Quarta-Feira - 14:20 - Roberto Henriques: Campos precisa buscar dinheiro novo. Veja Abaixo
Ex-deputado estadual e candidato a prefeito pelo PCdoB, Roberto Henriques reconheceu que, hoje, a despesa do município de Campos é maior do que a receita. Em um cenário de queda na arrecadação dos royalties do petróleo, “a conta não fecha”. Ele critica as gestões dos ex-prefeitos Arnaldo Vianna e Rosinha Garotinho pelas “gastanças” e fala que ambos deveriam “pedir desculpas e não votos”. Para tentar reverter esse cenário, Roberto propõe a elaboração de uma equipe técnica exclusiva para buscar “dinheiro novo”, seja de recursos federais, estaduais ou para formatar projetos de captação de novas verbas. “O próximo prefeito deverá responder a quatro perguntas: o que fazer? Como fazer? Quanto custa? E onde está o dinheiro? Estou preparado para dar essas respostas porque não estarei sozinho”. Sobre os programas sociais, o prefeitável afirmou ser inviável que retornem logo nos primeiros meses de seu eventual governo, mas garantiu que serão prioridades. Em meio a toda discussão política, paira a possível redistribuição dos royalties. Segundo o jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai adiar o julgamento sobre o tema, marcado para dezembro, após movimentações das forças políticas do Rio de Janeiro. Caso ocorra mudanças nas atuais regras, o candidato afirmou que seria a “insolvência do Estado do Rio e de Campos”. Sobre seu passado como ex-aliado de Anthony Garotinho e vice-prefeito no governo Alexandre Mocaiber, Roberto declarou: “Não existe a função pública de ‘vice-prefeito de alguém”’ O que existe é de vice-prefeito municipal. É do domínio público que e ano, pelo que a Prefeitura classificou como “falha humana”, o município ficou sem nota por não enviar os dados. Por outro lado, a implantação do Centro Municipal de Educação Integral (Cemei) é visto como um ponto positivo. Qual a sua nota para a Educação de Campos? Se eleito, pretende dar continuidade ao Cemei?
Roberto – Já que estamos falando também de uma grande rede de funcionários que é a Educação, fui o primeiro a lançar o compromisso de reconhecer a autonomia da Previcampos. No meu governo os seus diretores serão eleitos pelos servidores. Nota só dou para os profissionais da Educação, dentre eles, para a minha esposa: nota 10. Conheço a realidade das unidades escolares, que se sustentam graças ao idealismo desses servidores e de funcionários dedicados. No nosso governo, a Educação será uma prioridade de verdade. Sou naturalmente sensível e historicamente comprometido com as causas da Educação. Vamos dialogar, descobrir caminhos e colocar toda energia para viabilizarmos nossa caminhada rumo a estágios bem superiores para a educação municipal. O nosso partido tem no Governo do Maranhão a mais exitosa experiência de política educacional do Brasil: investimentos em estrutura, medidas pedagógicas e valorização salarial. Quanto à escola em tempo integral, não se pode criar apenas um painel de propaganda. Ela é mais que isso. É um ideal que o Estado Brasileiro tem que alcançar para ser uma nação desenvolvida.
Folha – Programas sociais, entre eles o Cheque Cidadão, alvo da operação Chequinho no governo Rosinha Garotinho (hoje, Pros), a Passagem Social e o Restaurante Popular foram cortados na gestão Rafael pela queda de arrecadação. Com o atual cenário financeiro, sem nenhuma perspectiva de melhora a curto prazo, é possível planejar a retomada desses programas?
Roberto – Em todos os lugares do mundo que se desenvolveu foi criada uma rede de proteção social. Precisamos ter programas que não sejam só compensatórios, mas que sejam emancipatórios também. Nos primeiros meses é impossível retornar esses programas sociais, mas seus retornos estarão no nosso calendário de urgências.
Folha – O transporte público é outro serviço contestado. Qual a sua opinião sobre o sistema tronco-alimentador? Caso pretenda mudá-lo, como e o que faria? Você é favorável à volta das vans na área central, que sempre geraram reclamações? O transporte clandestino foi combatido pelo governo Rafael, que teve integrantes ameaçados de morte. Em seu governo, o Centro seria de novo dominado por vans e lotadas?
Roberto – Onde está esse tal sistema tronco alimentador? Ele não existe. O que existe é um arremedo vergonhoso que expõe seres humanos a humilhações. Foram feitos só improvisos na Política de transportes públicos nas últimas décadas. Por isso vivemos em crises no setor. Vamos acabar com os improvisos. No primeiro momento, vamos exigir o cumprimento dos horários, dos itinerários, além da higiene e da manutenção da frota. Vamos, a seguir, buscar a implantação de um planejado sistema de transportes público com amplo diálogo com os usuários, permissionários e com riqueza técnica. Não se implanta um sistema complexo com improvisos e a toque de caixa.
Folha – Segurança pública é dever do Estado, mas cada vez mais estão sendo traçadas ações conjuntas com os municípios. Em Campos, por exemplo, a mais recente foi a instalação do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp). Atual secretário de Segurança Pública, Darcileu Amaral defende que a Guarda Civil seja armada. Como você avalia essa opinião e a atual política municipal na Segurança? E qual a sua proposta?
Roberto – Apesar da Segurança Pública não ser uma atribuição do prefeito, vamos promover ações conjuntas e colaborativas com os braços do governo estadual que atuam em Campos. Quanto à proposta de armar a Guarda Civil Municipal, sou favorável que um grupamento especial bem treinado seja portador de armamentos letais.
Fonte: Folha 1