Terça-feira -15:08 - 'Me socorre! Sou policial civil': depoimentos de militares revelam desespero de perito assassinado. Veja Abaixo
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'Me socorre! Sou policial civil': depoimentos de militares revelam desespero de perito assassinado.
Presos em flagrante por homicídio qualificado e ocultação de cadáver do perito papiloscopista Renato Couto, os militares da Marinha Manoel Vitor Silva Soares, Daris Fidelis Motta e Bruno Santos de Lima, além do empresário Lourival Ferreira de Lima, pai do último, não só confessaram como deram detalhes do crime. Em depoimento na 18ª DP (Praça da Bandeira), eles narraram como se deu a chegada ao ferro-velho, na tarde da última sexta-feira, relataram uma suposta luta corporal entre Bruno e Renato e ainda contaram como se deu o trajeto, de mais de 50 quilômetros, do local até o Rio Guandu, na altura de Japeri, na Baixada Fluminense, a bordo de uma viatura da força armada.
Na delegacia, o terceiro-sargento Manoel Vitor Silva Soares, que trabalha no Setor de Manutenção da oficina do 1º Distrito Naval, disse que, por volta de 13h30 da última sexta-feira, dia 13, Bruno solicitou que ele o levasse de viatura até o ferro-velho, o que acontecia com “regularidade”. Ao chegarem ao estabelecimento, Bruno, usando um colete balístico, teria descido da van de maneira “brusca”, sendo seguido por Daris. Ele contou ter permanecido no banco do motorista do carro, com campo de visão reduzido por causa de uma pilastra.
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Manoel alegou só ter percebido a agressão praticada pelos colegas mediante o “alvoroço” causado no ponto de ônibus em frente, onde pessoas começaram a gritar. O militar então diz ter descido da viatura e ouvido a vítima dizer: “Colé, coroa. Sou colega”, identificando-se como policial, enquanto era cercado por Bruno, Daris e Lourival. Ele disse ter percebido que, além do perito e de Bruno, o pai dele também portava uma arma de fogo — nesse caso, um revólver calibre 38 oxidado.

Naquele momento, segundo Manoel, ele decidiu que chamaria a polícia, mas foi repreendido por alguns dos homens, que gritou: “Chamar a polícia é o c..., quis dar bote no ferro-velho dos outros”. Em seguida, o sargento contou ter ouvido um disparo, que pode ter sido dado por Bruno ou Renato, que bateu no chão e atingiu a perna do policial civil. O militar disse ter sugerido levá-lo a um hospital e, com esse intuito, ajudou a colocá-lo dentro da van.
O terceiro-sargento diz ter assumido a direção e ter sido ordenado por Bruno a “seguir em frente”. Renato, que estava no chão do carro, sangrava bastante. Ao passarem pela Linha Vermelha, Bruno jogou o celular da vítima na Baía de Guanabara, na altura da Favela da Maré. Até chegar à Rodovia Washington Luis, o motorista contou ter dirigido “morosamente” a fim de encontrar uma viatura policial e comunicar o ocorrido.
No depoimento, Manoel relatou que Bruno mantinha uma arma empunhada em sua direção, o que o fez “temer pela própria vida”. No Arco Metropolitano, ele teria sido obrigado a encostar a viatura próximo a mureta, abrir o capô, ligar o alerta e simular um enguiço. Bruno com o auxílio de Daris teria jogado então o corpo de Renato nas águas do Rio Guandu. Ao retornarem ao 1º Distrito Naval, na Praça Mauá, Manoel pediu a Bruno que assumisse a direção por não ter mais “condições psicológicas” de dirigir. No trajeto, ele ainda diz ter ouvido os colegas dizerem que iriam “ganhar um dinheiro” com a pistola do policial civil.
Cabo diz que policial apelou por socorro
Também na 18ª DP, o cabo Daris Fidelis Motta contou que, na sexta-feira, Bruno, seu chefe imediato, disse que precisava ir a um hospital ver um funcionário de seu ferro-velho que havia sido agredido por um miliciano. Chegando ao hospital, na Praça da Bandeira, o militar contou ter visto tal funcionário “machucado” e com um “ovo na cabeça”. Eles então retornaram ao 1º Distrito Naval e, mais tarde foram ao ferro-velho, após Bruno receber uma ligação dando conta de que o indivíduo voltara ao estabelecimento.
