Sexta feira 17:01 - Depoente diz que não houve nada dentro do Gabinete do Coronel Boechat que desabonasse a conduta dos Coronéis citados na CPI da Covid-19. Veja abaixo
Depoente chama Blanco de "fdp" e questiona conhecimento de militares na Saúde
Representante da Davati Medical Supply no Brasil teceu duras críticas a militares lotados no Ministério da Saúde. Segundo Cristiano Carvalho, eles não compreendiam noções básicas de comércio exterior para comprar vacinas.
Em seu depoimento na Comissão Parlamentar de inquérito da Covid-19, o representante da Davati Medical Supply no Brasil, Cristiano Carvalho, teceu duras críticas aos militares lotados no Ministério da Saúde. Em uma das ocasiões, teve de explicar ao relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL) porque se referiu ao coronel da reserva Marcelo Blanco, ex-assessor do Departamento de Logística da pasta, como “fdp”.
A ofensa aconteceu em conversa privada com o vendedor autônomo de vacinas o policial militar mineiro Luiz Paulo Dominghetti, recrutado por Cristiano para oferecer vacinas ao governo federal. Ele voltou ao tema ao ser inquirido pela senadora Leila Barros (PSB-DF), e afirmou que os coronéis também não pareciam entender nada de comércio exterior. Senadores investigam suposto pedido de propina de integrantes do governo na compra dos imunizantes.
Calheiros perguntou a Cristiano se ele teve desentendimentos com servidores do Ministério da Saúde. O depoente respondeu que esteve no gabinete do coordenador-geral de planejamento da pasta, coronel Cleverson Boechat. “Se eu não me engano, é no segundo andar. Foi lá que ele nos recebeu. E o Coronel Pires e o Coronel Elcio Franco também nos receberam dentro do gabinete do Coronel Boechat. Dentro dessas tratativas e conversas dentro do Ministério da Saúde, não houve nada que desabonasse nenhum desses coronéis servidores públicos que estavam na reunião”, respondeu.
O relator retrucou. “Porque vossa senhoria afirmou, em mensagem a Luiz Paulo Dominghetti, aspas, que ‘só tem FDP nesse ministério’, após ele afirmar que a CPI chegaria às propostas que a Davati havia feito à pasta. A quem se referia, especificamente?”, inquiriu Calheiros, perguntando ainda o que teriam feito para que ele se referisse aos militares dessa forma. O depoente se desculpou e disse que se excedeu.
Conversas foram retiradas de celular
A conversa em que Cristiano usa o termo “fdp” foi retirada do celular do Dominghetti, que foi espelhado em outro aparelho, após ser apreendido pela comissão fim do depoimento do policial militar à CPI no início de julho.
“Sobre isso, acho que até me excedi, mas, na verdade, ao que eu estava me referindo era... Como eu passei a negociar com o senhor Blanco aqui, eu me referia aqui a esse tipo de negociação que tinha sido instaurada, que aparentemente o Roberto Dias havia indicado o Roberto Blanco para negociar comigo, porque ele falava em nome do Roberto Dias o tempo todo. Entendeu? Então, quando me referia ali, era a esta questão da interferência aqui do Blanco, de que não havia necessidade, então, por isso que eu me referia a isso”, justificou-se.
O depoente voltou a pedir desculpas “por ter mencionado o servidor público desta forma”. “Mas foi a sensação que eu tive por ter mais uma pessoa no negócio, e não havia necessidade. Ele já não era mais um servidor público desde janeiro, porém, a impressão que me deu é de que ele continuava assessorando o Roberto Dias. Foi essa a impressão que me passou. É a única pessoa a quem eu tenho que me referir que me trouxe alguma coisa, vamos dizer assim... Vamos dizer assim: está estranho. Fora isso, não teve absolutamente mais nada”, garantiu Cristiano.
