Quarta-feira - 19:16 - Aziz manda prender ex-diretor da Saúde sob acusação de mentir na CPI. Veja Abaixo

07 de julho de 2021 · WM · Notícias em Geral

Roberto Dias foi convocado a dar explicações sobre acusações de que teria pedido propina em negociação de vacina e pressionado servidor do ministério a liberar Covaxin. Ele nega acusações.

 

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), determinou nesta quarta-feira (7) a prisão do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias. Segundo Aziz, a decisão foi tomada porque Dias mentiu e cometeu perjúrio, isto é, violou o juramento de falar de verdade.

Roberto Dias foi levado para a Delegacia de Polícia do Senado e, até a última atualização desta reportagem, não havia deixado o local. Esta foi a primeira prisão determinada pela CPI da Covid. Nesse caso, trata-se de crime afiançável, isto é, ele poderá deixar a prisão após pagamento de fiança, a ser estipulado pela autoridade policial.

 

Roberto Dias foi convocado a dar explicações sobre as acusações de que teria pedido propina de US$ 1 por dose de vacina em negociações e teria pressionado um servidor do ministério a agilizar a aquisição da Covaxin, vacina produzida na Índia. Dias nega as duas acusações.

Durante o depoimento, Aziz acusou Roberto Dias de ter mentido e ter omitido informações da comissão.

"Chame a polícia do Senado. O senhor está detido pela presidência da CPI", afirmou Aziz a Roberto Dias.

A decisão de Aziz provocou reação da advogada de Roberto Dias. Ela afirmou que a prisão é um "absurdo" e que o ex-diretor deu "contribuições valiosíssimas" para a comissão.

A advogada ainda questionou se Roberto Dias continuaria na condição de testemunha ou se havia passado à condição de investigado. "Se estiver na condição de investigado, eu vou orientar que ele permaneça em silêncio", declarou a responsável pela defesa do ex-diretor.

Reação de senadores

Aliado do Palácio do Planalto, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) perguntou a Aziz em qual fato e em qual argumento o presidente da CPI se baseou para determinar a prisão.

Aziz, então, respondeu: "Perjúrio desde o início."

Marcos Rogério, na sequência, indagou: "Qual o fato?".

Aziz, em resposta, disse: "Vários. Vários. Vários. Dizer que não tinha conhecimento que ia se encontrar com o Dominghetti. Marcar uma audiência relâmpago..." (leia detalhes mais abaixo).

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), então, sugeriu uma acareação entre Roberto Dias e Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Omar Aziz respondeu que não fará acareação "com dois mentirosos".

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), se dirigiu a Aziz e pediu respeito aos direitos de Roberto Dias. "Vossa excelência nunca se afastou desta posição de equilíbrio", argumentou Bezerra.

Aziz, então, respondeu que não aceitará que a CPI vire "chacota".

"Tenho sido desrespeitado como presidente da CPI, ouvindo historinhas. As pessoas se preparam. Não aceito que a CPI vire chacota. Temos 527 mil mortos, e os caras brincando de negociar vacina. [...] Ele está preso por mentir, por perjúrio", declarou Aziz.

"Se eu estiver cometendo abuso de autoridade, que a advogada dele me processe. Nós não estamos aqui presa e atua como vendedor autônomo. "Nesse caso, ele apenas intermediou a negociação da empresa com o governo, apresentando o senhor Roberto Dias. Sobre a denúncia relatada por Dominghetti, de que o Ministério da Saúde teria solicitado uma 'comissão' para a aquisição das vacinas, a Davati afirma que não tem conhecimento", acrescentou a empresa.

Repercussão

Enquanto acontecia a sessão da CPI, o plenário do Senado estava reunido para votar indicações de autoridades. Quando a prisão de Roberto Dias foi determinada, Telmário Mota (PROS-RN) disse a Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, que as decisões tomadas pela comissão precisam ser invalidadas.

Na sequência, Esperidião Amin (PP-SC) disse que "qualquer decisão da CPI pode ser considerada nula" com efeito retroativo. Argumentou que o plenário do Senado já estava na Ordem do Dia no momento da ordem de prisão.

Aziz determinou a prisão de Roberto Dias às 17h26. A Ordem do Dia no Senado iniciou às 16h35.

Rodrigo Pacheco, então, respondeu:

"Não direi o contrário, senador Amin. [...] É preciso interromper os trabalhos das comissões enquanto houver a ordem do dia no plenário do Senado, sob pena de nulidade dos atos praticados nas comissões."

Jorginho Mello (PL-SC), então, disse a Pacheco que o presidente do Senado deveria avisar Aziz sobre a decisão. Pacheco respondeu que já havia encaminhado o comunicado a Omzar Aziz.

Outros senadores se manifestaram, em plenário, sobre o episódio. Ciro Nogueira (PP-PI) pediu a Pacheco que determine à Polícia Legislativa que não cumpra a ordem de prisão de Roberto Dias.

Rodrigo Pacheco, então, disse: "Eu aguardo a Secretaria Geral da Mesa relatar o momento em que houve o ato da comissão para tomarmos uma decisão."

Fonte: G1.