Segunda-feira - 12:49 - Balanço: impeachment avança, delação e isolamento;governador cada vez mais perto da forca. Veja Abaixo

13 de julho de 2020 · WM · Notícias em Geral

Investigações do MPRJ e processo de impeachment na Alerj avançam. Governo considerado desastroso já tem membros presos e delação

Da Redação do Campos 24 Horas: Cansado de suas últimas escolhas, o eleitorado fluminense decidiu apostar nas últimas eleições num outsider com um discurso duro e moralizador quanto à segurança pública e ao combate à corrupção. Com seu alinhamento a Jair Bolsonaro, o juiz federal Wilson Witzel (PSC) bateu o candidato Eduardo Paes (MDB), vinculado ao grupo político até então hegemônico no Rio, que tinha como referência negativa o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), preso por uma série de crimes quando ocupava o Palácio Guanabara. O resultado acabou sendo uma surpresa, uma vez que Witzel aparecia nas primeiras pesquisas com apenas nove por cento das intenções de votos. Não demorou, porém, para que cariocas e fluminenses tivessem a confiança traída e colecionassem mais uma frustração. A situação de Witzel é considerada complicada, com delação recente e entrega de alta quantia em dinheiro, prisões de membros do governo e de fornecedores, além do isolamento político na Alerj. E ainda há suspeita de que o governador perdeu o controle da administração para alguns amigos sobre os quais pesam graves suspeições e investigação sobre possível envolvimento da primeira-dama. O Campos 24 Horas faz um balanço da situação de Witzel, cujo governo é considerado desastroso.
 

Witzel, nascido em Jundiaí-SP, faz um governo tão desastroso que, na Assembléia Legislativa (Alerj), onde tramita contra ele um processo de impeachment, já não há quase ninguém que aposte que o ex-magistrado vá cumprir seu mandato até o final. O processo de impeachment está sendo comandado por dois deputados do Norte Fluminense: o macaense Chico Machado (presidente da comissão) e o campista Rodrigo Bacelar (relator).

 

É bem verdade que Witzel assumiu um Estado quase à beira da falência, com dívidas gigantescas que travam até hoje a capacidade de arcar com o custeio da máquina pública e investimentos. Mas os seguidos tropeços administrativos do governador e as práticas escancaradas de corrupção na área da Saúde, com a prisão de dois secretários da pasta, Gabriel Neves e Edmar Santos, podem turbinar o movimento pelo seu afastamento na Alerj. (leia mais abaixo)










 

Os deslizes de Witzel tiveram início do mês de janeiro deste ano, com o episódio da água distribuída pela Cedae na Região Metropolitana do Rio de Janeiro,que começou a apresentar mau cheiro e uma cor turva fora do padrão para o consumo da água potável. Moradores sentiram diarréia e mal-estar após entrarem em contato com a água.

 

À época, o governador estava de férias na Disney, sendo duramente criticado por extrapolar o prazo estipulado por ele mesmo para solucionar o problema e ter demorado dez dias para se manifestar, além de omissão para resolver o problema.

 

Em seguida, no início da gestão das verbas emergenciais na pandemia do novo coronavírus, o governo Witzel submergiu em meio a suspeitas de corrupção que envolveu secretários de Estado. O próprio governador foi incluindo num inquérito que apura desvios na compra de respiradores, entre superfaturamentos, entrega de menos de 15% dos respiradores vendidos a R$ 183,5 milhões e a inadequação dos equipamentos para manter pacientes em estágio crítico. Hospitais de campanha prometidos não foram entregue, incluindo o de Campos. (leia mais abaixo)










 

Um dos fornecedores deste material, Maurício Monteiro Fontoura, foi preso na Operação Mercadores do Caos.  Em seguida, foram presos Gabriel Neves, subsecretário de Saúde, e Gustavo Borges, superintendente de Suprimentos, Logística e Patrimônio da mesma pasta.

 

Logo depois foi preso o empresário Mário Peixoto, que atuava como fornecedor ao governo estadual desde a gestão de Sérgio Cabral, com ligações também junto ao ex-deputado Paulo Melo, que se encontra preso também por corrupção. Peixoto tinha vencido um contrato sem licitação de R$ 72 milhões. Apontado como tendo relações com a OS (organização social) Iabas, que teria cometido irregularidades na compra de respiradores, também seria ligado ao ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais, Lucas Tristão, já exonerado. leia mais abaixo)

 

Antes, em junho de 2019, Witzel perdeu seu segundo secretário estadual de saúde em pouco mais de um mês, caso de Fernando Ferry, que pediu demissão em junho, afirmando que um dos motivos que o levaram a essa decisão foi “uma pressão sofrida para continuar pagando contratos com problemas”.










 

Nem mesmo o Palácio Laranjeiras escapou do alvo das investigações. Na residência oficial do governador, a operação também fez busca e apreensão, assim como no escritório de advocacia de Helena Witzel, primeira dama fluminense, e da casa do secretário Edmar Santos (Saúde), onde foram encontrados R$ 8,5 milhões.

 

Nas duas operações, as investigações concluíram que, a partir de provas obtidas por escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, Witzel, supostamente, teria algum conhecimento das negociatas no seio do Governo, e que sua esposa teria colaborado nisso. (leia mais abaixo)

 

SIGILO - Nas últimas investigações do Ministério Público Estadual (MPRJ) os promotores mantiveram sob sigilo o nome do delator e o local onde foram encontrados cerca de R$ 8,5 milhões que seriam atribuídos ao ex-secretário Edmar Santos. O sigilo decorre da necessidade de comprovar outros fatos tão ou mais graves do que o esconderijo da dinheirama.

 

Neste caso, a apreensão destes valores é apenas a parte já comprovada da extensa delação em poder do MPRJ.  Aliás, uma fonte do MPRJ afirma que outros fatos relevantes devem surgir nos próximos dias como resultado da continuidade das investigações, a partir do roteiro fornecido pelo misterioso delator, além da estratégia do MPRJ em não confirmar o endereço onde os R$ 8,5 milhões foram encontrados. (leia mais abaixo)

 

MOSCA AZUL - Nos corredores da Alerj, deputados afirmam que Witzel, durante seu mandato, se deixou picar pela “mosca azul”, seduzido pela possibilidade de ser candidato à presidência da República, o que lhe levou a rusgas com o Planalto até romper com Bolsonaro. Outros parlamentares avaliam que o governador perdeu o controle da administração para alguns amigos sobre os quais pesam graves suspeições. Witzel não conseguiu imprimir um ritmo administrativo, tampouco teve capacidade para definir projetos e prioridades. (leia mais abaixo)










 

O governante se tornou alvo de mais de 10 pedidos de impeachment na Alerj, ao ver sua base aliada se esvaziar no Palácio Tiradentes, o que o levou a um claro isolamento político, a ponto de contar com escassos parlamentares declaradamente governistas. O pouco que restava de sua base de apoio ruiu, principalmente após seu secretário Lucas Tristão supostamente ter afirmado que o governo produziu dossiês contra todos os 70 deputados estaduais, além do surgimento de outras denúncias de espionagem na Casa de leis.

Fonte: Campos 24 Horas.