O depoente disse que não teve problemas com o então diretor do Departamento de Logística Roberto Dias, e só soube das suspeitas de propina “através das denúncias do Dominghetti”. “Inclusive, os senhores tiveram acesso ao celular do Dominghetti, antes da oitiva dele aqui aos senhores, eu ainda deixei claro por mensagem: ‘Você tem certeza do que está falando? Ocorreu esse jantar?’ O senhor será acareado com o Roberto Dias’. E ele me respondeu: ‘Estou tranquilo’”, narrou.
Mercado internacional
O termo voltou à baila após uma pergunta da senadora Leila Barros. Ela quis saber se, por “fdp”, Cristiano se referia a um grupo específico, ou a um indivíduo. Então, o depoente admitiu que não criticava apenas Blanco. “Eu me referi especificamente a algumas pessoas. No caso acho que do Laurício, criou-se uma expectativa dentro da empresa, da Davati, de até gerar documentos apoiando a Senah. Isso achei que não coube muito bem à função que ele ocupava no Ministério. E a segunda pessoa que eu mencionei, que volto a mencionar, que eu achei que, vamos dizer assim, tinha uma posição meio dúbia ali era o Coronel Blanco, porque ele era ex-assessor e continuava assessorando, mas não era nem um militar da ativa e nem um servidor no exercício da função”, lembrou.
Leila lembrou a Cristiano que ele foi convocado por conta da pandemia e dos indícios de corrupção no governo na compra de vacinas. Ela quis saber o que o depoente achou do corpo técnico do Ministério da Saúde com que teve contato para negociar vacinas. “Essas pessoas entendiam de saúde?”, questionou. “No contato que eu tive com a cúpula dos coronéis, vamos dizer assim, no dia que eu estive em Brasília, eu percebi que eles não conheciam de comércio exterior”, respondeu Cristiano. “Era a minha segunda pergunta, saúde e comércio exterior”, afirmou a parlamentar.
“Parecia que eles desconheciam absolutamente tudo sobre comércio exterior, o que me surpreendeu, inclusive, porque eu ficava pensando como é que eles estavam negociando vacinas com os fabricantes se eles não tinham aquelas informações básicas. Pelo outro grupo, talvez o mais capacitado ali, que conhecesse um pouco mais, era o Roberto Dias. Ele que tinha um pouco mais de conhecimento”, afirmou o representante da Davati. A senadora fez ainda mais uma pergunta, a pedido do senador Jorge Kajuru (Podemos-GO). Quis saber, “caso esta CPI prove culpados, criminosos e corrupção”, se o depoente ficaria surpreso. “Dados os fatos, provas apresentadas e indícios, não vai ser nenhuma surpresa para mim”, disse.
Fonte: Correio BrazilienseENTENDA:
Quinta feira 15/07/21 - 19:50 - Candidato a Prefeito de Itaperuna em 2020 é citado na CPI da Covid. Veja abaixo
Senador aponta ‘associação de coronéis’ em ‘operação Tabajara’ na compra de vacinas
Rogério Carvalho (PT-SE) destacou a participação de diversos militares em negociações suspeitas com a Davati. Saiba mais sobre os envolvidos
São Paulo – O representante de vendas da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, relatou à CPI da Covid, nesta quinta-feira (15), a participação de uma série de coronéis das Forças Armadas em negociações suspeitas para a compra de vacinas contra a covid-19. A atuação desses militares, dentro e fora do governo, foi destacada pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE).
“Estamos falando do coronel Guerra, do coronel Boechat, do coronel Élcio Franco, do coronel Hélcio Bruno. Ou seja, temos uma associação de vários coronéis em torno dessa operação Tabajara”, ressaltou o senador.
O primeiro militar citado foi Gláucio Octaviano Guerra, coronel reformado da Aeronáutica. Ele atua como assessor do adido militar na embaixada brasileira em Washington. Segundo Cristiano, foi Guerra quem o apresentou a Herman Cardenas, CEO da Davati nos Estados Unidos.
A empresa chegou a oferecer ao governo brasileiro milhões de doses dos imunizantes da AstraZeneca. No entanto, a própria AstraZeneca negou qualquer relação com a Davati. Nas negociações, também foram oferecidas vacinas da Jansen ao ministério da Saúde. O governo canadense investiga a Davati por suposta oferta fraudulenta desses imunizantes.
