Quarta-feira - 09:36- Policial investigado por morte de João Pedro ficou com material apreendido na operação. Veja abaixo
Um dos policiais civis investigados pelo homicídio do adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, teve contato e transportou provas que fazem parte da investigação que apura o crime. O agente — que é justamente o que mais fez disparos dentro da casa onde o menino foi morto — foi nomeado, pelo delegado responsável pelo inquérito, depositário de três granadas que os policiais afirmam ter encontrado no local. O inspetor, então, transportou as granadas da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) até a perícia no mesmo dia da operação.
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Os explosivos foram apresentados pelos m dos artefatos, era uma granada de mão modelo M3, um produto controlado pelo Exército, de uso restrito. Os outros dois eram explosivos de fabricação caseira. Nenhum deles estava detonado. Todos os artefatos foram destruídos durante a perícia “tendo em vista o risco em potencial que representa o seu manuseio, transporte e armazenamento”. O laudo já faz parte do inquérito.
Desde o início das investigações, a Defensoria Pública do estado, que representa a família de João Pedro, defende que, como policiais civis são investigados pelo crime, o inquérito deve ser conduzido por um órgão independente.
Por isso, anteontem, amigos de João Pedro prestaram depoimentos a promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do Ministério Público do Rio. Na semana passada, a DHNSGI intimou os parentes a prestarem depoimentos na especializada, mas a família não compareceu.
Ministério Público tem procedimento separado
O MP já abriu um Procedimento de Investigação Criminal independente da investigação da Polícia Civil. O inquérito ainda segue na DHNSGI, à espera de laudos periciais, como o de local de crime e o de comparação balística entre o projétil encontrado no corpo do menino e as armas dos policiais.
A Polícia Civil informou, por meio de nota, que “de acordo com a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, os explosivos foram fotografados durante a perícia de local. Após isso, a unidade solicitou que, por questões de segurança, os artefatos fossem transportados pela Core à delegacia, onde foi formalizada a apreensão”.
Dois depoimentos, duas versões
Na última segunda-feira, o EXTRA revelou que um fuzil M16 calibre 556 usado por um policial civil para fazer disparos dentro da casa onde João Pedro foi morto só foi apreendido uma semana após o crime. A arma é do mesmo calibre do projétil que atingiu a vítima.
Horas após a operação, o agente — o mesmo que transportou os explosivos — omitiu que havia usado o fuzil no depoimento que prestou na DHNSGI. A arma só foi entregue à perícia no último dia 25, depois de o projétil ter sido encontrado no corpo da vítima, quando o policial, em novo depoimento, admitiu ter usado o fuzil M16 na ação.
Todos os três policiais civis que entraram na casa mudaram as versões que deram sobre a quantidade de tiros que dispararam. No primeiro depoimento, logo após o crime, eles afirmaram terem dado, juntos, 23 disparos. Uma semana depois, no último dia 25, eles voltaram à delegacia e afirmaram que atiraram um total de 64 vezes no dia do homicídio.