Ao chegarem ao local, Daris diz ter visto Renato segurando um homem, com as mãos na cintura. Bruno, ao descer da van, teria ido em direção a ele, com arma em punho, dizendo: “Perdeu, ladrão!” O militar disse ter ouvido então o barulho de dois disparos e visto o perito papiloscopista ferido, sendo depois de baleado e já caído, ainda chutado por Lourival. Bruno teria ordenado que o policial fosse colocado dentro da van e, nesse momento, a vítima falou: “Me socorre! Me socorre! Eu sou policial civil, me leva para o hospital!”
Daris relatou também que, dentro da viatura, Bruno chegou a conversar com Renato e ver a carteira dele da Polícia Civil. O militar disse que ouviu Bruno mandando Manoel seguir pela Linha Vermelha e chegou a perguntar se não levariam o perito a um hospital, tendo Bruno respondido que não daria tempo, “porque ele já tinha morrido”. Ao chegar ao Rio Guandu, eles pararam a van e jogaram a vítima. Após isso, pararam em um local que parecia ser um lava jato, pediram uma mangueira e tiraram o excesso de sangue do veículo.
Ao retornarem à base da Marinha, na Praça Mauá, Bruno teria mandado que os militares utilizassem cloro e outros produtos de limpeza para “limpar o cheiro e os vestígios do crime”. Na manhã seguinte, orientado por Manoel, que estaria preocupado com os tais “vestígios do crime”, Daris diz ter novamente lavado a viatura.
Militar diz que pai foi ameaçado
Ainda na delegacia, o primeiro-sargento Bruno Santos de Lima contou que, na última quarta-feira, foi informado por Lourival de que um homem havia lhe procurado em seu ferro-velho para lhe ameaçar e o acusar de receptar materiais furtados de sua obra. Segundo seu pai, ele disse ter respondido que só trabalhava com doações de órgãos públicos, mas o indivíduo teria exigido dinheiro e prometido retornar.
Na sexta-feira, Bruno contou ter recebido ligações de que o homem voltara ao ferro-velho do pai e lhe ameaçara caso não lhe transferisse R$ 10 mil. Ele contou que acionou um de seus subordinados, o terceiro sargento Manoel Vitor Silva Soares, e o cabo Daris Fidelis Motta, para irem, com uma viatura do 1º Distrito Naval, em “defesa” de Lourival.
Bruno disse que, na ocasião, portava sua pistola particular, uma Taurus calibre nove milímetros e vestia um colete balístico. Ao chegar no estabelecimento, na Rua Oswaldo Aranha, na Praça da Bandeira, avistou seu pai “com um semblante cabisbaixo, ao lado de um indivíduo”. Por esse motivo, o sargento contou ter saído da viatura já com a arma em punho, se identificando como militar e ordenando que Renato Couto colocasse as mãos para cima.
No depoimento, o primeiro-sargento relatou que, ao revistar o perito papiloscopista, notou que ele estava com uma pistola na cintura e, nessa ocasião, o policial civil sacou a pistola e ambos en dito não “querer problema” e que voltaria no dia seguinte para receber o valor, senão fecharia o estabelecimento. Ele então contou ter ligado para Bruno avisando do encontro e pedindo para que fosse ao local, porque também estaria com medo de ser agredido. No retorno do policial civil, que dizia que não ficaria no prejuízo, seu filho logo chegou em uma viatura da Marinha.
Lourival relatou que Bruno saiu do carro com uma arma em punho e que, ao policial civil tentar sacar a pistola, foi impedido pelo militar, que então atirou em uma das pernas do perito. O sargento, segundo o pai, ainda teria efetuado mais dois tiros no local e, com o auxílio de Daris e Manoel, colocou o corpo de Renato na viatura. Lourival nega ter tido conhecimento do que acontecera depois dali. Ele relatou ainda ter jogado um revólver calibre 38 que mantera no armário ferro-velho em uma caçamba da Comlurb na Rua Ceará, que é recolhida diariamente, para que a arma “não pudesse ser localizada”.
Fonte: Extra