ENTENDA:
Quinta feira 15/07/21 - 19:50 - Candidato a Prefeito de Itaperuna em 2020 é citado na CPI da Covid. Veja abaixo
Senador aponta ‘associação de coronéis’ em ‘operação Tabajara’ na compra de vacinas
Rogério Carvalho (PT-SE) destacou a participação de diversos militares em negociações suspeitas com a Davati. Saiba mais sobre os envolvidos
São Paulo – O representante de vendas da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, relatou à CPI da Covid, nesta quinta-feira (15), a participação de uma série de coronéis das Forças Armadas em negociações suspeitas para a compra de vacinas contra a covid-19. A atuação desses militares, dentro e fora do governo, foi destacada pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE).
“Estamos falando do coronel Guerra, do coronel Boechat, do coronel Élcio Franco, do coronel Hélcio Bruno. Ou seja, temos uma associação de vários coronéis em torno dessa operação Tabajara”, ressaltou o senador.
O primeiro militar citado foi Gláucio Octaviano Guerra, coronel reformado da Aeronáutica. Ele atua como assessor do adido militar na embaixada brasileira em Washington. Segundo Cristiano, foi Guerra quem o apresentou a Herman Cardenas, CEO da Davati nos Estados Unidos.
A empresa chegou a oferecer ao governo brasileiro milhões de doses dos imunizantes da AstraZeneca. No entanto, a própria AstraZeneca negou qualquer relação com a Davati. Nas negociações, também foram oferecidas vacinas da Jansen ao ministério da Saúde. O governo canadense investiga a Davati por suposta oferta fraudulenta desses imunizantes.
São Paulo – O representante de vendas da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, relatou à CPI da Covid, nesta quinta-feira (15), a participação de uma série de coronéis das Forças Armadas em negociações suspeitas para a compra de vacinas contra a covid-19. A atuação desses militares, dentro e fora do governo, foi destacada pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE).
“Estamos falando do coronel Guerra, do coronel Boechat, do coronel Élcio Franco, do coronel Hélcio Bruno. Ou seja, temos uma associação de vários coronéis em torno dessa operação Tabajara”, ressaltou o senador.
O primeiro militar citado foi Gláucio Octaviano Guerra, coronel reformado da Aeronáutica. Ele atua como assessor do adido militar na embaixada brasileira em Washington. Segundo Cristiano, foi Guerra quem o apresentou a Herman Cardenas, CEO da Davati nos Estados Unidos.
A empresa chegou a oferecer ao governo brasileiro milhões de doses dos imunizantes da AstraZeneca. No entanto, a própria AstraZeneca negou qualquer relação com a Davati. Nas negociações, também foram oferecidas vacinas da Jansen ao ministério da Saúde. O governo canadense investiga a Davati por suposta oferta fraudulenta desses imunizantes.
Cristiano relatou que, no dia 12 de março, participou de reunião que contou com a presença dos militares citados. “Me levaram ao Ministério da Saúde o Reverendo Amilton, o Dominguetti, o Coronel Hélcio Bruno, do Instituto Força Brasil. Nas dependências do Ministério, estavam o coronel Boechat, coronel Pires e com o coronel e secretário Élcio Franco.”
‘Comissionamento’
Envolvido nessas tratativas, o policial militar Luiz Paulo Dominguetti denunciou ter recebido pedido de propina de 1 dólar por vacina em negociação para a aquisição de 400 milhões de doses da AstraZeneca. De acordo com ele, a solicitação de propina teria sido feita pelo ex-diretor do departamento de Logística do ministério Roberto Ferreira Dias. Ele nega as acusações.
Em depoimento à CPI, Cristiano disse não ter tomado conhecimento desse pedido de propina. Mas relatou que Dominguetti se referiu a um pedido de “comissionamento”. “Ele se referiu a esse comissionamento sendo do grupo do Tenente-Coronel Blanco e da pessoa que o tinha apresentado ao Blanco, que é de nome Odilon.”
