Segunda-feira - 16:50 - Moro afirma que Bolsonaro não apoiou agenda de combate à corrupção e critica aliança com 'Centrão'. Clique na imagem para mais informações

25 de maio de 2020 · Adilson Ribeiro · Notícias em Geral

Rio - O ex-ministro da Justiça, Sergio Moro falou sobre sua participação no governo Bolsonaro, neste domingo, em entrevista ao 'Fantástico', da TV Globo. Após um mês da a que essa argumentação de que não havia desejo de interferência na Polícia Federal não é propriamente correto. Esse vídeo é mais um dos elementos de prova. Nós tivemos a reunião ministerial, na qual novamente ele externou essa situação de que ele queria trocar, intervir, porque os serviços de inteligência não funcionavam, ele precisava trocar. E ele ali, me parece claro, até pelo gestual que ele realiza, que ele se refere a mim. Ele fala da Polícia Federal. Agora, eu não ia discutir isso no âmbito de uma reunião ministerial. Até porque ali o ambiente não era um ambiente muito favorável ao contraditório", afirmou.
O ex-ministro também afirmou que o combate à corrupção não foi prioridade durante o governo, já que a "agenda anticorrupção não teve um impulso por parte do presidente da República". "Eu tinha um compromisso com combate à corrupção, com combate à criminalidade violenta, combate ao crime organizado. E, em partes, foi realizado - especialmente à criminalidade violenta - o combate ao crime organizado. O que eu entendi, no entanto, é que essa agenda anticorrupção - e me desculpem aqui os seguidores do presidente, se essa é uma verdade inconveniente -, mas essa agenda anticorrupção não teve um impulso por parte do presidente da república pra que nós implementássemos. Então, nós tivemos lá, por exemplo, a transferência do Coaf do Ministério da Justiça, não houve um empenho do Planalto pra que fosse mantido no âmbito do Ministério da Justiça", argumentou.
"Depois houve o projeto anticrime, que não houve, a meu ver, um apoio adequado por parte do Planalto. Houve lá mudança do entendimento da execução em segunda instância, depois foi apresentado proposta de emenda constitucional para restabelecer execução em segunda instância, que é algo muito importante contra a corrupção. Não houve uma palavra do presidente da república em apoio Então, essa interferência na Polícia Federal, a meu ver, vem no âmbito de um contínuo. Em que eu via essa agenda anticorrupção ser cada vez mais esvaziada", concluiu.
Sergio Moro também criticou a postura de Bolsonaro a criar alianças com o "Centrão". "Recentemente, vimos essas alianças, que são realizadas com políticos que não têm não um histórico, assim, totalmente positivo dentro da história da administração pública. É certo que é preciso ter alianças no parlamento pra conseguir aprovar projetos. Então, eu acabei entendendo com essa interferência que, olha, não faz sentido eu permanecer no governo. Até porque, qual que era a minha percepção? O governo se vale da minha imagem, que eu tenho esse passado de combate firme contra a corrupção, e de fato o governo não está fazendo isso. Não é? Não está fortalecendo as instituições para um combate à corrupção", reforçou.
Fonte: O DIA.