Terça-Feira - 14:37 - Ministério Público do Rio anuncia força-tarefa para investigar operação que terminou com 28 mortos no Jacarezinho. Veja Abaixo

11 de maio de 2021 · AM · Notícias em Geral

RIO — O procurador geral de Justiça, Luciano Mattos, anunciou na manhã desta terça-feira a criação de uma força-tarefa para investigar a operação na Favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, que terminou com 28 mortos, entre eles um policial civil. Mattos afirmou que foi feita essa opção pela complexidade do caso. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) havia suspendido as operações policias, exceto em casos excepcionais.

— Nós identificamos a necessidade de criar uma força-tarefa para esse procedimento investigativo criminal — afirmou Mattos, que explicou ainda que o trabalho deve ser concluído em quatro meses, podendo ser prorrogado por mais quatro.

Durante a coletiva de imprensa, o procurador-geral e o promotor André Cardoso, res Criança e ao Adolescente (DPCA) teria ido à favela, com o apoio de outras unidades, para cumprir o mandado de prisão contra 21 pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Rio (MPRJ), sob a suspeita de aliciar menores. Massacre no Jacarezinho

De acordo com Luciano Mattos, as operações da polícia não dependem da autorização do MP. O órgão, no entanto, fará a fiscalização do que ocorreu na ação, que é uma atividade policial.

De acordo com Luciano Mattos, as operações da polícia não dependem da autorização do MP. O órgão, no entanto, fará a fiscalização do que ocorreu na ação, que é uma atividade policial.

— Não é dever do MP proibir as operações. O MP não pode impedir a Civil de instaurar inquérito quando há hipótese de uma infração penal praticada por quem quer que seja. Um membro do MP acompanha esse inquérito. Todos os inquéritos da DH também serão acompanhados, além do procedimento investigatório criminal próprio do MP - afirmou Luciano Mattos, questionado se havia preocupação de falta de isenção da Polícia Civil para conduzir a investigação sobre as mortes.

A promotora Patricia Leite Carvão, coordenadora geral da promoção da dignidade da pessoa humana, afirmou que na segunda-feira esteve com às famílias dos mortos na ação. O objetivo, segundo ela, é dar assistência humanizada:

- Daremos um atendimento humanizado para dar todo tipo de atendimento necessário. Algumas pessoas foram ouvidas mas até pelo sigilo do caso não é possível.

Do total de 27 mortos na favela do Jacarezinho durante operação policial realizada na última quinta-feira, apenas 4 eram alvo da chamada operação Exceptios. Além disso, dois dos mortos não tinham qualquer anotação criminal, o que contradiz a Polícia Civil, que declarou na semana passada que todos morreram em confronto com os agentes de segurança e tinham antecedentes. As informações constam em um relatório sigiloso da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil, ao qual o GLOBO/Extra teve acesso, e que foi realizado três dias após a ação. De acordo com o documento, dos 27 apenas 12 tinham anotações por crimes relacionados ao tráfico.

 

 

Fonte: Extra