Quinta-feira - 11:27 - Entenda as estratégias de Lula e Bolsonaro para levar a corrupção para os programas de TV. Veja Abaixo
Mapeando o telhado de vidro adversário, ensaiando discursos e colhendo informações para se defender dos tiros rivais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) têm traçado estratégias para abordar o tema da corrupção na campanha eleitoral. Assunto dominante na disputa de 2018, a primeira após a Operação Lava-Jato, os casos envolvendo o candidato petista ganharão destaque na propaganda eleitoral na TV de Bolsonaro, que tenta reavivar o sentimento antipetista que o ajudou a ser eleito. O ex-presidente, por sua vez, prepara um arsenal para reagir aos ataques de seu principal adversário, mas que só deve ser levado ao ar num segundo ro programa.
Rachadinha e sigilos
No outro flanco, Lula adotará a máxima de que a melhor defesa é o ataque para lidar com um dos temas com maior potencial de desgaste para sua candidatura. A estratégia da campanha está apoiada em três eixos: lembrar as acusações de malfeitos de Bolsonaro e aliados dele; pregar a tese de que os governos do PT foram os que mais deram liberdade e investiram em órgãos de investigação; e desconstruir a Lava-Jato.
O PT não pretende pautar o assunto durante a corrida presidencial, mas já elabora a narrativa para enfrentá-lo. A maior preocupação passa pelos ataques que deverão ser feitos por Bolsonaro. Nesse caso, o plano é apontar que o presidente “colocou a corrupção para debaixo do tapete”, instrumentalizando instituições de repressão e controle para sufocar apurações asfixiando investigações.
Para isso, o petista vai lembrar do suposto esquema da “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro (PL) quando ele era deputado estadual no Rio. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), porém, anulou essa ação por questões processuais. Também baterá na atuação de pastores junto ao Ministério da Educação, escândalo que custou o cargo do então ministro Milton Ribeiro. A campanha falará ainda a respeito dos episódios em que o presidente foi acusado de interferir no trabalho da Polícia Federal, sobretudo, trocando delegados de cargos estratégicos.
Petistas envolvidos na elaboração dos programas eleitorais afirmam que a propaganda na TV não deve estrear abordando corrupção. A estratégica política da campanha é manter a economia como assunto principal. Aliados de Lula, no entanto, afirmam que a depender do tom da abordagem do adversário, haverá resposta e contra-ataque já elaborados.
Uma peça publicitária já pronta, que circula nas redes sociais, cita algumas suspeitas contra Bolsonaro e também aborda o sigilo de cem anos que o governo impôs sobre documentos sensíveis ao presidente, entre os quais sua carteira de vacinação e os acessos de determinados personagens ao Palácio do Planalto. No vídeo de 29 segundos, pessoas tentam falar sobre casos que incomodam o Executivo, mas têm a boca tapada por um esparadrapo.
Fonte: Extra