Domingo - 13:43 - Energia solar por assinatura é opção mais barata para quem deseja economizar. Veja Abaixo
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Energia solar por assinatura é opção mais barata para quem deseja economizar
Com a conta de luz nas alturas e a bandeira tarifária acionada durante a maior parte de 2021 devido à forte seca que se abateu sobre o país no ano passado, o empresário Fredy Rodrigues, dono de duas padarias em Santos, no litoral de São Paulo, procurava uma forma de reduzir seu gasto com energia elétrica.
“Fizemos o orçamento para instalação de placas solares no telhado. Mas nosso imóvel não é próprio e o investimento seria muito alto”, lembra Rodrigues.
Diante do custo do pãozinho e do alug delo do streaming para o mercado de energia.”

Segundo a Absolar, cerca de 20 empresas atuam nesse mercado atualmente no Brasil, sendo Minas Gerais o Estado com a presença mais forte da geração distribuída, que inclui outros modelos de negócios, além do por assinatura.
Além de possibilitar o acesso à energia solar para quem mora de aluguel, em apartamentos ou imóveis com telhados inadequados, o serviço de assinatura também dispensa o consumidor dos custos com investimento e manutenção dos painéis.
A associação do setor estima que o investimento típico é de cerca de R$ 15 mil a R$ 20 mil para suprir com energia solar o consumo elétrico de uma família de quatro pessoas, o que em geral leva entre 4 e 6 anos para se pagar, com a economia gerada na conta de luz.
Um mercado que engatinha, mas com grande potencial
A geração de energia solar é bastante recente no Brasil.
Havia poucos projetos no país até 2014, quando foi realizado pelo governo federal o primeiro leilão de energia com a participação da fonte solar fotovoltaica.
Nos leilões, as usinas vendem contratos de energia para as distribuidoras, como Enel, Cemig, Light, e essa venda viabiliza a construção dos empreendimentos. É o chamado modelo de geração centralizada, cujas primeiras usinas entraram em operação a partir de 2017.
Entre 2015 e 2016, a Aneel criou o modelo de geração distribuída, em que a produção é feita não em grandes usinas, mas em pequenas unidades geradoras, com capacidade de até 5 MW (megawatts), na própria unidade consumidora ou em algum local próximo.
Desde 2020, a geração distribuída passou a representar a maior parcela da geração solar fotovoltaica no Brasil, representando 67% da capacidade instalada brasileira em março de 2022.
No ano passado, o Brasil foi o quarto país que mais cresceu em capacidade de produção de energia solar fotovoltaica, com 5,7 GW (gigawatts) adicionados, atrás apenas de China, EUA e Índia, segundo levantamento da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, na sigla em inglês).
O país é atualmente o 13º do mundo em capacidade instalada acumulada para essa energia, com perspectiva de adentrar o Top 10 nos próximos anos.
Apesar desse crescimento, a solar ainda representava apenas 1,7% da matriz elétrica brasileira em 2020, segundo o Balanço Energético Nacional 2021 da EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
Para Susteras, da Absolar, um dos fatores que explica a participação ainda pequena da fonte solar na matriz elétrica brasileira é o fato de o Brasil ter entrado mais tarde do que outros países no segmento.
O país também passou anos sem um marco regulatório para o setor, diz o representante, o que na avaliação dele foi resolvido neste ano com a aprovação da Lei 14.300/22, que instituiu o marco legal da microgeração e minigeração distribuída.
“Com segurança jurídica, o mercado de capitais deve se sentir mais confortável para financiar projetos”, diz o coordenador.
“Como toda nova tecnologia, há uma curva natural de adoção ao longo do tempo. E, à medida que o custo vai caindo e a tarifa de energia vai subindo, a tecnologia se torna cada vez mais atrativa.”
Historicamente, um dos principais gargalos para o desenvolvimento da geração solar no Brasil era o fato de que a maior parte dos equipamentos utilizados são importados e tem, portanto, custo em dólares.
Susteras observa, porém, que à medida que o mercado ganha escala, o custo da tecnologia vem caindo entre 10% a 15% ao ano. Além disso, o mercado local tem se tornado mais especializado, ampliando a oferta de serviços.
Assim, o especialista vê grande potencial para o avanço da geração solar distribuída no Brasil e também dos serviços por assinatura voltados para consumidores residenciais e pequenas empresas.
“Esse mercado mal começou, a verdade é essa. Se considerarmos que 75% das pessoas que querem ter energia solar não têm por restrições físicas [de seus imóveis], temos uma ideia do quanto esse mercado pode crescer, porque esse é um mercado que não tem restrição — a não ser aquela geográfica [de o prestador de serviço estar na mesma área da distribuidora que atende o consumidor]”, diz Susteras.
“A energia solar pode ser muito democrática no Brasil. Tem muita gente que ainda nem ouviu falar, que nem sabe que já poderia ter, mas que vai descobrir aos poucos. É questão de tempo.”
As informações são da BBC Brasil.