Quarta-Feira - 14:52 - Mulher morre em ponto de ônibus no Caju e corpo fica mais de 12 horas à espera de remoção. Veja Abaixo

02 de junho de 2021 · AM · Notícias em Geral

Uma mulher morreu na noite de terça-feira num ponto de ônibus na Avenida Rio de Janeiro, no Caju, Zona Portuária do Rio, depois de passar mal. Começava aí o drama da família da auxiliar de serviços gerais Cristiane Pedro Gomes, de 42 anos. Além de lidar com a dor da perda, os parentes ficaram mais de 12 horas tentando com órgãos públicos a remoção do corpo dela, que só foi realizada às 9h desta quarta-feira. Segundo o viúvo, Alexandre Graciano dos Santos, de 43 anos, equipes da Polícia Militar e do Samu estiveram no local, mas houve um "jogo de empurra".

— Meu filho recebeu uma notícia de que ela estava passando mal aqui no ponto. No meio do caminho, até a nossa casa, eu recebi um telefone de que ela tinha ido a óbito. Ao chegar aqui, por volta das nove (horas da noite), fomos atendidos por uma viatura da PM. Após umas dez, onze horas, pelo Samu. Peguei a declaração de óbito. E só não consegui fazer a remoção até agora. A luta toda é essa para fazer a remoção — disse ele, em entrevista ao "Bom Dia Rio", da TV Globo, no início da manhã desta quarta-feira.

Alexandre contou ao telejornal que também fez contato com a Polícia Civil:

— A Polícia Civil confirmava o que já tinha dito da primeira vez: para eu recorrer ao Samu. Quando eu chegava no Samu, o Samu simplesmente não fazia a remoção. Aí pedia que eu entrasse em contato com a Defesa Civil. Mas eu já tinha entrado. Mais de cinco vezes. E empurrava de novo para o Samu. E nesse pingue-pongue, fiquei até agora para resolver as coisas.

O viúvo lamentou o que classificou como "falta de bom senso, comunicação e esclarecimento". Para ele, o Samu, que emitiu o atestado de óbito, deveria ter dado orientações para que ele cumprisse as etapas até fazer o sepultamento de Cristiane.

A Secretaria estadual de Saúde, responsável pelo Samu, disse, em nota, que "o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) esteve no local e atestou o óbito". E alegou que o "SAMU é responsável pelo atendimento emergencial para salvamento de vidas e não realiza remoção de corpos".

Mulher voltava do trabalho quando passou mal

Cristiane estava voltando do trabalho, num shopping em construção, e ia para casa, no bairro da Prata, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, quando passou mal. A mulher morava com o marido e os três filhos, de 22, 13 e 11 anos.

— Aqui era o ponto de transferência entre dois ônibus. Era rotina ela esperar pela condução aqui de segunda a sábado. E ontem não foi diferente — contou Alexandre.

Ele descreveu a mulher como uma pessoa alegre, descontraída e de bem com a vida. No próximo dia 15 de junho ela faria aniversário e ganharia uma festa surpresa.

 

Fonte: Extra