Blanco e Odilon
O tenente-coronel Marcelo Blanco era assessor de Roberto Dias no departamento de Logística. Ambos foram exonerados no mês passado, quando surgiram as denúncias. Blanco teria participado do jantar em Brasília no qual Dias teria feito o pedido de propina a Dominguetti. Ele inclusive já foi chamado a prestar explicações à CPI. Seu depoimento foi adiado, contudo, após ele ter entrado com pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).
Já o coronel Odilon foi citado por Dominguetti como a pessoa que apresentou Blanco a ele. Cristiano disse não conhecer Odilon pessoalmente, mas foi contatado pelo militar. “Uma vez ele (Odilon) entrou em contato comigo, e eu até relatei isso ao Dominguetti, perguntando inclusive de comissão.”
Helcio Bruno
O coronel da reserva do Exército Helcio Bruno de Almeida é presidente do Instituto Força Brasil. Trata-se de uma ONG que diz ser composta por pessoas que “amam e lutam pelo Brasil”. Na verdade, trata-se de uma organização que apoia as principais bandeiras do governo Bolsonaro e que já foi alvo no inquérito e na CPMI que investigam esquemas de fake news.
O site do instituto foi retirado do ar nesta quarta-feira (14). Mas nas suas redes sociais há postagens fazendo a defesa da liberação de armas, por exemplo. Outra publicação defende o uso de medicamentos que compõem o chamado “tratamento precoce”, sem eficácia comprovada contra a covid-19.
Helcio Bruno e o reverendo Amilton Gomes de Paula teriam sido os responsáveis por intermediar a reunião dos representantes da Davati – Dominguetti e Cristiano – no ministério da Saúde.
Boechat e Pires
O Coronel Boechat foi candidato a Prefeito de Itaperuna nas últimas eleições
Também coronel da reserva do Exército, Cleverson Boechat Tinoco Ponciano é coordenador-geral de Planejamento do Ministério da Saúde. Ele teria, inclusive, alertado Cristiano sobre as investigações em curso, pelas forças policiais canadenses, contra a Davati. “O mais grave é que esse coronel Boechat, tendo conhecimento do caso do Canadá, deixou rolar”, assinalou o senador Eduardo Braga (MDB-AM).
Marcelo Bento Pires também é coronel Exército. Ele passou para a reserva em novembro de 2020. Em janeiro deste ano, foi nomeado para a coordenação do Plano Nacional de Operacionalização das Vacinas contra a Covid-19 do ministério. Ele foi acusado pelo servidor Luis Ricardo Miranda de fazer pressão pela liberação da vacina indiana Covaxin, outro caso de corrupção investigado pela CPI.
Élcio Franco
Por fim, o coronel da reserva Élcio Franco foi secretário-executivo do Ministério da Saúde, durante a gestão do general Eduardo Pazuello. Em janeiro, ele ordenou aos demais órgãos da pasta que fossem concentradas nele todas as tratativas para negociações de imunizantes contra a covid-19. Franco foi exonerado em 26 de março, dias após a saída de Pazuello. Desde 23 de abril, ele é assessor especial da Casa Civil, ministério sob comando do general Luiz Eduardo Ramos.
Até mesmo o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), chegou a admitir estar constrangido com os diálogos mostrados por Cristiano revelando a participação dos militares nas negociações dos imunizantes. Contudo, afirmou que as “contradições ou equívocos, ou falhas, ou transgressões” cometidos pelos agentes não resultaram na compra de vacinas.
O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL) reagiu. Ele lembrou que apenas o pedido por vantagens indevidas, mesmo que não tenham sido efetivamente pagas, já caracterizam crime de corrupção ativa. O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão, foi ainda mais longe. “Nós não podemos generalizar, mas o senhor poderia me informar, senador Fernando Bezerra, o que o coronel Elcio Franco ainda está fazendo lá, ao lado da sala do Presidente? Falando pelo governo e mentindo, mentindo?”
Fonte: Rede Brasil Atual