Quarta-feira - 13:40 - Polícia de Witzel deu início às investigações que alcançaram o próprio governador. Clique na imagem para mais informações

27 de maio de 2020 · Adilson Ribeiro · Notícias em Geral

A própria Polícia Civil do governador Wilson Witzel deu origem às investigações que culminaram, na terça-feira, na busca e apreensão na residência oficial do governo do estado: o Palácio Laranjeiras. A informação consta em nota da Polícia Federal anunciando a Operação Placebo, cuja finalidade é apurar os desvios de recursos públicos, durante a situação de emergência pela pandemia causada pelo coronavírus. No dia 17 de abril, Witzel determinou que a polícia abrisse inquérito para apurar indícios de fraude na seleção de empresas para a montagem de sete hospitais de campanha do estado para atendimentos das vítimas da Covid-19. A decisão foi motivada por denúncia divulgada no site G1, na mesma semana. Os investigadores teriam encontrado indícios da participação do ex-subsecretário estadual de Saúde Gabriell Neves na escolha das empresas. O inquérito passou, então, para o Ministério Público do Rio (MPRJ).

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Neves, que já estava preso no Complexo de Gericinó por causa de uma outra investigação do MPRJ por compras superfaturadas de mil respiradores, que custaram R$ 123 milhões, foi ouvido por outro grupo de promotores, desta vez, pelos indícios de fraude nos hospitais de campanha. Baseada no depoimento de nove horas de Gabriell Neves e algumas provas da Polícia Civil, a promotora Denise Pieri, titular da 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro, compartilhou informações com o Ministério Público Federal (MPF). Coube aos procuradores da República pedirem buscas e apreensões em 12 locais ligados a Witzel e pessoas da cúpula do Poder Executivo, incluindo o ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos (mantido no governo como secretário de Acompanhamento das Ações Governamentais Integrada da Covid-19, mesmo depois dos escândalos de suposto esquema de fraudes na pasta). Como Witzel tem foro privilegiado, o pedido foi feito ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em sua decisão, o ministro do STJ Benedito Gonçalves - que assinou os mandados no 21 de maio - cita que o inquérito foi instaurado pelo MPF. Os procuradores da república justificam o pedido, explicando que seria para apurar as "possíveis irregularidades na execução do programa estatal de enfrentamento ao Covid-19, no Estado do Rio de Janeiro, onde diversos contratos foram supostamente firmados com valores superiores aos praticados no mercado". O ministro ressalta ainda no documento que o MPF encontrou indícios da "participação ativa" do governador Wilson Witzel, quanto ao conhecimento e comando das contratações com as empresas. A investigação sobre as empresa, boa parte formada por Organizações Sociais (OSs), foi justamente o fio da meada para se chegar até a mulher do governador, Helena Witzel.

Segundo a decisão do ministro Benedito Gonçalves, o MPF informou no pedido pelos mandatos de busca e apreensão que, no compartilhamento de provas com a Justiça Federal, há um "vínculo bastante estreito e suspeito" entre a primeira-dama do governo do estado, Helena Witzel, e as empresas de interesse do empresário Mário Peixoto, preso no último dia 14. Peixoto foi o alvo da Operação Favorito, acusado de montar um esquema fraudulento de contratações de suas Organizações Sociais com a secretaria estadual de Saúde para prestar serviços em Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) do estado. Durante a ação da força-tarefa da Lava-Jato, formada pelo MPF, Polícia Federal e Receita Federal, foram presas cinco pessoas, incluindo Mário Peixoto e dois homens que apontados como operadores financeiros do esquema.

De acordo com a decisão do ministro Benedito Gonçalves, o vínculo entre a mulher de Witzel e Mário Peixoto foi encontrado, em especial, num contrato de prestação de serviços de honorários advocatícios entre Helena Witzel Sociedade Individual de Advocacia e a empresa DPAD Serviços Diagnósticos LTDA, que seria ligada ao empresário. Há, inclusive, comprovantes de transferência de recursos entre as duas empresas. Por nota, a assessoria da primeira-dama confirmou que o escritório dela prestou serviços para a empresa apontada pelo MPF, no caso, a empresa vinculada a Mário Peixoto, de acordo com as investigações. No entanto, segundo rcelas de R$ 15 mil.

Fonte: Extra.