Segunda-feira - 18:40 - Jovem negro denuncia racismo após ser acusado por mulher de roubo em teatro da Zona Sul, no Rio. Veja abaixo
Um estudante de Nutrição usou as redes sociais para denunciar que foi acusado de roubar um guarda-chuva no Teatro Ipanema, no bairro de mesmo nome, na Zona Sul do Rio, na noite do último sábado (11). O caso teria acontecido após a pré-estreia da peça. Fábio Leandro Souza do Nascimento, de 25 anos, gravou um vídeo em que contou como tudo aconteceu. A publicação viralizou nas redes sociais. Entretanto, ele ainda não registrou o boletim de ocorrência. O rapaz afirmou que aguarda apenas um advogado para fazer um registro de ocorrência contra a mulher, na tarde desta segunda-feira.
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Segundo o universitário, tudo aconteceu na estreia da peça ‘Nem Todo Filho Vinga’, que fala sobre racismo, preconceito e desigualdade social. No vídeo, gravado no dia seguinte, ele desabafou sobre o caso de suposto racismo.
“Estou vindo aqui para compartilhar o que aconteceu comigo ontem lá no Teatro de Ipanema. Eu fui acusado de roubar um guarda-chuva de uma pessoa branca que assistiu à peça ‘Nem Todo Filho Vinga’, que fala sobre, justamente, isso: preconceito, racismo e desigualdade social”, relatou o universitário, que prosseguiu:
“Se ali perto de mim não estivesse pessoas confirmando e indo ao meu favor, hoje eu poderia estar até preso por conta disso. Eu fui acusando de roubar um guarda-chuva. Sendo que o guarda-chuvas era meu. Tem câmeras que mostram que eu entrei e saí com o guarda-chuvas. Ela veio na minha direção perguntando: “Você vai para onde com o meu guarda-chuvas? Me devolve meu guarda-chuvas. Me dá”, agressivamente”, relatou Fábio.
Ao EXTRA, o jovem, que é nascido e criado no Chapéu-Mangueira, no Leme, disse que foi ao teatro para prestigiar a peça, que é feita por uma atriz amiga de sua mulher. No entanto, ao sair do local foi abordado pela mulher que o acusava de ter roubado o objeto.
– O espetáculo foi uma maravilha. Mostrou tudo que eu vivi. Foram cenas fortes e que me emocionaram muito. (Após o espetáculo) Minha esposa foi ao banheiro e fui saindo. E aconteceu isso tudo. Ela veio gritando e me acusando de roubo. Poxa, aquilo dentro de um teatro lotado de pessoas brancas, segurando o mesmo tipo de guarda-chuva e ela só veio me abordando? Ela surgiu do nada, gritando, me acusando de algo que não tinha cometido. Ela veio logo pra cima do Fábio, menino negro – desabafa o estudante.
Ainda de acordo com o universitário, a mulher ainda tentou aga Mostrou tudo que eu vivi. Foram cenas fortes e que me emocionaram muito. (Após o espetáculo) Minha esposa foi ao banheiro e fui saindo. E aconteceu isso tudo. Ela veio gritando e me acusando de roubo. Poxa, aquilo dentro de um teatro lotado de pessoas brancas, segurando o mesmo tipo de guarda-chuva e ela só veio me abordando? Ela surgiu do nada, gritando, me acusando de algo que não tinha cometido. Ela veio logo pra cima do Fábio, menino negro – desabafa o estudante.
Ainda de acordo com o universitário, a mulher ainda tentou agarrá-lo e retirar o objeto de suas mãos.
– Ela chegou puxando, dizendo que era dela. Eu questionei e falei que não era dela. Ela não confiou na minha palavra. A minha negativa não bastou pra ela. Ficamos naquele impasse por muito tempo e as pessoas começaram a me defender. E se as pessoas não me defendessem? O que teria acontecido comigo? – questiona o rapaz.
Perguntado se ele perdoa a mulher, ele afirma que sim. Entretanto, ele pretende processá-la.
– Eu até desculpo ela. Mas tem que ter um processo para ela entender. Que a Justiça seja feita. Não podemos nos calar diante disso. Eu era o único preto de guarda-chuva e os outros eram brancos. Ela só veio até mim – afirma.
Fábio estava com a esposa, a atriz branca Marina Bastos de Souza Penetra, de 25 anos. A artista lembra que o marido chegou a ser impedido de deixar o local pela mulher, que gritava dizendo que o universitário havia roubado o objeto.
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– Quando eu saí de lá (do banheiro), ela o cercava. Eu não entendi, num primeiro momento, o que estava acontecendo. Eu perguntei a ela o que havia acontecido. Nesse espaço de tempo, o Fábio estava pálido, nervoso, sem falar direito. Ele me contou toda a história, e eu disse: “Só pode ser brincadeira”. Eu chamei ela para o canto e ela impediu que ele saísse, ela tirou o telefone e começou a nos gravar. Ela gritava e dizia que também era de favela e que ninguém tirava onda com a cara dela. Como ela sabia que éramos de favela? Ficamos naquele impasse e ela disse que o guarda-chuvas tinha sumido em um dos mezaninos do teatro. Procuramos e nada. Eu queria muito que aquilo tivesse sido encontrado para ela ficar sem graça. Como ela aborda apenas o Fábio? Só porque ele é negro? – diz Marina.
O rapaz disse que após a suposta acusação, ele recebeu todo o apoio dos organizadores da peça e da direção do teatro.
Após Fábio divulgar o que aconteceu, a direção do espetáculo teatral publicou um vídeo em suas redes sociais repudiando o que aconteceu.
“Nós, da Companhia Cria do Beco, repudiamos toda e qualquer atitude racista. Ontem, 11 de junho, após o espetáculo, uma mulher acusou um amigo negro, favelado, de ter roubado seu guarda-chuva. Sim, um guarda-chuva. A cena foi caótica, estendeu-se na rua, num constrangimento terrível. Continuaremos ocupando esses espaços e trazendo nossa galera pro teatro”.
Em nota, a Secretaria municipal de Cultura disse que “lamenta o ocorrido após a estreia da peça”. A pasta disse que reafirma “o compromisso de uma gestão pública que integre a cidade na qual corpos negros r periféricos possam circular livremente”. Ainda de acordo com o comunicado, “o fato só reforça a importância da prática de uma gestão democrática que preze por políticas afirmativas e antirracistas e ainda possibilite a circulação de grupos sociais e artísticos que historicamente tiveram acesso negado a estes espaços”.
Procurada, a delegada Daniela Campos Rodriguez Terra, titular da 14ª DP (Leblon), afirmou que não houve registro do caso na distrital. Entretanto, ela salientou que o rapaz poderá fazer o boletim de ocorrência em qualquer delegacia e, posteriormente, o registro é enviado para a 14ª DP, onde é a área de atribuição.
Fonte: EXTRA
