Quinta-feira - 09:23 - Mais de 2.300 pessoas se tornaram órfãs de vítimas de feminicídio no Brasil em 2021, diz estudo. Veja Abaixo
O Brasil é um dos países que mais mata mulheres no mundo. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que cerca de 2,3 mil brasileiros ficaram órfãos no país só em 2021, em decorrência dos crimes de feminicídio. Os dados divulgados pelo Fantástico no último domingo (10) revelam ainda o perfil das vítimas no país
Segundo o estudo do FBSP, em 2021 o Brasil perdeu mais de mil e trezentas mulheres por crimes de feminicídio. A média é de mais de 25 casos por semana, ou pelo menos uma mulher morta a cada 8 horas.
Pelo levantamento, também é possível identificar que 70% das mulheres mortas tinham entre 18 e 44 anos, ou seja, estavam em idade reprodutiva.
Mais de 97,8% das vítimas foram mortas por um companheiro atual, antigo ou outro parente. A maioria das vítimas (66,7%) é composta por mulheres negras.
É de extrema importância ter dados sobre as raças das vítimas de violência para entender como os crimes acontecem na prática entre os diferentes grupos. Com esses dados, os profissionais conseguem pensar em políticas públicas para grupos mais ou menos vulneráveis.

Acolhimento aos órgãos em decorrência do feminicídio
A criança precisa de amparo psicológico e apoio de familiares após um processo de luto da mãe, pois esse momento pode ser traumático quando não é bem resolvido e permeado. É o que explica Jocinéa Paes, psicóloga Clínica Cognitivo Comportamental.
Segundo a psicóloga, crianças que vivenciam violência doméstica são vítimas invisíveis, e as consequências são graves. “No que se refere ao desenvolvimento psicossocial destas crianças os prejuízos são enormes, nos casos de violência seguidas de morte os estragos podem ser ainda maiores, podendo desencadear o transtorno de estresse pós traumático TEP, além das dificuldades de socialização, distúrbios alimentares, distúrbios de aprendizagem”, contou. Quando não tratado, pode levar a problemas mais graves ao longo da vida. “Os traumas podem levar a depressão, síndrome de pânico, dependência química, dificuldades de relacionamento e baixa autoestima”, acrescentou.
Crianças que presenciam violência doméstica podem ter comportamentos agressivos, como uma forma de repetição do cenário violento.

Os dados alarmantes de violência contra a mulher são um reflexo de um orçamento que não permite que os recursos federais cheguem aos Estados e municípios, ou quando chegam é com atraso e em quantidade insuficiente.
Vale ressaltar, que mesmo com avanço de políticas de combate à violência de gênero no Brasil nos últimos anos, o amparo aos órfãos destes crimes ainda é pouco.
Não tem núcleos para assistência dessas crianças em várias cidades do Brasil. Muita das vezes quem faz o atendimento a essas crianças são centros de referência da mulher em situação de violência, mas o ideal é que essas crianças tenham um local exclusivo para falarem sobre a perda e a angústia.