Sexta-Feira - 21:49 - Moacyr Franco: 'Ninguém fala de mim, do meu passado glorioso'. Veja Abaixo
Moacyr Franco está embaixo de uma mesa e, ajoelhada ao seu lado, Joana Jabace sussurra frases como: "Você está com 84 anos, todos os seus sonhos podem estar indo embora, você não calcula onde está". A provocação vai comovendo o ator num crescente até quer ele alcance o estado emocional desejado pela diretora para rodar uma passagem da nova temporada de "Segunda chamada", que estreia nesta sexta (10), no Globoplay.
Na série, Moacyr é Seu Gilsinho, um homem que sofre de Alzheimer e que concluir os estudos antes que a doença evolua. Na cena, o personagem é tomado por um lapso total e, confuso, se esconde sob um móvel na sala da diretoria da Escola Estadual Carolina Maria de Jesus. Esse foi o momento do trabalho que mais emocionou Moacyr, "um ator aberto, que topa tudo", como define Joana.
— A gente arregaçou nessa cena! Foi tão bonito que, quando terminou, nos abraçamos sem máscara e tudo — empolga-se ele, se apressando em dizer que tomou "tudo quanto é vacina" e foi alvo de cuidados redobrados da equipe de produção por causa da idade.
A experiência de décadas fazendo shows em asilos e a convivência intensa com familiares mais velhos fizeram o ator de 85 anos já ancorar no personagem familiarizado com sintomas do Alzheimer. Mas o trabalho de preparação foi fundamental para ele, forjado em programas de humor, virar a chave na direção do drama.
— Fiz comédia a vida inteira, shows que são muito improvisados... A gente cria um estilo, né, mas não tenho uma escola oficial, um estudo — conta ele, que vem fazendo lives diárias em que conta causos reais fictícios, no instagram.
Apesar das dificuldades vividas pelo personagem, Moacyr consegue injet z. Nas décadas de 1980 e 1990, compôs várias músicas que alcançaram os primeiros lugares nas paradas, como "Dia de formatura", com Nalva Aguiar, e "Seu amor ainda é tudo".
— Naquela época, a música tinha uma história, um enredozinho e um defecho. Hoje, acho um pouco pobre o assunto. Se resume a "garçom, quero te contar minha vida, deixa eu beber outra...". É muita discussão de relacionamento.
Moacyr também gravou com Sérgio Reis (a canção "Questão de tempo"), que, recentemente, convocou manifestação antidemocrática contra o STF. Ele sai em defesa de seu “grande amigo”:
— Achei uma pena (artistas terem desistido de participar do novo disco do artista), porque o Sérgio não é isso. Ele é uma pessoa muito legal, companheiraço, preocupado com os outros. Depois, é um homem já doente... — diz ele, que pede para não falar de política. — Estou evitando tocar nesse assunto. É um momento de mexida, tempos de balanço.
Fonte: Extra