meu celular, documentos e nos uma nota de R$ 50,00 para pegar um ônibus".

 

C24H – E o seu carro? E quanto roubaram em dinheiro?

 

B- "Fomos a um posto de combustíveis e conseguimos falar com a Polícia Militar. Como eu tinha marcado uma torre de rede de alta tensão,  disse aos policiais e conseguimos visualizar a torre e chegar até o carro.

Ao todo, nos roubaram em torno de R$ 6 mil entre dinheiro e objetos pessoais, além de terem roubado nossas armas”.

 

C24H- Passados quatro dias do sequestro, qual a sensação?

 

B- “Foi um renascimento. Estamos vivos por um milagre. Deus quis que ficássemos vivos”.

 

Fonte: Campos 24 Horas