Três puérperas e um bebê morreram em Campos com Covid-19, no Hospital Plantadores de Cana (HPC) - unidade referência para gestantes contaminadas com o vírus, em Campos. Logo o alerta vermelho foi ligado para duas questões: A Promotoria de Tutela Coletiva da Infância e Juventude instaurou inquérito para apurar os óbitos e elas não teriam tomado vacina contra o vírus. As mortes ocorreram entre sexta-feira (28) e sábado (29).
Desde que a AstraZeneca foi suspensa para gestantes, segundo autoridades da área de Saúde, as grávidas sumiram das filas de imunização, mesmo as com comorbidade. O Ministério da Saúde orienta pela imunização.
Nesta terça-feira (1º), a promotora Anik Assed enviou ofício ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e à Vigilância Sanitária solicitando informações sobre as vistorias na maternidade.
Segundo a nota, o Ministério Público Estadual solicita a direção do HPC esclarecimentos sobre a estrutura de atendimento oferecido às gestantes, parturientes e seus bebês, a existência de enfermarias, salas de parto e UTI de isolamento, além do número de gestantes e recém-nascidos internados na unidade com suspeita ou confirmação de Covid-19 e ntensivo (UTI), destinada a pacientes com a Covid-19.
Casos - Sabriny Pessanha morreu no sábado. A jovem foi internada no dia 15 de maio. No dia seguinte, ela passou por uma cesárea e foi levada para UTI. Na sexta-feira, foram a óbito Raiana Rangel Noemia e Milena de Souza Gomes, ambas de 23 anos.
Segundo a assessoria do HPC, o bebê de Sabriny recebeu alta. Para a unidade, familiares disseram que Sabriny ainda não havia tomado a vacina contra a Covid-19. O bebê de Raiana, que nasceu de 24 semanas, não resistiu ao parto. O bebê de Milena está em estado grave, na UTI neonatal do HPC.
Longas filas levam Saúde a mudar estratégia
A grande fila na manhã desta terça-feira (1º) no Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA), para vacinação contra Covid-19 em pessoas com obesidade e pacientes bariátricos, levou a Saúde de Campos a mudar a estratégia. A fila começava na rua Barão Lagoa Dourada e se estendia até a rua Arisio Lessa. Além da longa fila, as pessoas também reclamaram do atraso para começar a vacinação.
O atendimento estava previsto para inciar às 9h, mas algumas pessoas chegaram a relatar que por volta das 9h30 a vacina nem havia chegado ao local. Alem da demora, muitos acabavam não respeitando o distanciamento necessário para evitar a propagação do coronavírus. Para o HEAA foram destinadas 270 doses de vacina.
De acordo com a Subsecretaria de Atenção Básica, Vigilância e Promoção da Saúde, nesta quarta-feira (02), esse grupo irá receber a vacina nos mesmos postos das pessoas com outras comorbidades. Já as pessoas com obesidade, o local de vacinação permanece no HEAA. Serão imunizados aqueles com idade entre 33 e 54 anos. O imunizante é Oxford/AstraZeneca ou Pfizer. A vacinação irá acontecer no horário das 9h às 15h e será através de distribuição de senhas.
O prefeito Wladimir Garotinho e o secretário municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), Marcelo Feres, acompanharam o início da retomada da vacinação dos profissionais da Educação nesta terça-feira. Foram imunizados cerca de 80 trabalhadores. Outros 170 já haviam sido contemplados em maio.
Números - Pela contagem dos cemintérios foram seis óbitos nas últimas 24 horas em Campos (1.317 total). A ocupação de UTIs está em 82,88% (público e privado).
Vacina é importante para grávida e puérpera
O Ministério de Saúde orienta que gestantes e puérperas (até 45 dias após o parto) procurem se imunizar contra a Covid-19. A vacina, seja a CoronaVac ou a Pfizer, é tão importante quanto outros imunizantes destinados a esse público específico, com comorbidades.
“Depois do caso da morte da gestante que tomou a AstraZeneca e a suspensão da vacina, as gestantes não estão procurando pela vacina contra a Covid, principalmente, as que precisam. É necessário entender que as vacinas liberadas pelo Ministério da Saúde são tão importantes quanto a antitetânica”, disse a coordenadora de Imunização de São João da Barra, Rachel Rebel.
Em Campos, o subsecretário de Atenção Básica, Vigilância e Promoção da Saúde, Charbell Kury, explica que a vacinação para esse grupo prioritário está sendo aplicada mediante apresentação de laudo médico, mas acredita que, diante às ocorrências de óbitos envolvendo gestantes, muito em breve o Ministério da Saúde estenderá a imunização para todas as grávidas.
Fonte: Notícia Urbana