Sexta-Feira - 15:52 - Paes admite que Rio tem regiões em alto risco e defende medidas extraordinárias: 'Não dá para viver a vida normal'. Veja Abaixo

19 de março de 2021 · AM · Notícias em Geral

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, admitiu, em entrevista à GloboNews TV na manhã desta sexta-feira, que a cidade tem áreas de alto risco e vai adotar medidas extraordinárias para conter a pandemia de Covid-19. Nesta sexta-feira, foi publicado um decreto municipal que proíbe não apenas o banho de sol nas areias como também esportes (como altinho e partidas de futevôlei, entre outras), o banho de mar e atividades econômicas por ambulantes e barraqueiros.

— Trabalhamos com um conjunto de ações que olhavam a fase pandêmica numa certa estabilidade do início do ano até o começo de março. A partir deste momento, as medidas passam a ser extraordinárias. Elas saem da lógica da resolução publicada pela Secretaria estadual de Saúde e da municipal no início do ano. Nós temos um decreto em vigor até a próxima segunda-feira. Publicamos hoje um adendo proibindo a ocupação das praias neste fim de semana, infelizmente — afirmou.

Paes ressaltou que, apesar de as praias não serem um local de grande transmissão, as restrições são uma sinalização da gravidade do quadro na cidade:

— A gente sabe que as praias não são local de grande transmissão por serem um espaço aberto, mas precisávamos sinalizar para a população que não dá para viver a vida normal — enfatizou.

O prefeito disse que teve que adotar medidas mais restrititvas há três semanas, quando aumentou a procura nas unidades de saúde por pessoas com problemas respiratórios:

— O Rio vem atrasado, em comparação com o resto do país. Os números têm aumentado nas duas, três últimas semanas. A gente já vinha mantendo uma média móvel do número de mortes num ritmo decrescente. Depois daquela segunda onda no fim do ano, uma situação melhor em janeiro, em fevereiro. Mas há cerca de três semanas a gente começou a identificar, principalmente nas unidades básicas de saúde, nas UPAs, ou seja, na ponta do sistema uma quantidade muito grande de pessoas aparecendo com sintomas da gripe. A partir dali, a gente começou a estabelecer medidas mais restritivas na cidade. Viemos, na semana passada, fazendo um escalonamento das diferentes atividades econômicas para diminuir a pressão sobre os transportes. Houve de fato um aumento muito grande na taxa de ocupação nas Unidades de Terapia Intensiva, de enfermarias. Obviamente isso coloca a cidade em uma situação mais difícil — explicou.

Ele contou que vai se encontrar esta manhã com o prefeito de Niterói, Axel Grael, e, no fim do dia, com o governador Cláudio Castro.

— O Rio é centro de uma região metropolitana. É importante que a cidade tenha suas restrições, mas que também haja um envolvimento da Região Metropolitana, se não a eficácia delas será muito menor. É importante ter essa solidariedade metropolitana. Até porque quando a gente olha para os números, a central de regulação de leitos do estado é uma só. A maior parte dos leitos está na cidade do Rio. Boa parte deles é da prefeitura, mas quem faz a regulação é o estado. Não há diferenciação se o doente vem de Caxias, Nova Iguaçu ou Arraial do Cabo.

Paes comentou ainda a iniciativa do presidente Jair Bolsonaro de entrar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra decretos de medidas restritivas impostos por governadores e prefeitos. Paes diz que, caso seja questionada, a prefeitura vai responder à ação com dados científicos que justificam as decisões tomadas.

— Ação judicial é uma coisa que todos temos direito de impetrar. Compete ao impetrados contestar. Acho que todos nós estamos fazendo um esforço grande de conter a pandemia baseados em fatos científicos. Eu tenho aqui no comitê que me assessora ex-ministros da Saúde, representantes da Diocruz, da UFRJ, da Uerj, um conjunto de pessoas que tem tomado decisões com as autoridades sanitárias do municício. Meu papel é dar condição política nesse processo, respeitando a ciência. Se houver alguma ação vamos contestar com dados cinetíficos. Mas repito: eu quero crer que esse entendimento federativo vai acontecer — ressaltou.

O prefeito disse ter se reunido com fornecedores de insumos e medicamentos usados na internação de pacientes com Covid-19, mas ressalta que acredita que a questão precisa ser resolvida pelo Ministério da Saúde. O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde calcula que as reservas atuais do chamado 'kit intubação' durem só 20 dias e pede que o governo federal garanta com a indústria a continuidade do fornecimento.

— Já venho desde a semana passada conversando com fornecedores de medicamentos e materiais necessários para as unidades de saúde. Nós temos algumas coisas em estoques, mas isso é um tema nacional, não é específico da cidade. Há de se ter uma ação conjunta. É muito importante que esse diálogo se dê com o governo federal e o próprio Ministério da Saúde.

