Terça-Feira - 22:50 - Óleo que matou casal tinha mesma substância que contaminou cervejas Backer. Veja Abaixo

06 de julho de 2021 · AM · Notícias em Geral

Polícia exibiu amostra de óleo comprado por casal no Espírito Santo, composto de glicerina e dietilenoglicol

A Polícia Civil do Espírito Santo concluiu o inquérito de investigação da morte do casal Rosineide Dorneles Mendes Oliveiras, de 52 anos, e Willis Penna de Oliveira, de 51. A mulher morreu em 15 de fevereiro e o companheiro em 16 de março. Os dois usaram um produto que compraram na internet vendido como "óleo de semente de abóbora". Após perícia, que teve resultado divulgado hoje em coletiva de imprensa, as autoridades descobriram que o frasco continha um solvente altamente tóxico, o dietilenoglicol, mesmo produto que causou mortes no caso da cervejaria Backer.
Segundo o médico legista Leandro Amorim, os sintomas foram semelhantes aos apresentados pelas vítimas em Belo Horizonte, começando por náuseas e fraqueza. Em um primeiro momento, Rosineide e WIllis não procuraram atendimento médico, e apenas 10 dias depois, quando já estavam sofrendo alterações no sistema nervoso central, com paralisia facial e dificuldade de respirar, eles deram entrada na UPA da Serra, sendo rapidamente transferidos para o hospital Dório Silva, também na cidade capixaba.
Na mesma semana da internação, ainda em janeiro, o filho único do casal procurou o 12º Distrito Policial, na cidade de Serra, para denunciar suas suspeitas em torno do óleo, já que era o único produto que o pai e a mãe consumiam e ele não. Segundo os policiais, a promessa era que a substância poderia controlar o colester ade: o falsificado era transparente, enquanto o produto original seria amarelado. Os peritos então analisaram a presença de ácidos graxos, que fazem parte dos óleos vegetais. Na amostra do produto usado pelo casal não foram encontradas as substâncias, o que já indicou a falsificação.
Em novos testes, os profissionais identificaram que o "óleo" era na verdade composto de glicerina e o dietilenoglicol. A Perícia Técnica de Minas Gerais, onde aconteceu o caso Backer, auxiliou a equipe capixaba encaminhando o padrão do dietileno encontrado no estado, para que fosse feito uma comparação, comprovando os primeiros estudos. A partir daí, foi usada uma técnica para quantificar a porcentagem de dietilenoglicol no produto presente no frasco, já que até 0,10% de solvente é permitido em uma composição com glicerina. Mas, ao final da pesquisa, foi concluído que da totalidade do produto 13% correspondia à substância tóxica.
Agora, a polícia pretende pedir que o homem responsável pela empresa clandestina também seja acusado de duplo homicídio culposo. As autoridades destacaram que é importante procurar outras pessoas que possam ter comprado o produto na internet, já que o homem contou ter angariado vários clientes e não deu detalhes sobre desde quando mantinha o negócio ilegal. A plataforma em que o óleo falsificado foi vendido já foi acionada para possível transmissão de dados.
Fonte: UOL