Terça-Feira - 21:25 - Nova variante do vírus da Covid-19 identificada no Rio tem maior capacidade de transmissão, segundo especialistas. Veja Abaixo
A Fiocruz confirmou, na tarde desta terça-feira, que a nova cepa do coronavírus, a P1, foi registrada no estado do Rio de Janeiro
A variante P.1 foi identificada primeiramente em Manaus, no Amazonas. No início do mês de fevereiro, pacientes da capital manauara foram transferidos para o Rio de Janeiro, por conta da crise na saúde do estado do norte.
"Todas essas variantes, sem exceção, a da Califórinia, da África do Sul, a Amazônica, e a outra de Roraima, todas elas são muito semelhantes, porque tem uma mutação no material genético da proteína AS que faz com que ela tenha uma ligação mais forte com os receptores nas vias aéreas, o que aumenta a transmissibilidade. A P1 ainda está sendo analisada, mas, se acredita pelas mutações que ela já apresentou, que ela seja muito semelhante a variante inglesa e por isso seja mais transmissiva", explicou o médico infectologista e epidemiologista, Bruno Scarpellini.
Segundo os especialistas, ainda não se tem estudos comprovados de que a cepa P1 seja mais agressiva ou letal, mas os dados iniciais já apontaram que a nova variante pode causar mais doenças e atingir mais jovens.
"Ela tem capacidade de causar mais doenças, por causa da capacidade maior de transmissão. A variante causa infecção com cargas virais bastante elevadas e ela tem uma afinidade pelo receptor da célula humana muito maior que a cepa original, então ela tem capacidade de causar um maior número de casos e, obviamente, de infectar mais jovens", analisou o médico infectologista Alberto Chebabo.
"A P1 surgiu desse novo surto, da terceira onda amazônica. Aconteceu uma crise humanitária, sem respirador e oxigênio. Deveria ter sido feito um lockdown em Manaus, e uma grande campanha de vacinação na região, para ter tentado controlar essa história. A partir do momento, que os doentes vão sendo transferidos para outras cidades do Brasil, é natural que essa variante comece a ser introduzida em outros locais", disse Bruno Scarpellini.
Com a circulação da nova cepa do vírus no estado, com ainda mais capacid navírus. Mas, para o infectologista Bruno Scarpellini, a Coronavac possa reagir melhor à P1.
"Aparentemente, a gente só tem uma vacina no Brasil que seria capaz de driblar essa variante, que é a Coronavac, do Butantã, por ser uma vacina de vírus integral. A gente não tem dados da Astrazeneca para a P1, a gente tem dados para a variante sul-africana e a inglesa, onde teve uma pequena perda de eficácia, então, é possível que ela tenha perda de eficácia é possível que ela também tenha perda com a variante da P1", analisou o médico.
Mas Alberto Chebabo alerta que essa perda também pode acontecer com a Coronavac. "Em relação a Coronavac, essa questão dela ter um vírus inteiro, não significa que não possa ter uma perda de eficácia e que vá ter uma resposta igual contra todas as variantes. Mas tudo ainda é hipótese, precisa do estudo científico para ser comprovado", explicou.
Fonte: O Dia