Terça-feira - 11:03 - Gêmea trans que passou por cirurgia de readequação de sexo em SC fala sobre o futuro: 'Mal comecei minha luta'. Veja Abaixo
Sofia, que recebeu alta no domingo, um dia após a irmã, diz que vai em busca da conquista dos seus direitos e do respeito da sociedade. Ela e a irmã fizeram procedimento na semana passada em Blumenau.
Sofia Albuquerck, de 19 anos, se recupera bem da cirurgia de readequação de sexo que ela e a irmã gêmea, Mayla Phoebe de Rezende, realizaram em um hospital de Blumenau, no Vale do Itajaí. O sonho delas virou realidade, mas para Sofia, que fez o procedimento na quinta-feira (11), o caminho de lutas e de conquistas está apenas começando.
"Na verdade, mal comecei minha luta, eu ainda tenho que conquistar os meus direitos, o meu lugar na sociedade e o respeito dela. Eu quero deixar meu legado, quero ajudar pessoas, terminar minha faculdade, abrir minha própria empresa. Não adianta eu ter chegado até aqui e achar que acabou. Como papel de cidadã, eu ainda tenho muito coisa a fazer", disse a estudante de engenheira civil.
Mayla e Sofia nasceram com o sexo biológico masculino e discutiam a transição para o feminino desde antes da maioridade. As gêmeas sabiam da possibilidade de fazer o procedimento desde criança. Elas passaram pela mamoplastia ano passado.
Os recursos para arcar com as despesas da cirurgia, feita pelo sistema privado, vieram do avô, que vendeu uma casa para conseguir o dinheiro.
"Quando saiu [a possibilidade de fazer cirurgia de] readequação sexual, eu falava, gente estou sonhando, eu não acreditava. Eu pensei que ia acordar e ficaria muito frustrada. Mas, quando a minha irmã fez, eu pensei: 'Amanhã sou eu! Amanhã acaba tudo isso, todo esse sofrimento'", disse.
Sofia conhece bem os desafios que ela e a irmã enfrentarão a partir de ago k-type="raw" data-block-weight="1" data-block-id="23">
Legislação
Conforme mostra o vídeo abaixo, em 2020 novas regras para a cirurgia de transição de gênero foram aprovadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). A resolução amplia o acesso à cirurgia e também ao atendimento básico para transgêneros.
A norma reduziu de 18 para 16 anos a idade mínima para o início de terapias hormonais e define regras para o uso de medicamentos para o bloqueio da puberdade. Procedimentos cirúrgicos envolvendo transição de gênero estão proibidos antes dos 18 anos. Antes era preciso esperar até os 21 anos.
Fonte: G1.