Sexta-feira - 19:52 - Novo surto na China: médicos detectam sintomas diferentes nos casos de infectados por coronavírus. Veja abaixo
Tempo de incubação vizinha.
Os dados oferecidos pelo especialista chinês são preliminares, parciais e não foram publicados nem revisados por pesquisadores independentes, por isso ainda não permitem tirar conclusões. Alguns especialistas na genética do vírus são céticos de que o SARS-CoV-2 ―um vírus com uma taxa de mutação baixa em comparação a outros patogênicos― possa ter mudado tanto para que o período de incubação, a virulência ou sua presença em diferentes órgãos seja diferente da observada em outras zonas. O mais provável é que o observado na China não tenha uma correlação clara com as mutações do vírus, explicou à Bloomberg Keiji Fukuda, diretor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong. Não se pode dizer que o vírus mudou enquanto não houver “provas muito claras”, acrescentou. As diferenças detectadas podem se dever ao fato de os médicos terem mais tempo e meios para observar os pacientes. Em Wuhan, no início da pandemia, os hospitais estavam superlotados e com falta de material, razão pela qual apenas os casos mais graves puderam ser atendidos. Agora a China tem a epidemia praticamente sob controle e os novos surtos são muito menores.
Na quarta-feira a Comissão Nacional de Saúde registrou cinco novos casos, um a menos que no dia anterior. Quatro deles foram infectados localmente, o quinto era um viajante que chegou do exterior. No total, a China registrou 82.965 casos desde o início da pandemia, dos quais 4.634 morreram, segundo dados oficiais. A maioria dos contágios na crise foi detectada na província de Hubei, onde está localizada Wuhan e onde foram encontrados cerca de 68.000 casos.
Os surtos no nordeste da China deixaram em evidência a dificuldade de controlar totalmente a transmissão da doença, inclusive nos países mais equipados para detectar os casos. “As pessoas não devem supor que o pico passou e baixar a guarda”, disse o especialista em doenças infecciosas Wu Anhua à televisão chinesa. “É perfeitamente possível que a epidemia continue por muito tempo.”
Em uma demonstração do interesse de Pequim em conter os surtos no nordeste, a vice-primeira-ministra Sun Chunlan, que liderou o grupo de trabalho do Governo para conter o vírus em Wuhan, foi até a região na semana passada. Nessa área, as cidades de Jilin e Shulan fecharam suas entradas e somente aqueles que tiverem resultado negativo para o coronavírus não mais de 48 horas antes de sua viagem têm a permissão de sair das cidades.
Shulan, de 700.000 habitantes, foi mais longe nesta segunda-feira e impôs um estrito confinamento aos habitantes. Apenas uma pessoa por família pode sair à rua, uma vez a cada dois dias e durante apenas duas horas, para comprar provisões. Nos complexos residenciais em que casos foram confirmados, nem isso pode ser feito: são as lojas que levam os alimentos a esses blocos de edifícios e o comitê de moradores se encarrega de distribuí-los andar por andar.
Fonte: EL PAÍS