Planejamento prevê, em novembro, fim do distanciamento social e do uso obrigatório de máscaras, a não ser em transporte público e em unidades de saúde, e série de eventos culturais em setembro
Rio - Especialistas criticaram o planejamento divulgado, na tarde desta quinta-feira, pela Prefeitura do Rio, que prevê flexibilização das medidas de restrição de combate à covid-19 em três etapas. O cronograma culmina, a partir de 15 de novembro, com o fim do distanciamento social e da restrição de público em eventos e estabelecimentos comerciais e fim da obrigatoriedade do uso de máscara, a não ser nos transportes públicos e em unidades de saúde. O plano da prefeitura prevê, ainda, uma série de manifestações culturais pela cidade entre os dias 2 e 5 de setembro.
O infectologista e pediatra Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, classificou o anúncio como 'um exercício de futurologia sem qualquer base científica'.
"É um anúncio absolutamente político, que não leva em consideração nenhuma evidência científica. Não temos bola de cristal para sabermos como estará a pandemia daqui a três meses, especialmente em relação ao comportamento da variante delta. Não sabemos se ela fará uma onda mais tardia de casos ou não. Também ainda não sabemos qual é o período de proteção oferecido pelas vacinas. São questões imprevisíveis, imponderáveis. Por isso, não se pode fazer qualquer anúncio com datas e hora marcada para o fim das medidas restritivas", diz Renato Kfouri.
Médico e professor titular de epidemiologia da UFRJ, Roberto Medronho também criticou as medidas:
"Até então, eu estava apoiando todas as medidas da Prefeitura do Rio, que montou um comitê científico com pessoas do mais alto gabarito. Porém, essas pessoas não foram consultadas sobre esse plano de flexibilização. Esse planejamento passa uma mensagem contraditória para a população. Quem está aglomerando neste momento, vai aglomerar mais ainda. A pandemia continua. Ela não pode ser encerrada por decreto".