'Fiquem em casa'


As regras em vigor disciplinando o funcionamento de outras atividades na cidade não sofreram mudanças. Caminhadas pelo calçadão, por exemplo, estão liberadas. Mas novas restrições podem ser anunciadas na próxima semana, quando Paes se reúne com o comitê científico da prefeitura e pode anunciar outras providências. Entre as medidas em estudo está a antecipação dos feriados de Tiradentes e São Jorge (21 e 23 de abril).

— A recomendação que damos é que todos fiquem em casa neste fim de semana — disse o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

O EXTRA apurou que a decisão de antecipar o feriado só não foi anunciada já porque Paes ainda tenta convencer o governador em exercí da gripe. A partir dali, a gente começou a estabelecer medidas mais restritivas na cidade. Viemos, na semana passada, fazendo um escalonamento das diferentes atividades econômicas para diminuir a pressão sobre os transportes. Houve de fato um aumento muito grande na taxa de ocupação nas Unidades de Terapia Intensiva, de enfermarias. Obviamente isso coloca a cidade em uma situação mais difícil — explicou.

Ele contou que vai se encontrar esta manhã com o prefeito de Niterói, Axel Grael, e, no fim do dia, com o governador Cláudio Castro.

— O Rio é centro de uma região metropolitana. É importante que a cidade tenha suas restrições, mas que também haja um envolvimento da Região Metropolitana, se não a eficácia delas será muito menor. É importante ter essa solidariedade metropolitana. Até porque quando a gente olha para os números, a central de regulação de leitos do estado é uma só. A maior parte dos leitos está na cidade do Rio. Boa parte deles é da prefeitura, mas quem faz a regulação é o estado. Não há diferenciação se o doente vem de Caxias, Nova Iguaçu ou Arraial do Cabo.

Paes comentou ainda a iniciativa do presidente Jair Bolsonaro de entrar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra decretos de medidas restritivas impostos por governadores e prefeitos. Paes diz que, caso seja questionada, a prefeitura vai responder à ação com dados científicos que justificam as decisões tomadas.

— Ação judicial é uma coisa que todos temos direito de impetrar. Compete ao impetrados contestar. Acho que todos nós estamos fazendo um esforço grande de conter a pandemia baseados em fatos científicos. Eu tenho aqui no comitê que me assessora ex-ministros da Saúde, representantes da Diocruz, da UFRJ, da Uerj, um conjunto de pessoas que tem tomado decisões com as autoridades sanitárias do municício. Meu papel é dar condição política nesse processo, respeitando a ciência. Se houver alguma ação vamos contestar com dados cinetíficos. Mas repito: eu quero crer que esse entendimento federativo vai acontecer — ressaltou.

O prefeito disse ter se reunido com fornecedores de insumos e medicamentos usados na internação de pacientes com Covid-19, mas ressalta que acredita que a questão precisa ser resolvida pelo Ministério da Saúde. O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde calcula que as reservas atuais do chamado 'kit intubação' durem só 20 dias e pede que o governo federal garanta com a indústria a continuidade do fornecimento.

— Já venho desde a semana passada conversando com fornecedores de medicamentos e materiais necessários para as unidades de saúde. Nós temos algumas coisas em estoques, mas isso é um tema nacional, não é específico da cidade. Há de se ter uma ação conjunta. É muito importante que esse diálogo se dê com o governo federal e o próprio Ministério da Saúde.

'Fiquem em casa'


As regras em vigor disciplinando o funcionamento de outras atividades na cidade não sofreram mudanças. Caminhadas pelo calçadão, por exemplo, estão liberadas. Mas novas restrições podem ser anunciadas na próxima semana, quando Paes se reúne com o comitê científico da prefeitura e pode anunciar outras providências. Entre as medidas em estudo está a antecipação dos feriados de Tiradentes e São Jorge (21 e 23 de abril).

— A recomendação que damos é que todos fiquem em casa neste fim de semana — disse o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

O EXTRA apurou que a decisão de antecipar o feriado só não foi anunciada já porque Paes ainda tenta convencer o governador em exercício, Claudio Castro, e outros prefeitos a aderir à medida, para que seja mais efetiva. Fontes confirmaram que o prefeito do Rio pretende, após a reunião de segunda-feira, anunciar medidas ainda mais restritivas a partir da próxima sexta-feira, limitando bastante atividades ecônomicas na cidade, por uma ou duas semanas.

O decreto publicado hoje também prevê que, a exemplo do que havia feito no réveillon e carnaval, a prefeitura pretende montar pontos de bloqueio nos acessos a cidade — provavelmente com o apoio da Polícia Rodoviária Federal e do Detro — para tentar impedir a entrada de ônibus e outros veículos de fretamento usados para passeios ''bate e volta'' entre a capital e outras cidades. Não há impedimento para veículos que transportem pessoas de outros municípios para o Rio a serviço ou de ônibus de turismo como visitantes que comprovem terem reservas na cidade.

 

 

Fonte: Extra