Sexta-feira - 08:31 - Caso Henry: Jairinho, sob gritos de "assassino", leva tapa ao sair da delegacia. Veja Abaixo
Suspeitos de matar o menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, o vereador Dr. Jairinho (Solidariedade) e a sua companheira, Monique Medeiros, mãe da criança, deixaram a 16ª DP (Barra da Tijuca), na Zona Oeste do Rio, por volta das 13h desta quinta-feira. Escoltados, eles caminharam em silêncio até as duas viaturas da Polícia Civil, que partiram para o Instituto Médico-Legal (IML), no Centro. Pessoas que acompanhavam a cena xingaram os suspeitos e os chamaram de "assassinos". Um homem mais exaltado chegou a furar o bloqueio da polícia e deu um tapa no vereador.
O autor do tapa em Jairinho, um aposentado de 64 anos, foi encaminhado por policiais à própria 16ª DP logo após a agressão. Na unidade, foi lavrado um termo circunstanciado pelo crime de "vias de fato", em que se enquadra esse tipo de situação. Aos agentes, o idoso argumentou que agiu "acometido por grande emoção em razão dos fatos imputados ao vereador". O homem, contudo, optou por prestar depoimento apenas em juízo e se comprometeu a comparecer às audiências relativas ao processo, que foi remetido ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).
Durante a passagem do casal pela delegacia, que durou mais de 5 horas e 30 minutos, os suspeitos foram ouvidos novamente pela polícia. Os investigadores queriam saber se ambos explicariam a verd s celulares, fato levantado pelas investigações da Polícia Civil.
'A cena do apartamento não foi mudada de maneira proposital'
O advogado também alegou que a faxineira contratada pelo casal não participou de nenhuma tentativa de apagar os vestígios da morte de Henry — a qual, segundo França, não decorreu de agressões. Na versão do advogado, a empregada chegou à casa dos suspeitos no dia seguinte à morte do menino, às 7h30m, para trabalhar.
— A cena do apartamento não foi mudada de maneira proposital. A própria empregada doméstica já informou que fez a limpeza do local na ocasião. Já tinha limpado tudo e explicou inclusive que só soube da morte do Henry por volta das 10h da manhã,
quando a Monique informou. Se a empregada que vai todo dia no apartamento, tem a chave do apartamento, e chegou por volta das 7h, 7h30m, como ela mesma disse, e só se comunicou com Monique para saber do fato às 10h da manhã, que limpeza é essa para mudar local de crime?
Ele reafirmou que a rotina do casal com Henry era harmônica, contrariando o que apontam as investigações da Polícia Civil a partir da oitiva de testemunhas, como a babá do menino e a empregada doméstica.
— Eles estão certos de que são inocentes e acham que está acontecendo uma injustiça. Temos depoimentos que foram reveladores no círculo íntimo do casal. Quem são essas pessoas? A psicóloga, a professora, que inclusive diz que tem curso técnico de (identificação de) maus tratos e nunca identificou nada no Henry, a empregada doméstica, a babá, os pais da Monique. Nenhum deles relata qualquer tipo de animosidade entre Monique e Henry ou Jairinho e Henry.
França reafirmou também que a morte de Henry foi acidental, mas não soube informar como o acidente aconteceu.
— Estamos demonstrando aqui que o improvável acontece. Em momento algum estamos afirmando que houve agressão. E em momento algum apontamos aqui como foi esse acidente: se caiu da cama, se caiu do armário, se caiu da estante...
O advogado comentou ainda o contato que o vereador Dr. Jairinho fez a um funcionário do alto escalão do Instituto Médico-Legal (IML), após a morte de Henry, para pedir a rápida liberação do corpo.
— É preciso comentar o que não está nos autos, mas não vejo nenhum tipo de problema quando a gente está no meio de uma pandemia e a família solicita ao vereador, que é uma pessoa influente e conhece várias pessoas, que agilize o trâmite para fazer o velório — diz ele.
França também foi questionado sobre a informação de que, no dia seguinte à morte de Henry, sua mãe, Monique Medeiros, foi a um salão de beleza para fazer o cabelo e a unha.
— Essa informação também não está confirmada. Não tenho essa informação do dia seguinte. No dia seguinte, inclusive, ela estava resolvendo velório, ela estava no velório. É preciso escutar essas informações primeiro e tomar conhecimento de de onde estão vindo essas informações a fim de que a gente evite isso (a condenação). Nossa Constituição garante a presunção de inocência.
Fonte: extra.