Quarta-feira - 11:20 - Citada como exemplo por Bolsonaro, Suécia admite que deveria ter adotado medidas de isolamento mais duras contra Covid-19. Veja abaixo
Citada pelo presidente Jair Bolsonaro como exemplo no combate à Covid-19, a Suécia admitiu que deveria ter adotado medidas mais contundentes de isolamento social para conter a pandemia. Em resposta a críticas crescentes sobre a posição do país, o arquiteto da resposta oficial de Estocolmo, baseada em ações voluntárias dos cidadãos, admitiu que uma abordagem mais dura poderia ter evitado o alto número de mortes registrado no país.
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— Sim, acho que poderíamos ter feito mais do que fizemos na Suécia, claramente — disse Anders Tegnell, epidemiologista-chefe da Agência de Saúde Pública sueca, à rádio Sveriges. — Se encontrássemos a mesma doença, sabendo exatamente o que sabemos hoje, acho que acabaríamos fazendo algo entre o que a Suécia fez e o que o resto do mundo fez.
A Suécia tem uma taxa de mortalidade por Covid-19 mais baixa que países como Reino Unido, Espanha e Itália — os epicentros da doença na Europa. No entanto, com 443 mortes por um milhão de pessoas, a nação possui o oitavo maior número de mortes per capita do planeta pelo novo coronavírus, situação bastante crítica comparada a de outros lugares que impuseram quarentenas totais. Em parte do mês de maio, conforme seus vizinhos nórdicos conseguiam controlar o contágio pelo novo coronavírus, a Suécia teve a maior taxa de mortalidade do continente europeu.
A admissão de Tegnell veio após meses de críticas a outros países europeus que adotaram lockdowns: até este momento, o governo sueco, de centro-esquerda, insistia que sua abordagem frente à doença era economicamente mais sustentável. A insistência gerou uma série de questionamentos e críticas internacionais e domésticas, isolando Estocolmo no bloco europeu.
No ápice da pandemia, a Suécia foi um dos poucos países em que cafés e restaurantes ficaram abertos, escolas para alunos abaixo de 16 anos funcionavam e onde amigos e parentes ainda podiam se reunir. As fronteiras continuaram abertas para visitantes eu icos e diplomatas ouvidos pelo Financial Times apontam para uma mudança de opinião motivada principalmente pelo isolamento sueco, frente ao fechamento das fronteira pelos vizinhos.
Os diplomatas e políticos ouvidos pelo FT apontam que a insatisfação com a estratégia adotada coincide com uma mudança do tom da mídia local, que vem sendo mais crítica ao governo. Outros aspectos que geram insatisfação são o grande número de mortos em casas de repouso e a baixa testagem para a Covid-19 no país. Na semana passada, apenas um terço da meta de 100 mil exames semanais foi atingido.