Segunda-Feira - 20:46 - Lula discursa no Parlamento Europeu e ataca Bolsonaro. Veja Abaixo
Ex-presidente diz que Bolsonaro é “cópia mal feita de Trump” que “representa peça importante da extrema direita fascista mundial”. Lula ainda se reuniu com chefe da diplomacia da UE e não descartou Alckmin como vice.O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (15/11) em Bruxelas, na Bélgica, que Jair Bolsonaro “representa uma peça importante da extrema direita mundial” e que o atual presidente brasileiro não passa de “uma cópia mal feita de Trump”.
Lula ainda afirmou que as forças progressistas e social-democratas do mundo precisam se unir para derrotar a extrema direita. “O mundo precisa de democracia, de paz e não de guerra, precisa de livros e não de armas.”
Líder nas pesquisas para as eleições de 2022, Lula participou no Parlamento Europeu de um evento organizado pela Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), grupo que reúne eurodeputados social-democratas e que controla a segunda maior bancada da Casa.
Agenda cheia
O petista está na Europa desde a semana passada. O giro europeu, que começou em Berlim, tem como objetivo reatar as relações com políticos do continente e oferecer um contraste com o isolado Jair Bolsonaro, que em três anos de governo não construiu nenhum relacionamento significativo com as potências europeias e se destacou mais pelos ataques que fez a líderes estrangeiros.
Com uma agenda cheia, repleta de encontros com colegas social-democratas, Lula já travou reuniões amistosas com algumas figuras proeminentes do bloco europeu, como Olaf Scholz (o provável próximo chanceler federal da Alemanha) e Josep Borrell (chefe da diplomacia da UE). Os encontros de fato contrastaram com a recente viagem de Bolsonaro à Itália, na qual o atual presidente brasileiro se viu isolado e sem travar diálogos relevantes com figuras do bloco europeu.
Muitas das falas de Lula na Europa também contrastaram com declarações recentes de Bolsonaro. O ex-presidente descreveu aos europeus um quadro de penúria econômica e social no Brasil e também falou da importância da preservação do meio ambiente.
Bolsonaro, que no momento cumpre uma agenda em Dubai, por outro lado disse aos seus anfitriões árabes nesta segunda-feira que a “Amazônia não pega fogo” por ser “úmida”. Já seu ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou pintar um quadro de crescimento da economia, que é desmentido por estatísticas do próprio governo.
Parlamento Europeu
Nesta segunda-feira, Lula usou uma coletiva de imprensa e um discurso no plenário do Parlamento Europeu tanto para denunciar Bolsonaro e as atuais políticas do governo brasileiro quanto para agradecer a solidariedade que recebeu de políticos social-democratas enquanto esteve preso entre 2018 e 2019.
“Bolsonaro é uma cópia mal feita de Trump. (…) Bolsonaro representa hoje uma peça importante na extrema direita fascista e nazista mundial. O Brasil não merecia passar pelo que está passando”, disse Lula durante a coletiva, ao lado da eurodeputada espanhola Iratxe García Pérez, que lidera o grupo S&D no Parlamento Europeu.
“Nunca imaginei que o Brasil fosse eleger uma pessoa como Bolsonaro para presidir. De qualquer forma, nós agora temos o compromisso de devolver a democracia e o bem-estar social ao nosso povo”, disse Lula, um pouco depois, em discurso no plenário.
“Hoje estou inocente e livre”, disse Lula. Ele também direcionou críticas ao ex-juiz Sergio Moro, que recentemente também sinalizou que pretende concorrer à Presidência em 2022. Lula afirmou que o ex-magis va continuar nosso diálogo!”, escreveu Scholz no Twitter em inglês após o encontro.
Em Berlim, ele também se reuniu com os políticos do partido Die Linke (A Esquerda) Gregor Gysi e Heinz Bierbaum. O primeiro é um membro influente da legenda e foi o último líder do Partido Socialista Unificado (SED) da antiga Alemanha Oriental. Já Bierbaum é atualmente líder do Partido da Esquerda Europeia, um agrupamento de legendas de esquerda da UE.
Lula ainda se reuniu com Martin Schulz, ex-líder do SPD alemão e ex-presidente do Parlamento Europeu. Schulz, que chegou a concorrer à chancelaria alemã em 2017 mas foi derrotado por Angela Merkel, visitou Lula na prisão em Curitiba em agosto de 2018. Lula se referiu a Schulz depois do encontro como “um companheiro das horas mais difíceis, a quem sou grato por ter feito questão de ir até o Brasil me visitar quando estava preso em Curitiba”.
No mesmo dia, Lula ainda se encontrou com as deputadas do SPD Yasmin Fahimi e Isabel Cademartori. O ex-presidente brasileiro ainda teve encontros em Berlim com figuras do sindicalismo alemão, incluindo Reiner Hoffmann, presidente da influente Confederação Alemã de Sindicatos (DGB); Michael Vassiliadis, presidente do Sindicato de Minas, Química e Energia (IG BCE); Frank Werneke, presidente do Sindicato Unido de Serviços (ver.di); e Christiane Bonner, copresidente do IG Metall, o maior sindicato de trabalhadores da indústria em toda a Europa e que mantém laços com a CUT e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Na terça-feira, ele seguirá para Paris, onde vai conceder uma palestra durante a conferência sobre o Brasil no Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po). A conferência “Qual o lugar do Brasil no mundo de amanhã?” ocorre para marcar os dez anos do título de Doutor Honoris Causa que Lula recebeu da Sciences Po.
Fonte: ISTOÉ